Noventa e seis, Tempestade na Prisão (III)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2634 palavras 2026-02-09 14:02:51

— Claro, meu irmão — disse o “Gás” ao entregar a coruja para Hélio, sorrindo enquanto se aproximava e, com postura de adulto, deu duas palmadas no ombro do homem indígena. — Daqui em diante, podemos andar juntos.

— Vocês cuidam da caça — Teresa olhou para o coelho gordo e sorriu — e nós trocamos doces com vocês, que tal?

— Isso é maravilhoso — exclamaram, radiantes, o casal indígena, em uníssono.

Ao ouvir a resposta tão pronta e entusiasmada dos belos indígenas, houve uma onda de comemoração entre o grupo de Lian, com alguns até chorando de felicidade.

— Meu nome é Lian. E você, como devo te chamar? — Lian apertou a mão do homem indígena, sorrindo.

— Ah, eu me chamo Tupac Amaru — o homem hesitou um pouco, então estendeu a mão com alegria para se apresentar. — Podem me chamar de chefe. — Amaru olhou para a mulher ao seu lado e apresentou-a a Lian. — Ela é minha esposa, Leslie Mammon Silk. Podem chamá-la de Leslie. — Leslie olhou o chefe, assentindo para Lian em concordância.

— Você já foi mesmo um chefe? Ou é só um apelido? — indagou Teresa, curiosa.

— De fato fui chefe antes, mas infelizmente... — Amaru balançou a cabeça e suspirou profundamente, explicando a Teresa. — Todos os meus companheiros morreram na grande calamidade. Agora, pode considerar “chefe” apenas um apelido.

— Eu sou Jim Collier, mas meu apelido é “Navalha” — decidiu o “Gás”, tomando a iniciativa para deixar claro ao recém-chegado o apelido que desejava, útil para sua reputação futura. Estendeu a mão ao chefe e se apresentou. — Sou um dos mais durões do grupo. Caçe bem e fique tranquilo: eu vou cuidar de você. — Ao apertar a mão do chefe, Eric e David, entre outros, riram e brincaram com seu novo apelido. O “Gás” desprezou a atitude deles, fez uma careta e explicou ao chefe curioso: — Esses caras não entendem nada, não sabem o que é ser honesto. Não ligue para eles, me chame de “Navalha”. — O chefe sorriu e assentiu, sem dizer mais nada.

— Ah, temos carne, temos mestre — disse o “Gás”, olhando para a coruja e o coelho, depois para Lian, e perguntou ao chefe: — Só falta uma bebida. Será que você consegue arranjar?

— Gás, não viaje — David achava a imaginação do “Gás” irreal e, naquele matagal, onde encontrariam bebida? Disse para Jim: — Já é sorte ter carne. Se quiser beber, ainda tem um pouco no meu cantil. — David deu uma palmada no cantil e falou.

— Gás? — ao ouvir esse apelido, o chefe riu, apontou para David e depois para Jim, com olhos cheios de perguntas, confirmando com Jim. A esposa do chefe também se interessou pelo apelido, aproximando-se para entender o motivo, enquanto Lian e os demais riam baixinho.

— Não lhe dê ouvidos, ele está gagá. Daqui em diante, me chame de “Navalha” — o “Gás” se irritou ao ouvir David usar o apelido que não gostava e apressou-se a explicar ao chefe.

— Ah, mas eu acho “Gás” um ótimo apelido, soa bem — respondeu o chefe, sorrindo para Jim. — Por que não usa esse nome? — Após ouvir isso, Lian e todos os outros não conseguiram se conter e riram alto. O “Gás” olhou furioso para o grupo, sem dizer nada, e eles riram ainda mais.

— Bem, quer bebida, não é? Eu sei onde encontrar — disse o chefe, dando uma palmada no ombro do “Gás”, sorrindo.

— Viu só? — o “Gás” ergueu o queixo para David, satisfeito, e perguntou ao chefe: — Onde fica? É algo deixado pelos seus?

— Não, eu sei de uma cabana próxima na floresta. Entrei e havia bastante bebida, só peguei uma garrafa pequena. — O chefe tirou uma garrafa da cintura e mostrou ao “Gás”.

O “Gás” pegou a garrafa, viu que era um uísque, abriu e tomou um gole, então virou-se surpreso para o grupo:

— É delicioso!

— Vocês vivem nessa cabana? — Eric perguntou ao chefe.

— Não, as portas e janelas são frágeis e há muitos zumbis por perto — respondeu o chefe, balançando a cabeça. — Ficar ali é perigoso, a qualquer momento poderíamos ficar cercados. Por isso, só ficamos um pouco e saímos.

— Chega de papo, vamos pegar as bebidas! — sugeriu o “Gás”, animado.

Em menos tempo do que leva para fumar um cigarro, Lian e os outros, guiados pelo chefe, chegaram à cabana na floresta, realmente não era longe.

— O dono da casa era provavelmente um alcoólatra — David se aproximou das vinte e três garrafas alinhadas na janela, pegou algumas e examinou os rótulos, comentando com o “Gás”: — Só pensa em quantidade, não em qualidade. Nenhuma delas é valiosa, mas todas têm alto teor alcoólico. Ele queria mesmo era se embriagar, não degustar.

— Bom defeito esse — o “Gás” nem olhou, pegava as garrafas maiores e enfiava na mochila, respondendo a David: — Os rótulos das garrafas de bebidas finas até mostram o gosto do dono, mas isso não nos ajuda em nada. — O “Gás” entregou duas garrafas para Eric e, enquanto respondia a David, continuava: — Baratas não importa, o álcool é forte. Se não bebermos, podemos usar para fazer bombas, bum! — O “Gás” entregou duas garrafas para Hélio, estendeu as mãos e fitou o cenário imaginado. — Zumbis em chamas correndo como tochas, iluminando a noite. Não seria divertido?

— Acho que você já bebeu demais sem precisar — Elizabeth pegou um uísque da janela, rindo do fingido fascínio do “Gás”. — Peguem logo as bebidas, vamos sair deste lugar horrível. Os zumbis são rápidos, se ficarmos, quem vai correr somos nós, não eles.

— Piada nada, falamos disso depois — David, enquanto colocava bebida na mochila, sacudiu uma garrafa e respondeu ao “Gás”, sorrindo.

Com as bebidas arrumadas, todos saíram rapidamente da cabana e se reuniram com Lian, Teresa e os outros. Felizmente, os zumbis não apareceram em grande número. Lian pediu a David uma garrafa de vodka das mais baratas, entrou na cabana, bateu no gargalo com uma arma, despejou o líquido no chão, sacou o isqueiro e ateou fogo, saindo logo depois.

— Tem um quê de ocultar rastros — o “Gás” ficou ao lado de Lian, observando as chamas dançar na cabana, brincando com humor sombrio. — Assim ninguém saberá quem pegou as bebidas, haha...

Ao entardecer, guiados pelo chefe, encontraram uma caverna na encosta da montanha, juntaram lenha e instalaram-se ali.

Todos estavam famintos; apenas o casal recém-chegado pensava em doces, o resto só queria carne. Logo, amontoaram lenha, montaram grelhas e espetos com galhos, depenaram a coruja, espetam-na num pau, parecendo um frango, e os coelhos descascados ainda pareciam coelhos.

Lian, o mestre do churrasco, organizou a vigia da entrada e começou a preparar os ingredientes. Primeiro cortou os pedaços mais grossos da carne com uma faca, depois salpicou sal e outros temperos, aguardando pacientemente por trinta minutos junto ao grupo antes de iniciar o assado.

Você consegue imaginar um grupo de pessoas rodeando carnes marinadas, babando, sem dizer uma palavra, observando por meia hora?

— Chefe, você é quem melhor conhece a região — Lian, rodeado por olhares famintos e bocas salivando, enquanto virava a coruja e os dois coelhos, salpicando temperos, perguntou ao chefe: — Há algum lugar nas redondezas adequado para moradia permanente?

— Esta caverna é ótima — o “Gás” fitava o coelho assado, aspirando o aroma apetitoso, abanando fumaça para o nariz e se adiantando ao chefe. — Ah, a vida dos primitivos não é nada ruim!...