Cem, Tempestade na Prisão (VII)
"O que chamamos de força é a arma," David retomou o comentário de Espírito Fedorento e explicou, "mas onde vamos conseguir mais armas? Hoje em dia, arma vale mais que comida."
"Na prisão deve haver muitas armas," sugeriu Anna, mãe de Teresa. "Hoje vi muitos zumbis usando uniformes de policial. Na parte da prisão que não fomos ainda deve haver mais policiais, então o problema das armas está resolvido, não?"
"O problema das armas talvez seja resolvido, mas o das munições não," David colocou o copo de bebida sobre a mesa e apontou na direção da prisão. "A não ser que tenham sido mordidos direto, esses policiais certamente atiraram nos zumbis até a última bala. Então é bem provável que encontremos muitas armas, mas sem munição."
"Vira tudo um monte de gravetos para acender fogueira," Eric recostou-se na mochila, tomou um gole e comentou.
"Eu sei onde tem munição," Teresa sorriu misteriosamente para todos, ao ouvir a conversa. "As munições não estão na prisão."
"Ah? Como você sabe disso? Você, você, você..." Espírito Fedorento ficou espantado, gaguejando e apontando para Teresa. "Não me diga que já esteve aqui antes?"
"Eu nunca vim aqui, mas as instalações das prisões americanas são quase todas iguais, com regulamentos bem definidos," Teresa respondeu com orgulho, tomando um gole de bebida. "Minha profissão vocês já conhecem," ela lançou um olhar para Lei Yan e prosseguiu, "nos Estados Unidos há pouco mais de quinhentos médicos legistas especializados, eu sou um deles. Então já sabem que sou bem profissional." Teresa ignorou Espírito Fedorento, que fazia caretas de descrença, e apontou para um pequeno posto de vigia fora da prisão. "Por causa da minha profissão, tenho muito contato com a polícia e sei que as armas e munições das prisões não ficam dentro delas, mas sim nesse posto de vigia. Eles são obrigados a guardar armas e munição separadas, provavelmente para evitar rebeliões. É o padrão das prisões americanas, então não precisam se preocupar com a falta de munição."
"Isso é maravilhoso," David bateu palmas e olhou para os demais, igualmente animados. Perguntou ao Chefe, "Chefe, você circulou por aqui um bom tempo, nunca percebeu esse posto de vigia?"
"É claro que percebi, você nem imagina quantas voltas dei ao redor da prisão," o Chefe respondeu, franzindo o rosto. "Mas achei que era uma torre de água ou algo pouco importante. O portão é bem trancado, até tentei abrir, mas não consegui," o Chefe olhou para o posto fora da prisão, balançando a cabeça. "Pensei que lá dentro não teria comida, então desisti. Aposto que as outras pessoas que passaram por aqui pensaram o mesmo."
"Ainda bem que vocês não sabiam," Eric brindou com o Chefe e tomou mais um gole. "Se não, íamos só assustar os outros com armas descarregadas. Um brinde à sua negligência!" O Chefe acompanhou e tomou um pouco.
"Parece que vejo um futuro radiante," Espírito Fedorento limpou a boca engordurada, estendeu a mão à frente e, olhando para o céu noturno elevado, exibiu um sorriso de esperança fingida. "Olhem só, está logo ali à frente!"
"Ha ha, desde quando você recita poesia?" Anna riu e comentou com Espírito Fedorento. "Com esse rosto cheio de manchas, quem diria? Você sabe muito!"
"Quantas vezes já te falei?" Espírito Fedorento ficou irritado, jogou o osso no chão, apontou para o rosto e reafirmou para Anna, "O que eu tenho são sardas, não manchas! Não são nada, só você acha que são manchas! Eu sou o personagem de alma, entendeu?"
Depois dessa explosão de Espírito Fedorento, todos caíram na risada...