Oitenta e três, Perseguindo o Assassino da Bomba (Quatro)
— É uma apresentação? — perguntou Raio com um sorriso enigmático, brincando com Remi.
— Sim, tem algo disso — respondeu Remi, abrindo bem os olhos de macaco e assentindo. — É um espetáculo peculiar, vocês não conseguem enxergar — Remi fechou os olhos, estendeu as mãos à frente como se tocasse algo maravilhoso, completamente imerso na imaginação. Descrevia com deleite: — É fascinante, para mim as explosões são como fogos de artifício no céu noturno para vocês, pura arte. — Remi abriu os olhos e encarou Raio. — Principalmente quando essa arte é criada por você, é uma sensação irresistível.
— Mais preciso que uma apresentação, eu diria que é uma libertação pessoal — Raio transferiu o peso do corpo de um pé ao outro.
— De fato, conversar com alguém que entende é mesmo um prazer — Remi ergueu a sobrancelha direita e apontou para Raio. — Ele te compreende!
— Examinei seu arquivo de crimes antes do desastre, na sua última ação você já havia se rendido — Raio não reagiu ao elogio, só inclinou a cabeça. — Mas quando foi levado para fora da delegacia, acionou um explosivo por controle remoto, matou cinco agentes e dois reféns — Raio viu Remi concordar com a cabeça e prosseguiu. — Seu imitador claramente copiou tudo isso, só que se matou na explosão, o que prova que não era um especialista, pois um verdadeiro jamais se mataria.
— Muito engenhoso — Remi sorriu de um lado só.
— O que é engenhoso? — Raio sorriu também, perguntando.
— Sua fala é engenhosa, evita me irritar — Remi riu estranho. — Você precisa de mim, então não quer me provocar. Está insinuando que todos os especialistas são covardes, incapazes de enfrentar a morte, por isso não se matam, não é?
Raio continuou a encarar Remi, mantendo o sorriso misterioso e evitando responder diretamente.
— Não precisa, é apenas um equívoco — Remi inclinou a cabeça, sorrindo. — Li livros sobre isso, e eles não entendem nada dos especialistas.
— E como você explicaria? — Raio perguntou, fixando o olhar em Remi.
— Alguns são desajeitados, permita-me vangloriar, fabricar explosivos requer alta inteligência, sem talento não dá — Remi apontou. — Os mais desajeitados acabam mortos ao preparar explosivos, por isso dizem que o morto na explosão é sempre o suspeito, correto?
— Os livros dizem isso — respondeu Raio, sem expressão, surpreso por Remi realmente ler sobre o tema. Pensou em agir de modo imprevisível, para não deixar que Remi adivinhasse seus pensamentos.
— Eles falharam. Se não falhassem, seriam como eu, nunca se matariam — Remi separou as mãos, explicando. — Por que especialistas nunca usam-se como bombas humanas ou ficam longe das explosões? Covardia?
Remi encarou Raio por dois segundos.
— Não. É para continuar cumprindo uma missão política, realizar algo significativo, ou ganhar mais dinheiro?
Remi pausou mais dois segundos e prosseguiu.
— Nada disso, é só aparência. Mas para policiais ou agentes que nos veem como criminosos imundos, você conversaria de verdade? Revelaria seus pensamentos autênticos? Não, eles não acreditariam. Então basta discutir aparências, é o que querem saber — Remi fez um gesto com os dedos, sorrindo. — E realmente só entendem isso, e — Remi arregalou os olhos e abriu a boca, fingindo surpresa — ainda concluem que especialistas são covardes por nunca estarem no local, esse absurdo.
— Exceto por acidente, de fato especialistas não ficam no local — apontou Raio. — Não pode dizer que é por coragem, ou que vocês chamam isso de inteligência.
— Não, não, não é questão de coragem ou covardia. Tem relação com inteligência, pois se você morre ou mata-se junto, não pode chamar isso de inteligência, certo? — Remi abriu os braços, parecendo um grande macaco falando. — Viver exige mais coragem do que morrer, não é? Assim vocês dizem.
— Não é covardia, nem coragem. Então, com o que está relacionado? — Raio olhou o relógio e perguntou.
— Como você disse, apresentação — Remi sorriu. — Mas você entende a apresentação superficialmente, como encenação, algo para espectadores. — Remi fez um gesto de desprezo. — Mas minha apresentação é principalmente para mim. Sou criador e espectador. Antes de acontecer, só eu sei, só eu não me surpreendo, só eu aprecio plenamente — Remi foi se exaltando, cada vez mais absorto. — Belo demais, pura arte!
Remi fechou os olhos, saboreando a beleza imaginada, murmurando:
— Se morrer, não vê; se morrer, perde o espetáculo — Remi abriu os olhos e apontou para Raio. — Por isso, o especialista nunca se mata, o desejo de assistir é irresistível!
— Obrigado pela conversa, vou guardar suas palavras e, se puder, incluirei nos livros técnicos — Raio recostou-se na parede, encarando o rosto de macaco de Remi. — É isso, não quer ser mal interpretado como outros especialistas, certo?
— Exato — Remi assentiu, olhando Raio de modo estranho. — Por isso te chamei aqui.
— Veja, é assim: você vive para apreciar, e eu, ao sobreviver, posso transmitir seus pensamentos e experiências reais. Não vai me deixar morrer na explosão, certo? — Raio perguntou.
— Com essa qualidade de construção, essa espessura de parede — Remi e Raio trocaram olhares de desprezo — se você ficar longe, não morre, mesmo que exploda do outro lado.
— Mas se não desativar o explosivo no outro extremo do corredor, nas pessoas importantes, estou acabado — Raio abriu os braços. — Precisa me ajudar, senão tudo que disse será em vão. É sério, se algo der errado, eles não vão me poupar.
— Vocês realmente vão me libertar? — Remi encarou Raio de lado.
— Claro, ordem direta de Sua Majestade, o Rei — Raio bateu no peito, garantindo. — Se ajudar a desativar o explosivo nas pessoas importantes, será enviado ao Reino de Zhao, receberá comida e equipamentos para fabricar explosivos, desde que não retorne, o Reino de Qin jamais te perseguirá.
— Por que devo confiar em você? — Remi arregalou os olhos de macaco.
— Dois motivos para confiar — Raio mostrou dois dedos, explicando. — Primeiro, você não coopera com o governo, só prejudica os seus. Segundo, Zhao é inimigo de Qin. Somando — Raio fechou o punho —, para o governo de Qin, te mandar para o inimigo é só vantagem, mantê-lo aqui não faz sentido. Pretende cooperar com o governo?
— Talvez eu pense nisso — Remi respondeu sem expressão.
— Você é perigoso demais, nem vale a pena cogitar — Raio revelou. — O Reino de Qin já sabe que você não vai cooperar, se fosse, não teria esperado até agora.
Remi fixou o olhar em Raio e permaneceu em silêncio...