Setenta e cinco, um bocado para comer.

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2620 palavras 2026-02-09 14:02:36

— Eu sabia que você ia perguntar, então espere aí — disse Espírito do Pum, balançando a cabeça e caminhando rápido até o canto da sala. Ele levantou um pedaço de lona e puxou um saco preto, colocando-o diante de Lei Yan. — Ainda tem mais de dez sacos, cada cozinha tem um desses, mas não dá pra comer. Tentei cozinhar um pouco, mas ficou só uma massa grudenta, impossível de engolir. Melhor você pensar em outra solução!

Lei Yan ignorou Espírito do Pum, empolgado ao erguer o pacote diante do grupo, chamando todos para ver.

— É um saco de farinha, meu Deus! — W se lançou sobre o pacote, pegando a farinha nas mãos e examinando incrédulo.

Eric e David também ficaram radiantes, correram até o saco preto, abriram e imediatamente começaram a comemorar. Cada um pegou um pacote de farinha, saltando e pulando como se fossem loucos.

— Tudo bem, eu sei que é comida — resmungou Espírito do Pum, jogando um balde de água fria. — Dá pra fazer pão, mas o forno daqui não funciona, a energia já foi cortada há muito tempo. Não tem como usar o forno, e essa farinha crua não é comestível. — Ele apontou para Lei Yan e os outros. — Vocês estão felizes cedo demais.

— Deixa eu ver o que mais tem aqui... Olhem só isso! — Lei Yan pegou uma garrafa de azeite de oliva e mostrou ao grupo, provocando outra onda de comemoração.

— Isso aí até dá pra beber um pouco, mas se exagerar dá dor de barriga — comentou Espírito do Pum, olhando para Lei Yan e os outros como se fossem loucos, explicando com boa vontade. — Nem o mais valente aguenta três diarréias seguidas. Se não tiverem medo de pernas fracas, tenho mais cinco ou seis garrafas debaixo da cama. Podem beber à vontade! — O grupo celebrou ainda mais ao ouvir isso.

Espírito do Pum nunca tinha visto gente enlouquecer de fome desse jeito. Olhando para Lei Yan e os outros, felizes, ele balançou a cabeça com compaixão.

— Tem sal, molho de pimenta, folhas de manjericão, vários temperos — Lei Yan continuou explorando a caixa, e cada vez que tirava algo, o grupo explodia em alegria. Por fim, ele ergueu um pote de pepino em conserva, mostrando com surpresa. — Olhem o que é isso! — O pepino em conserva provocou uma explosão de comemoração ainda maior.

— Tá bom, não tem lobos aqui — reclamou Espírito do Pum, cansado das comemorações, lembrando-os. — Só não atraiam zumbis com esse barulho. Quero mesmo ver como vocês vão transformar esses ingredientes em comida.

— Como você fez aquela massa de farinha? — Lei Yan, segurando o pepino em conserva, perguntou a Espírito do Pum. — Quero saber que equipamento você usou para aquecer.

— Ah, foi com um fogareiro antigo, daqueles à prova de vento. Tenho uns sete ou oito cilindros de gás, estava guardando pra fazer armas, mas nunca usei — explicou Espírito do Pum, indo até a parede, afastando alguns objetos e pegando um fogareiro para entregar a Eric. Também achou três ou quatro cilindros de gás e os passou para Lei Yan. — Já aviso, se vocês fizerem aquela massa, vão ter que comer sozinhos. Nem com tempero dá pra engolir, a última vez que fiz joguei tudo pra alimentar as formigas. — O comentário arrancou risadas do grupo.

— Fique tranquilo, dá pra fazer várias coisas, nunca vamos preparar aquela massa grudenta — garantiu Lei Yan, arqueando as sobrancelhas e abrindo as mãos para Espírito do Pum. — Você tem panelas, né?

— Claro que tenho — respondeu Espírito do Pum, entregando os cilindros para David, e remexendo na pilha de objetos até encontrar uma panela de fundo arredondado e uma frigideira, uma em cada mão, balançando-as perto da cabeça. — Guardei pra usar como armas, mas nunca precisei. — Também brincou, segurando as panelas diante do rosto como se fossem máscaras.

— A água está ali — disse Lei Yan, olhando para a torneira, esfregando as mãos e sorrindo para o grupo. — Só falta uma tábua, limpa e lisa.

— Tábua eu tenho — respondeu Espírito do Pum, pegando uma tábua de meio metro de comprimento ao lado da parede. — É pra usar como lenha. Se quiser uma tábua de cortar, posso buscar na cozinha, mas não tem nada pra cortar, então pra que querem uma tábua?

— Essa serve — disse Lei Yan, pegando a tábua, indo até a torneira, abrindo a água e lavando-a enquanto falava com Espírito do Pum. — Não precisa perguntar, só espere pra comer.

— Não preciso ajudar? — perguntou Espírito do Pum.

— Não, não precisa — respondeu Lei Yan com total certeza.

— Então vou ficar de olho — disse Espírito do Pum, apontando para a cama. — Estou exausto, vou descansar um pouco. Quando estiver pronto me chamem. — E foi se deitar, dizendo: — Usem o que quiserem, contanto que consigam fazer algo comestível.

Lei Yan, Eric e David pegaram alguns tijolos e apoiaram a tábua para improvisar um fogão. W preparou uma grande massa na frigideira. Lei Yan polvilhou farinha na tábua, retirou a massa de W da panela, começou a sovar e pediu para W continuar preparando mais massa, enquanto Eric colocava água para ferver na panela arredondada.

Com a massa pronta, Lei Yan encontrou um taco de beisebol na pilha de objetos. Usando a faca militar, cortou uma ponta, lavou o taco sob a torneira e secou com a roupa. Dividiu a massa em seis bolinhas e, usando o taco modificado, abriu cada bolinha em discos, cortando depois em tiras com a faca militar. Apesar do trabalho, conseguiu fazer seis porções de macarrão.

Com a água fervendo, Lei Yan, com a ajuda de David, começou a cozinhar o macarrão e pediu para Eric buscar recipientes para servir.

Enquanto o primeiro macarrão cozinhava, W terminou mais massa. Lei Yan começou a preparar a nova massa, adicionando fermento, sovando e pedindo para W lavar a frigideira e encher de água fria, para depois colocar o macarrão quente. W correu para lavar a frigideira.

Após sovar a massa com fermento, Lei Yan cobriu com a camisa recém-seca para deixar descansar. O macarrão estava pronto, então ele retirou as tiras, colocou em água fria preparada por W, lavou a panela e começou a preparar o molho.

Lei Yan cortou os pepinos em conserva em pedaços pequenos, aqueceu o azeite e colocou os pedaços na panela, usando uma espátula improvisada de madeira para mexer. Depois adicionou metade do molho de pimenta, preenchendo o ambiente com um aroma delicioso. Todos se reuniram ao redor da panela, salivando diante do molho misturado.

O molho borbulhava, lindo de ver. Quando o aroma ficou ainda mais intenso, Lei Yan acrescentou água, e para agradar ao gosto americano, adicionou manjericão. Vinte segundos depois, o cheiro estava ainda mais irresistível.

Espírito do Pum fingia dormir na cama, tanto para evitar trabalho quanto para observar se Lei Yan e os outros fugiriam com tudo. Mas, sentindo o aroma delicioso, não resistiu, levantou num salto e correu para assistir, temendo que não o chamassem para comer.

Lei Yan olhou para Espírito do Pum, sem dizer nada, mexeu o molho mais uma vez, reduziu a água e apagou o fogo.

— Já podemos comer? — Espírito do Pum perguntou com surpresa.

— É isso, Eric, distribua os utensílios — disse Lei Yan. Eric rapidamente entregou seis copos de água, copos de vinho, copos de cerveja, tigelas ou pratos para todos.

— Só faltam garfos para comer o macarrão — Lei Yan pensou um pouco, dizendo ao grupo: — Procurem na caixa, quando olhei vi que havia várias facas suíças.

Poucos minutos depois, o grupo serviu o macarrão em copos e tigelas, regando com o molho de pepino em conserva e pimenta, e usando os garfos das facas suíças para comer. Todos elogiaram o sabor, menos Espírito do Pum, que estava faminto demais, comendo tão rápido que parecia engolir até a língua, sem tempo para falar. Se alguém perguntava, ele só balançava a cabeça com força, sem dizer uma palavra, temendo perder tempo de comer...