Oitenta e cinco, Traje
— Ah, é exatamente esse tipo de mulher — disse Carlos, rindo antes de suspirar e lançar um olhar a Miguel, enquanto falava com Lei Yan — Não sei quem está atrás dela, mas por causa dela já houve até assassinato. Meus homens investigaram, vigiaram, mas não conseguem descobrir quem é o culpado — Carlos balançou a cabeça, sorrindo — E ela não quer sossegar. Pedi que se escondesse, que se afastasse um pouco, mas ela insiste em sair e provocar, é realmente uma dor de cabeça!
— Não tem nenhuma bomba envolvida, certo? — Lei Yan, ao perceber que era uma questão de paixões, pensou que não seria tão difícil de resolver, então brincou com Carlos — A vítima não foi explodida, foi?
— Haha, não, foi morta a facadas — Carlos percebeu a piada de Lei Yan, e Miguel ao lado também riu. Carlos prosseguiu — Nada a ver com bombas, tudo indica que foi um crime passional.
— Então está resolvido. Eu aceito esse caso, se eu desvendar, basta me oferecer um copo de vinho — disse Lei Yan, sorrindo e erguendo o copo para Carlos, Miguel também se juntou para brindar, e os três beberam juntos.
— O vinho é indispensável — Carlos deu um tapinha no ombro de Lei Yan, assentindo — E sua recompensa também não será esquecida, afinal você estará protegendo alguém muito importante para mim.
— Isso podemos tratar depois, vamos falar do nosso negócio — Miguel, claramente interessado em garantir alguma coisa para Lei Yan, apressou-se em falar sobre a recompensa pela resolução do caso da bomba — Você teve um grande mérito desta vez, salvou o enviado especial que eu trouxe. Diga, fora um cargo oficial, qualquer coisa pode pedir.
— Haha, então não vai dar, eu justamente queria um cargo — Lei Yan respondeu brincando com Miguel.
— Haha, se você não der, eu dou — Carlos entrou na brincadeira ao lado.
— Sem problemas — Miguel ergueu o copo para Lei Yan — Mas aí nossa relação de igualdade passa a ser de superior e subordinado!
— Então melhor não, prefiro pedir outra coisa — Lei Yan sorriu — A família de um dos meus companheiros tem uma doença mental, ora está lúcida, ora confusa. Será que poderia conseguir alguns remédios para tratar distúrbios mentais?
— Em tempos caóticos pegar esse tipo de doença... — Miguel balançou a cabeça, brincando — Melhor seria uma solução mais radical. Diga, você quer sedativos ou balas?
— Majestade, não é brincadeira, preciso mesmo desse tipo de medicamento — Lei Yan falou sério — Esse familiar é muito importante para nós, precisamos que ele recupere a lucidez, ou pelo menos fique lúcido por mais tempo.
— Entendo. Espere um momento — Miguel chamou seu assistente pessoal, explicou o pedido de Lei Yan, o assistente lançou um olhar a Lei Yan, assentiu e saiu para buscar o remédio.
Pouco depois, o assistente retornou e entregou uma grande caixa de medicamentos nas mãos de Lei Yan. Ao ver o que tinha recebido, Lei Yan ficou surpreso, pensava que seria algum nome estranho de remédio americano, mas o que viu foram letras do Reino da Porcelana, escrito “Zuo Gui Wan”. Sim, o assistente trouxe um medicamento tradicional.
— Isso... — Lei Yan, meio atônito, apontou para a caixa de remédios e perguntou ao assistente, enquanto os outros assistiam curiosos.
— O farmacêutico é do Reino da Porcelana, foi ele quem recomendou, disse que esse é o mais eficaz, o mais seguro — o assistente percebeu a hesitação de Lei Yan e apressou-se a explicar — O médico pediu que eu lhe transmitisse: “Os rins comandam a vontade, vontade é memória. Os rins produzem medula, que alimenta o cérebro. Por isso, para tratar amnésia ou perda de memória, deve-se começar por fortalecer os rins, e tomar Zuo Gui Wan.”
— Bem, medicina tradicional é realmente profunda — Lei Yan ouviu o recado do assistente e ficou sem palavras. Entregou a caixa de remédio ao “Esqueleto”, assentiu para o assistente, que se afastou.
— Você parece não ter ficado satisfeito — Miguel deu um tapinha no ombro de Lei Yan.
— Não, não, é que eu não entendo muito de remédios, pensava que para tratar doenças mentais era melhor usar remédios ocidentais, mas ouvindo o que seu assistente disse — Lei Yan sorriu, constrangido — Mudei de opinião. Não temos diagnóstico preciso, então é melhor usar um remédio seguro como esse tradicional. O médico é um profissional, pensou em tudo de forma mais abrangente do que eu.
Meia hora depois, ao ver Carlos bebendo com outros oficiais, Miguel puxou Lei Yan para o lado, olhou para a jaqueta de couro de Lei Yan e perguntou em voz baixa:
— Você vai mesmo vestir isso para ir ao Reino de Yan?
— Ah, é minha melhor roupa — Lei Yan olhou para si mesmo, respondendo em voz baixa — Tem algo errado?
— Não pode ser, um amigo do Rei do Reino de Qin vestido de forma tão casual — Miguel franziu o cenho — Quando chegar ao Reino de Yan, vão rir de você, e consequentemente menosprezar o Reino de Qin.
— E o que faço então? — Lei Yan sorriu, resignado.
— Faça assim, eu tenho um vestiário próprio — Miguel indicou a Lei Yan — Lá há milhares de conjuntos de roupas, de todos os estilos, tudo coletado pelos assistentes nas melhores lojas. Eu mesmo não uso tudo, vá lá, escolha um conjunto, leve mais alguns, será meu presente para você.
— Mas eu não sou bom em escolher roupas — Lei Yan tentou se esquivar, sorrindo constrangido.
— Não tem problema, leve sua equipe juntos — Miguel sugeriu generosamente — Eles podem ajudar a escolher, e também podem pegar um conjunto, há roupas de sobra, muitos vestidos femininos, tudo novo.
O vestiário do rei foi adaptado de uma loja de três andares, com área interna de três mil metros quadrados, abrigando quase dez mil peças de roupas de vários estilos, milhares de pares de sapatos, centenas de gravatas, centenas de relógios, além de muitos acessórios relacionados ao vestuário, tudo novo. Quando o administrador acendeu as luzes, Lei Yan e seus companheiros ficaram boquiabertos diante da cena.
— Meu Deus, com essa ostentação, mesmo antes da catástrofe era difícil ver algo assim — “Pestinha” ergueu a gola de um terno de luxo, apontando para os outros — Aposto que é um dos melhores do planeta. Agora entendo porque todos querem ser imperador — “Pestinha” balançou a cabeça, suspirando — Tudo pode ser em abundância.
— Se você tivesse a chance de ser imperador, seria um grande gordo — Teresa olhou ao redor, enquanto falava com “Pestinha”.
— Por quê? — “Pestinha” perguntou, sem entender.
— Haha, carne à vontade — Teresa riu — Como não engordar? Todos riram juntos.
— Impossível, agora falta comida — “Pestinha” fantasiou, pegou um chapéu preto e colocou na cabeça, empinou o peito e a barriga, assumindo a postura de imperador, imaginando — Quando chegar esse tempo, vou controlar. Frutos do mar, lagostas, moluscos, vou comer até enjoar, nem preciso falar dos outros. Então meu controle será perfeito — “Pestinha” fez um cumprimento social à moda ocidental, orgulhoso — Nessa época serei magro, se fizer exercícios, ficarei forte como Miguel e Lei Yan — “Pestinha” ergueu ainda mais o queixo — Caminharei com imponência, vestirei qualquer coisa com estilo, todos me admirarão.
Vendo “Pestinha” brincando, todos se divertiram.
— Nós já te admiramos agora — “Esqueleto” sorriu raramente, falando com “Pestinha” — Mas antes de você se tornar imperador, pode ajudar o chefe a escolher a roupa?
— Isso é fundamental — “Pestinha” jogou o chapéu para o Chefe, dizendo aos outros — Vou dar uma volta, escolher o melhor traje para o chefe, de acordo com meu conceito. Vocês podem escolher à vontade, já volto — e saiu rapidinho, sumindo de vista.
— Acho que nem precisamos escolher — Lei Yan foi até um lugar, pegou um terno preto e falou com Teresa e os outros — Acho que esse está ótimo. Basta pegar uma roupa e mostrar ao Miguel, afinal todas aqui são novas, parecem boas, não precisa perder tempo. Já vocês, escolham o que quiserem, e peguem também para quem não veio — Lei Yan ergueu a mão vazia, sorrindo — Que todos desfrutem da riqueza!