Cento e seis, o Caçador de Vingança (Parte Dois)
— Haha, você está falando do triturador, não de mim! Uniforme de trabalho, né? — Teresa brincou, apontando para o local onde o zelador havia deixado as roupas, onde ainda pendiam dois jalecos brancos. Ela se aproximou, pegou um deles e entregou para Lei Yan, que tinha um sorriso forçado no rosto, piscando para ele e dizendo: — Pode ficar tranquilo, minha técnica é totalmente experiente. Você só precisa ajudar com a força, não precisa usar o bisturi. — Dito isso, Teresa tirou uma luva da caixa de ferramentas e, com um sorriso travesso, a ofereceu para Lei Yan.
Com vontade de chorar, mas sem saída, Lei Yan aceitou as luvas e as calçou. Depois, desconfortável, vestiu o jaleco branco, levantou as mãos e ficou ao lado de Teresa, levantando o queixo em sinal de que estava pronto para começar.
— Aqui, você deveria usar isso — Teresa tirou da caixa de ferramentas uma máscara facial e, com cuidado, entregou a Lei Yan, falando de maneira gentil. Lei Yan rapidamente colocou a máscara e sentiu o mundo ficar mais suportável.
Para evitar que Lei Yan se sentisse constrangido, Teresa também pegou uma máscara, colocou-a com naturalidade e fez um sinal com a cabeça para Lei Yan, iniciando a dissecação do corpo. Lei Yan, controlando o forte enjoo, auxiliava ao lado.
O primeiro corpo a ser dissecado era o do produtor A. O homem já era pesado, e morto, ainda mais. Com Lei Yan como principal força e Teresa ajudando, eles conseguiram levantar o corpo para colocá-lo de lado.
— Segure firme — Teresa disse a Lei Yan, soltou as mãos e pegou o bisturi. Cortou horizontalmente na parte de trás da cabeça do produtor A e começou a trabalhar no couro cabeludo, deixando Lei Yan quase vomitando de nojo, que virou o rosto para o lado oposto, evitando olhar Teresa levantando o couro cabeludo.
Após quarenta e três segundos, Teresa e Lei Yan fizeram um aceno com a cabeça. Imediatamente, Lei Yan compreendeu e baixou o corpo lateralmente com cuidado. Ele queria se afastar e descansar um pouco, mas Teresa pediu que ele segurasse a cabeça do produtor A para o próximo passo. Não tendo escolha, Lei Yan mordeu o lábio e se aproximou da cabeça do cadáver, levantando-a com as duas mãos.
Lei Yan olhou para o rosto não sereno do falecido, que parecia olhar de volta para ele. Então, franziu a testa e desviou o pensamento. Enquanto isso, Teresa já havia exposto o crânio, depois de trabalhar no couro cabeludo.
— Pode abaixar agora — Teresa disse, virando-se para buscar a serra elétrica. — Se puder, me ajuda a ligar a tomada?
Lei Yan suspirou, limpou o suor frio da testa. A cena anterior foi realmente chocante. Ele se esforçou para manter a calma, afastar as imagens vívidas da mente, respirou fundo e foi ajudar Teresa a ligar a serra na tomada.
Com a energia conectada, Teresa testou a serra, ajustou a tensão e sorriu para Lei Yan, seja para motivá-lo ou para brincar: — Vamos lá, mais um pouco de força! Logo vamos encontrar a evidência!
— O que eu faço? — Lei Yan, com o rosto um pouco pálido, forçou um sorriso e perguntou a Teresa.
— Quer ver a “Hannibal feminina” extraindo o cérebro? — Teresa apertou o interruptor, testou a serra mais duas vezes e disse rindo a Lei Yan: — Use as duas mãos para segurar o rosto do produtor, e afaste a cabeça para trás. Eu garanto que nada vai respingar no seu rosto.
Diante do crânio, Teresa se mostrou muito segura. Quando Lei Yan segurou firme a cabeça, ela rapidamente cortou o osso.
Ao chegar ali, Lei Yan não aguentou mais. Controlando as náuseas violentas, perguntou a Teresa:
— Ainda precisa de mim?
— Ah? Agora você pode descansar um pouco. O que vier depois não exige esforço, eu consigo sozinha — Teresa não sentia nojo e não entendia o de Lei Yan. Ao ouvir a pergunta dele, achou que ele estivesse cansado, e calmamente afastou o crânio para o lado, pegou o bisturi e falou para Lei Yan.
Lei Yan, sentindo-se perdoado, tirou a máscara e correu para o canto, vomitando no lixo.
— Está bem? — Teresa, observando o orifício da bala na frente do cérebro, viu Lei Yan vomitando no lixo e perguntou, um pouco confusa: — Ah, dissecar um cadáver não é tão dramático assim, né?
— Não é pelo cadáver — Lei Yan, com a cabeça no lixo, para evitar que Teresa o achasse medroso, estendeu a mão para trás e explicou: — Eu comi demais de manhã. Além disso, já trabalhei com churrasco. Essa é a principal razão para minha reação física.
— Comer demais causa refluxo, isso eu entendo — Teresa perguntou, intrigada: — Mas vomitar tem a ver com churrasco e com dissecação?
— Isso você não sabe — Lei Yan, já mais aliviado, sentou no chão, tirou um lenço do bolso, limpou a boca e forçou um sorriso ao explicar para Teresa: — Eu trabalhei com churrasco na Cerâmica, meu chefe era parente meu, de Sichuan. O prato mais famoso era cérebro de porco assado, marca “Cabeça Grande”. Muitos gostavam. A associação me deixou mal, desculpe! — Ele fechou os olhos, com um sorriso sereno, fazendo uma expressão quase poética.
— Uau, só de pensar já dá água na boca — Teresa segurava as duas metades do cérebro, avaliava e, com um bisturi, explorava o trajeto da bala nas duas partes, dizendo a Lei Yan.
— Claro que sim — Lei Yan, ao ver o cérebro nas mãos de Teresa, imediatamente baixou a cabeça e olhou para o chão: — Só que é melhor nem pensar nisso agora, senão você vai vomitar!
— Olha, achei! — Teresa, animada, tirou uma bala do cérebro, segurou na frente dos olhos e disse a Lei Yan: — Pela minha experiência, deve ser um calibre 22!