Noventa e Nove, Tempestade na Prisão (Seis)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2367 palavras 2026-02-09 14:02:56

— Erik! — exclamou Leiyan ao ver que o grupo já havia tomado as duas torres. Respirou fundo, assentiu para Erik, que compreendeu o recado e abriu o portão de ferro. Leiyan, com as duas pistolas em mãos, avançou enquanto Erik rapidamente fechava o portão para evitar surpresas.

A distância entre o portão que levava à prisão era bem maior do que aquela até as torres de vigia laterais, o que tornava tudo ainda mais perigoso. Além disso, dos seis que já haviam entrado na praça, restavam apenas cinco no corredor, gritando e tentando atrair os mortos-vivos — mas sua força de atração diminuía, e cada vez menos criaturas se aglomeravam ao redor deles.

Embora Leiyan corresse com agilidade e rapidez, logo foi notado pelos mortos-vivos na praça, que começaram a persegui-lo. Apesar de não serem rápidos, a quantidade e a insistência com que avançavam tornavam-nos uma ameaça formidável; o maior perigo era serem cercados por um grupo inteiro, situação da qual nem mesmo um milagre os salvaria.

Ao perceber que todos os mortos-vivos estavam se voltando para si e que os mais próximos já saltavam em sua direção, Leiyan deixou de hesitar. Com ambas as armas disparando em sincronia e com o apoio dos que estavam nas torres, limpou o caminho até o portão de ferro, abrindo passagem. Em seguida, lançou-se com velocidade de um corredor de cem metros até o portão, de onde viu dezenas de mortos-vivos avançando. Sacou a corrente presa à cintura e começou a trancar o portão.

O portão não estava completamente aberto, apenas cerca de meio metro, com uma corrente partida pendurada acima. Os mortos-vivos da praça passavam exatamente por esse vão estreito.

Do lado de dentro, mais mortos-vivos tentaram agarrar Leiyan assim que o viram na entrada — eram quatro ou cinco. Embora não conseguissem sair, suas garras atravessavam o vão, tornando-se perigosas.

Leiyan, decidido, deu um pontapé em um dos mortos-vivos que tentava passar, atirou em mais dois e, antes que os demais pudessem alcançá-lo, prendeu rapidamente a corrente ao portão, fechou-o com força e trancou-o de vez. Os mortos-vivos ficaram do outro lado, estendendo as garras em vão, incapazes de alcançá-lo.

Satisfeito, Leiyan virou-se para partir, mas percebeu que estava cercado no centro da praça. Todas as rotas de fuga estavam bloqueadas. Ele conseguiu atirar e abater dois inimigos, mas era inútil; recuou, alarmado.

Os atiradores das torres, ao verem Leiyan em perigo, dispararam juntos, explodindo as cabeças de uma dúzia de mortos-vivos próximos. Observando a movimentação, Leiyan identificou uma brecha onde havia menos inimigos, rolou pelo chão e escapou do cerco. Levantou-se rapidamente, eliminou dois mortos-vivos vestidos como prisioneiros que o perseguiam e correu em direção à torre de vigia à direita.

Os que estavam nas torres e no corredor abriram fogo para proteger Leiyan, abatendo os mortos-vivos que o perseguiam. Na base da torre à direita, o “Pumzinho” já havia aberto a porta, disparando para cobrir Leiyan e gritando para que ele se apressasse.

Leiyan entrou em segurança na torre, provocando um suspiro coletivo de alívio. Sentindo-se eufórico, cumprimentou “Pumzinho” com um toque de mãos e juntos subiram ao topo para, junto dos demais, disparar contra os mortos-vivos restantes na praça. Em menos de dez minutos, todos os inimigos estavam eliminados, sem que nenhum conseguisse escapar. Pela primeira vez, Leiyan e os demais puderam comemorar abertamente, correndo e saltando da torre e do corredor para a praça, sem se importar com os mortos-vivos que, do lado de fora, tentavam invadir para devorá-los...

Ao entardecer, reuniram-se ao redor da fogueira, saboreando coelhos e corujas caçados pelo Chefe. Entre risos e conversas, desfrutaram de um raro momento de alegria, esquecendo temporariamente o perigo que os cercava do lado de fora das grades.

Leiyan, tendo assado a carne, ofereceu-a aos outros e depois, armado, foi patrulhar o perímetro da cerca de arame farpado ao redor da praça, inspecionando tudo minuciosamente três vezes. Só então, certo de que tudo estava seguro, voltou para a fogueira, sentando-se com os demais para celebrar a vitória com vinho.

— Já levaram comida para Hélio e Barac? — perguntou Leiyan, satisfeito, mordendo um pedaço de carne de coruja enquanto olhava para os dois de serviço na torre e dirigia-se à Teresa, que bebia ao seu lado.

— Isabel já levou para eles — respondeu Teresa, erguendo o copo para Leiyan.

— Ah, é? Mas não vi a Isabel — comentou Leiyan, curioso.

— Ela primeiro levou carne e água para o irmão, depois para Hélio. Hélio é namorado da Isabel, e quanto ao motivo de ela não ter voltado... é melhor não perguntar — respondeu Teresa, sorrindo com um canto dos lábios.

— Entendi — respondeu Leiyan, mudando de assunto, envergonhado. Olhou para o céu estrelado, ouviu o canto dos grilos e comentou: — Que noite bonita!

— Ah, se o tempo fosse sempre assim... — suspirou Erik, olhando as estrelas e tomando um gole. Todos compreenderam o que ele queria dizer, mesmo sem palavras explícitas.

— Se isto aqui fosse um deserto, seu desejo seria atendido — comentou “Pumzinho”, entre uma mordida e outra, dirigindo-se a Erik. — Agora, a não ser que você consiga dormir para sempre, terá de aceitar que aqui chove de vez em quando.

— Melhor pensarmos em como enfrentar a realidade amanhã — David brindou com Erik, sorrindo, e aconselhou-o. Erik assentiu, tomou outro gole e não reclamou mais.

— Viver na praça não é só questão de chuva e vento — Leiyan brindou com Ana, tomou um gole de vinho à luz do fogo e comentou com todos —. A presença dos mortos-vivos mantém afastados muitos curiosos, mas, se ficarmos vagando pela praça, sempre haverá o risco de que algum visitante mal-intencionado queira se aproveitar.

— Faz sentido — concordou Teresa, pegando o copo de Ana. — O sítio onde eu morava antes, como vocês sabem, foi destruído assim — explicou, brindando com o Chefe e sua esposa, que não conheciam a história —. Lugares bons sempre atraem cobiça. Precisamos encontrar uma forma de defender esta prisão se quisermos viver aqui por muito tempo.

— É bem isso. Morar na praça nos deixa vulneráveis, sem lugar para se esconder. Não quero mais ninguém da nossa gente se machucando — Leiyan pegou um pedaço de carne de coelho cortado por Leslie, agradeceu com um aceno e continuou —. Teresa enxerga mais longe que eu: mesmo depois de tomarmos a prisão — apontou para o edifício —, ou parte dela, pois é imensa, o maior desafio será impedir que bandidos de fora nos observem e planejem algo contra nós. Podemos já começar a pensar nisso — concluiu, brindando com Teresa, que sentiu o coração aquecer.

— Pois é, não vamos deixar de propósito um monte de mortos-vivos soltos na praça só para não chamar atenção, não é? — disse “Pumzinho”, ainda mastigando carne. — Seria um perigo para nós também!

— Lutamos tanto para conquistar esta praça, não faz sentido entregá-la de graça para esses mortos-vivos famintos — opinou Leslie, falando pela primeira vez desde que se enturmara com todos.

— Claro que não vamos abrir mão dela — respondeu “Pumzinho”, brindando com o Chefe e tomando um gole. — Mas precisamos ser fortes o suficiente para que qualquer bandido cobiçoso desista só de pensar em mexer conosco.