Cento e catorze, também um caçador de assassinos (10)
— Não foi só a parte lasciva, foi tudo molhado o tempo todo — Teresa bateu a mão na testa, sorrindo amargamente. — Era como se uma língua comprida de lagarto lambesse seu rosto. Nem te conto o quão nojento foi, fiquei com uma cara cheia de saliva invisível que não dava para limpar, haha! — Teresa riu até a dor no rosto.
— O que mais a Finchy disse? — Lei Yan olhou para Teresa com compaixão e perguntou.
— Ah, nem sei se devo contar — Teresa esfregou o rosto e respondeu a Lei Yan — Ela disse que mulheres de terno preto têm um charme especial para ela, e também o meu olhar afiado — Teresa lembrou do mal-entendido com Finchy e não pôde deixar de sorrir amargamente — Isso a fez lembrar de uma parente feminina que era psiquiatra (não vou dizer diretamente, foi uma ofensa, hum), e a deixou excitada — Teresa apontou para Lei Yan, para evitar que ele perguntasse, e acrescentou com um sorriso triste — O olhar dela foi todo lascivo, especialmente quando disse a última frase, com um olhar sedutor, chegando bem perto, foi insuportável!
— E daí? — Lei Yan riu e continuou — Isso tem alguma relação com o caso?
— Tem, claro que tem — Teresa pensou um pouco e defendeu seu argumento — Eu preciso proteger Maggie, mas essa Finchy fica sempre rondando por perto, isso não atrapalha minha concentração? Tenho que lidar com ela, evitar suas palavras ácidas, desviar dos seus olhares venenosos. Se alguém com más intenções contra Maggie aproveitar essa brecha, o que vai ser?
Quando Teresa contou a Lei Yan sobre Finchy, tinha dois sentidos: um era relatar uma situação especial com um tom de reclamação; o outro era que, se Lei Yan tivesse algum pensamento oculto, ao ouvir o relato, ele deveria desistir, matando dois coelhos com uma cajadada só. Não havia melhor forma de explicar além de usar a frase “coração de mulher é como uma agulha no fundo do mar”.
— Tá, tá, entendi — Lei Yan balançou a cabeça e sorriu, consolando Teresa — Quando surgir uma oportunidade, vou falar com Maggie. Agora é um período especial, todas as pessoas ao redor dela são suspeitas, e antes de capturarmos o culpado, ela deve evitar contato com os outros.
Vendo Teresa concordar, continuou:
— Tenho certeza que ela vai ouvir. Para sua segurança pessoal, ela vai se afastar da Finchy. Assim, você fica segura também, não é? — Lei Yan abriu as mãos para Teresa, que fez um bico e assentiu comportadamente, como uma menina.
Lei Yan olhou para a “Pestinha” que se aproximava e sorriu:
— Não é só você que fica segura, o mais importante é que Elizabeth, que fica vinte e quatro horas com Maggie, também estará segura. Tenho que dar satisfação a Heil, não é? Quanto a nós homens, estamos seguros.
— Exatamente! — Teresa assentiu animada e apressou Lei Yan — Vá logo falar com ela — apontou para o chefe que estava a alguns passos olhando as pinturas — Para evitar suspeitas, vou me esconder com o chefe! — E saiu correndo para perto dele, conversando sobre as obras, como se o chefe entendesse.
— O que houve com Teresa? Foi perseguida pelo lobo? — A “Pestinha” passou por Lei Yan, franzindo a testa ao ver Teresa perto do chefe — Parece que está fugindo de um lado para o outro.
— Está olhando as pinturas? O realismo pós-moderno é tão intenso e perturbador assim? — perguntou Lei Yan.
— Nada a ver — Lei Yan se livrou daquela chata, não queria que ela voltasse — Acabou de ser interrompido, que história de ir ao banheiro? Que chato! — E cutucou a “Pestinha” — Conta as coisas estranhas que encontrou perto da Maggie.
Vendo a “Pestinha” levantar um dedo e abrir a boca para falar demais, Lei Yan logo o cortou:
— Não quero outras coisas, só o que você ia dizer, algo especial, incomum, que incomoda a Maggie.
— Ah, é — a “Pestinha” engoliu várias palavras que não tinham a ver e voltou ao ponto — Ouvi da Maggie que ela recebeu novamente peônias vermelhas de outono. No dia sete de cada mês, ela recebe essas flores, sem nome, só colocadas num vidro na porta da garagem de casa.
— Peônias vermelhas de outono? — Lei Yan farejou algo, examinou a pergunta da “Pestinha” e perguntou.
— Sim, a senhorita Maggie achou estranho, não porque não sabe quem manda — a “Pestinha” olhou ao redor e assentiu — Mas porque essa é a flor vermelha de outono que ela mais gosta, algo que poucos sabem.
— Hm, talvez tenha falado desse gosto numa entrevista de entretenimento — Lei Yan, um pouco sedento, pegou uma taça de champanhe do garçom e disse à “Pestinha” — Se não, aí sim tem problema.
— Queremos investigar todas as entrevistas com Maggie? — A “Pestinha” propôs a Lei Yan — Para ver em qual edição, em que momento, ela mencionou gostar das peônias vermelhas.
— Fala com o comissário — Lei Yan assentiu e disse à “Pestinha” — Pesquisa. Encontrar ou não, ambos têm valor.
— Por que tem que ser com o comissário? — A “Pestinha” não gostava dele; para ela, quem a subestimava não era confiável — Franziu a testa e fez um bico — Sem ele, a gente consegue investigar tudo direitinho, hum!
— Tá, tá, vou mandar Heil falar com ele. Sei que vocês não se dão muito bem — Lei Yan bateu a testa, fez um gesto para Heil, que estava circulando, para que viesse até ele, e disse à “Pestinha” — Seu trabalho protegendo Maggie não foi em vão, o mérito é seu.
— Obrigado, chefe — A “Pestinha” achava que Heil ia roubar seu mérito. Quando ouviu que o crédito era dela, ficou feliz e se ofereceu para mais tarefas — Pode me dar mais trabalho, que eu farei de novo.
— Que trabalho, chefe? — Heil pegou uma taça de champanhe com um garçom que passava e brindou com Lei Yan, sorrindo — Essa exposição está muito boa.
— Você entende de arte? — A “Pestinha” brincou com Heil.
— Isso não dá para explicar — Heil fez uma expressão enigmática para a “Pestinha” — É algo metafísico, só pode ser sentido, não explicado — Mudou o semblante para um sorriso e bateu no ombro da “Pestinha”, respondendo com a letra de uma música — Minha ternura, você nunca vai entender!
— Não sei se aprendeu isso com ele, que frio! — A “Pestinha” fingiu estar congelando e tremeu um pouco, olhando para Lei Yan.
Lei Yan repetiu a Heil o que tinha falado com a “Pestinha” e Heil assentiu, imediatamente indo falar com o comissário sobre o assunto.
— Grande detetive, vou lhe apresentar um amigo — Enquanto Lei Yan ia passar uma nova missão à “Pestinha”, o diretor da galeria, Rick, acenou para ele com uma mulher de meia-idade, gordinha, e caminhou sorrindo até ele.
— Você e o “Esqueleto” precisam dar uma passada na usina nuclear esta noite. Combinem como vão, a ideia é ser discreto, silencioso, sem tiros — Rick cumprimentou Lei Yan com um sorriso. Depois, sussurrou algumas palavras no ouvido da “Pestinha”, que assentiu e saiu para falar com o “Esqueleto”.
— Esta é a famosa lenda, o detetive Lei Sir, o detetive Lei — Rick bateu no ombro de Lei Yan com simpatia e apresentou a mulher de meia-idade — Esta é a senhora Archi, presidente da Companhia de Novas Energias do Grande Império Yan. Ela está muito interessada em conhecer você, essa figura lendária.
Lei Yan cumprimentou a senhora Archi com educação, apertando a mão dela com cortesia.