Noventa e Oito, Tempestade na Prisão (V)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2472 palavras 2026-02-09 14:02:56

— Por que não ficamos simplesmente na praça? — Erik realmente não queria enfrentar os mortos-vivos dentro do prédio da prisão, e, percebendo que Lei Yan parecia ter a intenção de tomar todo o presídio, franziu a testa e sugeriu outra ideia. — Os zumbis na praça são fáceis de ver, mas não fazemos ideia de como está a entrada principal do prédio ou o interior. E se mexermos num vespeiro e nem a praça conseguirmos segurar?

— E se chover enquanto estivermos na praça? — David abriu os braços e perguntou a Erik.

— Isso é fácil de resolver, estamos cercados de árvores — respondeu Erik, olhando para a floresta atrás deles. — Podemos usar galhos para montar um abrigo improvisado. — Ele então apontou para as duas torres de vigia altas. — E também podemos morar nas torres, não podemos?

— Hmpf, não sonhe — disse Elizabeth, a soldada, para Erik. — Eu já estive numa torre de vigia dessas. Não dá pra morar ali. Dá pra se proteger da chuva em pé, mas só se não chover muito tempo, senão ninguém aguenta.

— Eu, de qualquer maneira, vou entrar na prisão — declarou Puminha, cruzando os braços para Erik. — Se você quiser morar na praça para sempre, e não tiver medo de o vento levar seu barraco, fique à vontade. Ninguém vai te impedir. Mas eu vou arriscar.

— O principal é evitar ataques externos. Enfim, parem de discutir — disse Lei Yan, abrindo os braços para apaziguar. — Vamos primeiro pensar em como ocupar a praça. Depois decidimos o resto.

— Ah — o Chefe, que até então não tinha conseguido falar, hesitou, parecendo querer dizer algo, mas sem coragem. Só depois que Lei Yan terminou de conversar com os outros, percebeu e perguntou o que ele queria dizer. Meio constrangido, o Chefe respondeu: — Tudo aquilo que vocês mencionaram, eu já tenho.

— Sério que existe uma sorte dessas? — Erik arregalou os olhos, duvidando. — Como é que você tem isso? Você vendia ferramentas ou sabe onde fica uma loja de ferragens?

Todos ficaram animados ao saber que o Chefe tinha as ferramentas necessárias, pois não precisariam mais procurar.

— Não é isso — o Chefe deu uma risada e explicou: — Eu disse que aqui era um bom lugar porque observei a região por muito tempo. — Ele apontou para a prisão. — Na verdade, queria muito morar lá dentro, então pensei em várias possibilidades e preparei um monte de ferramentas. Mas no fim percebi que não tinha força suficiente, e ela também me convenceu a desistir — disse, olhando para sua esposa, Leslie. — Mas as ferramentas estão todas guardadas, levei muito tempo para juntar tudo. Nunca imaginei que hoje serviriam.

— Isso é que é uma ajuda! — exclamou Lei Yan, dando um tapa na mão de Puminha. Então, fazendo um gesto para a prisão, disse: — Peguem as ferramentas, vamos nos preparar para entrar na prisão!

Duas horas depois, Lei Yan e os demais, munidos das ferramentas e armas necessárias, chegaram ao lado do corredor, escolhendo o ponto com menos mortos-vivos. Com a ajuda de Erik, Hale usou o alicate para abrir um vão vertical de cerca de um metro e meio na grade de arame. Primeiro passaram as mulheres, depois os idosos e crianças, e então os homens. Lei Yan observava atentamente tudo ao redor enquanto todos passavam um a um pelo buraco, entrando no corredor cercado pela grade. Quando Lei Yan foi o último a entrar, o Chefe puxou um fio de arame grosso, prendeu a parte de cima e começou a fechar e amarrar o buraco.

O processo de fechar o buraco na grade foi tenso. Alguns zumbis, atraídos pelo movimento, já se aproximavam. Quando faltavam poucos arremates, um morto-vivo se lançou sobre o Chefe, fazendo a grade afundar para dentro e quase arrebentando o que ele acabara de prender. A força do ataque era assustadora.

Lei Yan correu e atirou na testa do zumbi, que caiu para trás, livrando o Chefe do perigo. Elizabeth logo ajudou e, junto com o Chefe, conseguiram terminar de prender a grade antes que outros mortos-vivos atacassem.

O corredor cercado de arame tinha cerca de cinco metros de largura e cinquenta de comprimento. Sob a liderança de Lei Yan, o grupo correu até a extremidade que dava para a praça. Do lado de fora, os zumbis, excitados com o cheiro de carne viva, vieram de todas as direções, urrando contra a grade, tentando encontrar uma entrada para devorar os vivos. Mas não havia brechas e a cerca era resistente; só podiam olhar, incapazes de alcançar a presa tão próxima.

Chegando ao local onde só uma porta os separava da praça da prisão, Lei Yan avaliou a situação e a distribuição dos mortos-vivos, e então distribuiu as tarefas:

— Eu vou trancar a porta. Hale, Elizabeth e Barack, vocês são bons atiradores. Vão para a torre de vigia da esquerda e deem cobertura aos que vierem depois.

Os três assentiram.

— Jim e Teresa — disse Lei Yan, apontando para a torre da direita —, depois que eles subirem, nós daremos cobertura. Quando eles tiverem sucesso, vocês aproveitam que os mortos-vivos estarão vindo para cá e ocupam aquela torre. Assim que eu trancar a porta, me junto a vocês lá.

— E nós, o que fazemos? — Erik perguntou, olhando para David.

— Teresa, vigie a porta. Vocês três fiquem esperando ali. Quando eu mandar correr, corram — instruiu Lei Yan aos quatro, e logo depois acenou para os demais, correndo para o outro lado do corredor. Parou a uns dez metros do portão, bateu na grade e começou a gritar, chamando a atenção dos mortos-vivos da praça. Erik e os outros imitaram, batendo na grade, brandindo armas e gritando para atrair os zumbis.

Os mortos-vivos da praça vieram ao chamado, todos se acumulando na grade onde estavam Lei Yan e os outros. Os mais próximos se jogaram sobre a cerca, Lei Yan matou um com a faca e os outros seguiram seu exemplo.

Quando viram que quase todos os mortos-vivos da praça estavam atraídos, Lei Yan fez sinal para Teresa, que assentiu, abriu rapidamente o portão de ferro e deixou Hale, Elizabeth e Barack saírem. Em seguida, fechou o portão.

A torre da esquerda ficava perto do portão, e os poucos mortos-vivos no caminho foram facilmente eliminados pelo trio, que subiu sem dificuldade. No topo, Hale acenou para Lei Yan, indicando que o plano dera certo.

Lei Yan chamou Puminha e Erik e foi até Teresa.

— Agora vou liberar vocês. Sejam rápidos, mas não se preocupem, Hale e os outros vão dar cobertura. Entendido?

— Entendido! — responderam Puminha e Teresa ao mesmo tempo.

Lei Yan não perdeu tempo, abriu o portão e deixou os dois passarem, fechando de novo rapidamente. Deu algumas instruções a Erik, que prometeu cumprir direitinho.

Do lado de fora, Puminha e Teresa se moveram com agilidade, desviando dos mortos-vivos dispersos e, só quando não havia como evitar, matavam algum. Os mortos-vivos que os perseguiam eram abatidos por Hale e os outros da torre. Logo, Puminha e Teresa chegaram à base da torre da direita. Teresa abriu o portão de ferro, e, de repente, um zumbi de uniforme policial saltou da escuridão, assustando-a. Puminha se lançou à frente, derrubando o morto-vivo antes que reagisse, e cravou a lâmina em sua cabeça.

Os dois entraram na torre, fecharam a porta e subiram ao topo. Puminha assobiou para Lei Yan, sinalizando que tudo também correra bem do lado deles.