Setenta e três, O Infante Demoníaco da Chuva Ardente (2)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2787 palavras 2026-02-09 14:02:35

Lei Yan e os outros subiram apressados ao terceiro andar, observando os lados. No corredor à esquerda, algumas criaturas perambulavam, enquanto não muito longe dali, do mesmo lado, estava de pé a sombra que haviam visto antes, aparentemente vigiando o grupo. Lei Yan olhou para baixo, para a multidão de mortos-vivos que os seguia, fez um gesto para os companheiros e correram na direção da sombra. Ao ver que estavam vindo, a sombra virou-se e correu pelo lado esquerdo; eles a seguiram, e logo adiante, a sombra voltou a fitá-los. Quando se aproximaram, ela abriu uma porta e entrou rapidamente; Lei Yan e os outros não tiveram escolha senão continuar a perseguição. Nesse momento, todos perceberam que a figura à frente era, de fato, um ser humano, aparentemente querendo guiá-los para longe das criaturas; se a seguissem, teriam uma chance de sobreviver.

Assim que entraram pela porta, viram alguns mortos-vivos cambaleando no interior. A sombra saltou agilmente e, com um golpe certeiro, cravou uma lâmina na cabeça de uma das criaturas. Quando esta caiu, ele gritou: “Há uma barra de ferro ao lado da porta! Trancai bem, o bando de mortos-vivos já está chegando!”

Lei Yan ordenou que David e Érico fizessem como o rapaz mandou, enquanto ele mesmo avançou para lutar ao lado do estranho. Em poucos instantes, haviam abatido todos os mortos-vivos do cômodo.

“Muito obrigado”, disse Lei Yan, estendendo a mão ao rapaz.

“Quem são vocês?”, ele ignorou o gesto e perguntou diretamente. “Como vieram parar aqui?”

“Pessoas em apuros, é uma longa história”, respondeu Lei Yan, guardando a faca e abrindo as mãos. “O tanque quebrou, chovia lá fora, não tínhamos para onde ir. Vimos um caminho na floresta e resolvemos arriscar. Assim chegamos até aqui.”

Lá fora, o grupo de mortos-vivos já havia alcançado a porta e a golpeava com força, empurrando e se comprimindo, mas felizmente a barra de ferro já havia sido encaixada por David e Érico, impedindo-os de entrar por ora.

“Hum, não tiveram sorte, há muitos mortos-vivos neste prédio”, disse o rapaz, guardando a faca, e fez um gesto para que o seguissem para o outro lado do quarto, enquanto continuava: “Quando vocês chegaram, a chuva ainda caía forte, dificultando a audição das criaturas, por isso não os encontraram logo. Agora que a chuva quase parou, o barulho que fizeram acabou atraindo-os. Foi por pouco!”

No outro extremo do cômodo, havia uma escada de ferro fixada à parede, levando ao andar superior. O rapaz lançou um olhar ao grupo e subiu rapidamente.

Um a um, Lei Yan e os demais subiram a escada. Acima, havia um quarto espaçoso, com mais de cinquenta metros quadrados, sem porta e com as janelas protegidas por grades robustas. Parecia seguro.

À luz da lamparina, viram que a tal sombra era, na verdade, um rapaz de treze ou catorze anos, o rosto salpicado de sardas e uma expressão de desdém quase divertida.

“É ele o fantasma que vi lá embaixo!”, exclamou W, ainda eufórico por ter escapado da morte, apontando para o rapaz.

“Desculpe desapontar vocês”, disse o garoto, semicerrando os olhos para W. “Sou vivo, só sou mais bonito que os outros, nada mais”, acrescentou, abrindo um sorriso irônico.

“Por que você ficou se escondendo e só apareceu agora? Foi assustador”, perguntou Pequena W, aliviada ao ver que não era um fantasma. Todos olharam curiosos para o garoto, querendo saber sua resposta.

“Não sabia se vocês eram amigos ou inimigos”, disse ele, avaliando o grupo cansado e sujo. “Com o tempo, aprende-se que vivos podem ser mais perigosos que criaturas. Nesses tempos malditos, a ingratidão virou regra. Estão com fome?”

“Sim, e com muito frio”, respondeu W, abraçando Pequena W e tremendo.

“Então por que nos ajudou antes?”, quis saber Pequena W, vendo o garoto trazer uma pilha de roupas usadas.

“Por causa do cigarro e do chocolate”, explicou, lançando um olhar a Lei Yan enquanto distribuía roupas secas. “Gente ruim e egoísta não reparte nada, quanto mais fantasmas.”

Depois de entregar as roupas, o garoto foi buscar um braseiro, colocou lenha e fez um gesto para que acendessem, já sabendo que tinham fogo.

“Este lugar parece seguro”, comentou David, que, com a ajuda de Érico, acendeu a lenha. Observando o cômodo, disse ao garoto: “Aquelas criaturas lá embaixo não sentem cheiro de gente nem ouvem barulho, logo vão se dispersar, certo?”

“Sem comida, lugar nenhum é seguro”, respondeu o garoto, encolhendo os ombros. “Eu ia sair assim que a chuva parasse, mas dei de cara com vocês. Tiveram sorte.”

“No fim do corredor só vi cigarros, não tinha chocolate”, disse Érico, vestindo as roupas secas e estendendo as outras ao fogo.

“Eu comi o chocolate. Faz tempo que não como um, estava com muita vontade. E também foi para chamar a atenção de vocês”, respondeu o garoto, bocejando e sentando-se numa cadeira velha, as mãos cruzadas, olhando para o grupo.

“E por que não pegou os cigarros?”, perguntou Pequena W, achando o rapaz simpático.

“Não fumo, deixei para os fantasmas do lugar”, respondeu, dando de ombros. “Aqui tem muitos, e a maioria são crianças.”

“Há fantasmas aqui?”, Pequena W ficou assustada.

“Claro, há mais mortos-vivos que vivos, essa é a prova”, piscou o garoto, sorrindo maliciosamente. “Aqui é um orfanato, então os fantasmas de crianças são os que mais aparecem. Eles podem querer brincar com você!”

Pequena W se encolheu assustada nos braços de W, que sorriu sem graça para o garoto: “Não a assuste, ela é muito medrosa.”

“Ah, que chato”, disse ele, deitando as mãos atrás da cabeça e fechando os olhos.

“Ainda não nos apresentamos. Meu nome é Lei Yan”, disse Lei Yan, aproximando-se amigavelmente e estendendo a mão.

“Sou Jim Collier”, respondeu o garoto, levantando-se para apertar sua mão. “Me chamam de ‘Pumzinho’ — quer dizer, não, é ‘Navalha’. Uma navalha afiada, para mostrar que sou feroz! Forte! Você é do país do kimchi?”

“Não, sou do país da porcelana”, respondeu Lei Yan, rindo e balançando a cabeça.

“‘Pumzinho’, que apelido engraçado”, riu Pequena W ao ouvir o nome.

“Ei, esse não vale, foi só da boca pra fora”, protestou Jim, apressando-se em explicar. “Já faz dois anos que não uso mais. Aliás, quem me deu esse apelido já morreu, está bem? Agora sou ‘Navalha’!”, e fez um gesto como se amassasse e jogasse fora um papel.

“‘Pumzinho’, hehe”, repetiu Pequena W, divertida, sem se importar com o incômodo de Jim.

“Ah”, Jim revirou os olhos, desistindo de explicar — seria inútil.

“Você lutou muito bem contra as criaturas, aquele salto foi incrível”, comentou Érico, imitando o gesto do rapaz e estendendo a mão sorridente. “Foi você quem derrotou todos os mortos-vivos lá fora? Meu nome é Érico Amick.”

“Fui eu, mas não de uma vez só, foi aos poucos”, respondeu Jim, apertando-lhe a mão. “Há tantas criaturas aqui que, se não limpar um pouco, não há como sobreviver, nem se mexer. É cansativo, mas é o preço de ser ‘Navalha’”, disse, olhando para Pequena W.

“‘Pumzinho’, hehe”, repetiu Pequena W, ignorando completamente o novo apelido.

“Eu sou ‘Navalha’!”, exclamou Jim, aproximando-se do fogo e falando alto para Pequena W.

“Prazer, ‘Navalha’, sou David Nevard”, disse o velho David, levantando-se para cumprimentar Jim e tentando amenizar o clima por Pequena W.

“Meu nome é W”, disse W, lançando um olhar repreensivo à filha e estendendo a mão para Jim, sorrindo timidamente. “Obrigada por nos salvar!”

“Prazer, ‘Navalha’!”, sorriu Pequena W, imitando a mãe e também estendendo a mão.

“Hm!”, Jim apertou as mãos de W e Pequena W, já desconfiado de que Pequena W não levava a sério seu novo apelido — ela podia mudar de ideia a qualquer momento, portanto, não devia ser muito amistoso com ela.