116, O Caçador (Doze)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2683 palavras 2026-04-01 07:06:21

Onze da noite. Na suíte de luxo de Lei Yan, no hotel onde a equipe estava hospedada, os membros principais reuniram-se para discutir a estratégia.

— Será que não vamos despertar a suspeita dos seguranças do Reino de Dayan? — perguntou Eric, com a cabeça coberta por uma fronha, enquanto observava o grupo sentado em círculo jogando cartas. Ele não jogava; parecia exausto.

— Um par de três — disse Sherlock, o homem negro e corpulento, lançando as cartas na mesa com desdém para Eric. — Nem começamos o trabalho e você já está tremendo.

— Somos convidados do rei, hóspedes de honra. Ninguém vai desconfiar de nós — comentou David, analisando suas cartas antes de descartar um par de cinco.

— Não pense demais. Somos detetives — disse Teresa, sorrindo para Eric e depois para as cartas na mão de "Pimp", acrescentando: — As pessoas apenas acharão que estamos reunidos para uma análise de caso.

— Nem pensar. Se eles suspeitarem que estamos fazendo outra coisa... — Pimp examinou suas cartas, fez um gesto indicando que não tinha as peças necessárias e completou rindo: — Eles jamais imaginariam que estamos de olho na eletricidade deles, hehe!

— Um par de seis, eu cubro — disse Hale, lançando as cartas sobre o par de cinco, os olhos fixos no jogo, sem dizer mais nada.

— Ah, passar a noite olhando para pinturas cansa mais do que resolver crimes — suspirou Lei Yan, que também não jogava, massageando o pescoço com uma expressão preocupada. — "Esqueleto", você e Pimp estudaram o mapa? Como chegaremos à usina nuclear? Conseguiremos conectar a Caixa Preciosa à rede elétrica?

— Pois é, pois é. Não vamos acabar fazendo besteira e explodir a caixa — interveio Chefe, jogando um par de noves. — Seria um espetáculo digno de lendas, um fogo de artifício e tanto!

— Não precisam se preocupar com isso — respondeu Esqueleto, avaliando as cartas de Chefe e dirigindo-se ao grupo. — Passei estes dias atualizando o transformador para suportar uma entrada de alta voltagem e corrente intensa. — Ele também não jogava, voltando-se para responder a Lei Yan: — Nossa operação será sigilosa, por isso deve ser feita após a meia-noite. — Ele olhou para o relógio. — Sairemos pelas janelas. O horário exato ainda vamos definir, mas terá de ser no momento em que os seguranças estiverem mais relaxados.

— Você não está falando de hoje à noite, está? — perguntou Meiweng, irmã de Esqueleto, com um tom de preocupação ao descartar suas cartas.

— Claro que não — negou Esqueleto, continuando: — Cada etapa deve ser cuidadosamente planejada, sem margem para erros.

— Por que não podemos sair pela porta principal? Por que temos que escalar? — insistiu Eric, confuso. — Por acaso é divertido?

— Não é uma questão de diversão, é que há câmeras no corredor — explicou Pimp, descartando cartas em nome de Esqueleto. — Se precisarmos explicar algo depois, como justificaremos um grupo saindo vestido com trajes de infiltração? Destruir as gravações também não seria o correto.

— Não se preocupe, é fácil — disse o soldado Barack, olhando para Hale e lançando suas cartas. — Treinávamos isso o tempo todo. Alguns saltos e estaremos lá embaixo. Não é nada difícil, encare como um exercício.

— Mesmo que fosse difícil, teríamos que fazer — suspirou Sherlock, olhando para o jogo. — Afinal, o segredo da nossa Caixa Preciosa não pode ser revelado.

— E quando sairmos do hotel, como chegaremos à usina? — perguntou Teresa.

— Precisamos observar o tráfego da cidade no horário escolhido, verificar se há monitoramento de trânsito e, só então, decidiremos qual meio de transporte usar — respondeu Esqueleto.

— Precisaremos de transporte, sim — disse Pimp, entregando um mapa a Lei Yan enquanto jogava. — Eu e Esqueleto já marcamos no mapa as rotas da usina. Há três caminhos, e o mais curto tem quarenta e cinco quilômetros. Sem transporte, é impossível. O problema é qual veículo usar e como garantir o retorno. — Ele ergueu dois dedos. — Isso significa o dobro de tempo. Não podemos sair muito tarde, ou o dia amanhecerá antes de voltarmos, o que seria um problema.

— O transporte não pode ser lento — analisou Lei Yan, franzindo a testa ao olhar o mapa. — Se for lento, perderemos tempo demais, e precisamos reservar o período para o carregamento da caixa. — Ele ergueu os olhos para Esqueleto: — Quanto tempo a caixa precisa para carregar?

— Quanto mais, melhor — respondeu Esqueleto, pensativo. — O ideal seria meia hora. Jim e eu calculamos que esse é o limite. Mais do que isso, corremos o risco de não conseguir voltar a tempo, e o plano falharia.

— E carregando por meia hora, por quanto tempo a caixa funcionará? — perguntou David, fazendo a pergunta que todos queriam saber.

— Sendo conservador, de sete a oito horas, sem dúvida alguma — assegurou Esqueleto.

— Uau, então poderemos reconstruir qualquer coisa? — perguntou o grupo, excitado.

— Temos que economizar — advertiu Teresa. — Ainda precisaremos muito da caixa no futuro.

— É verdade, encontrar outra usina nuclear para recarregá-la não será tarefa fácil — concordou Chefe, rindo.

— Jogar com você não é fácil, apresse-se! — apressou Pimp, que estava prestes a vencer, olhando para o eufórico Chefe. — Claro que não vamos desperdiçar. O ideal é não usar mais que vinte e cinco minutos por vez.

— Uau, então poderemos usá-la mais de trinta vezes! — exclamou Chefe, empolgado.

— Se ajustarmos os parâmetros com precisão, podemos passar de cem usos — especulou Esqueleto, mais otimista. — Por isso, esta missão noturna deve ser um sucesso; é vital para nossas investigações futuras.

— Concordo — disse Lei Yan, acenando para Esqueleto. — Mas por que vocês marcaram três rotas, se existe uma mais curta?

— A rota mais curta parece ter marcações de acampamentos militares — explicou Esqueleto, apontando o mapa. — Veja, esses círculos pequenos. Embora não especifiquem a função, Jim e eu deduzimos que provavelmente são quartéis.

— Exato, não haveria tantos se não fossem. Ah, ganhei! — Pimp descartou quatro cartas de dois e um par de nove, encerrando o jogo. Ele ergueu as mãos, triunfante, e continuou: — Pensamos que pudessem ser fábricas ou fazendas, mas não parece ser o caso. Esses círculos não são aleatórios; são muito claros e organizados. A única possibilidade é que sejam quartéis.

Lei Yan assentiu.

— Se for um quartel, haverá postos de controle pelo caminho — continuou Esqueleto. — Por mais que o governo militar seja tolerante, eles não facilitariam o acesso.

— Se formos descobertos, seremos executados como espiões inimigos — comentou Pimp, apressando Chefe para embaralhar as cartas.

— Por isso escolhemos outras duas rotas — disse Esqueleto, indicando o mapa. — São mais longas. Uma tem oitenta e sete quilômetros e a outra, cento e dois.

— Teremos tempo de voltar? — perguntou Lei Yan, suspirando.

— Nem falo da de cento e dois quilômetros. Mesmo na de oitenta e sete, saindo à uma da manhã e reservando meia hora para a carga, voltando na velocidade máxima, chegaríamos depois das nove da manhã — concluiu Esqueleto, balançando a cabeça. — Esse é o nosso maior dilema no momento.