Oitenta, A Caça ao Assassino da Bomba (Parte Um)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2427 palavras 2026-02-09 14:02:39

Ao entrar no carro oficial do Reino de Grande Qin, ouvindo o novo diretor falar sobre o caso, Lei Yan percebeu que talvez tivesse caído na armadilha do diretor.

— Sabe por que Sua Majestade me enviou para ajudá-lo nesta investigação? — O diretor ofereceu um cigarro a Lei Yan, sorrindo.

— Certamente é porque Sua Majestade confia no senhor e por causa de sua extraordinária competência — Lei Yan aceitou o cigarro com um sorriso, elogiando o diretor.

— Haha, não é só por isso — o diretor riu, objetivo. — Sua Majestade me designou principalmente porque já fui policial. Ainda que policial de trânsito, no fim das contas, policial é policial.

— É verdade — Lei Yan tossiu com a fumaça, apressando-se a bajular — Resolver crimes e dirigir o trânsito são semelhantes: se a coordenação for boa, o caso logo será solucionado. Sem sua ajuda e orientação, não teríamos avançado tão bem. Tudo mérito de sua experiência.

— Ah, você sempre foi meu bom rapaz — o diretor assentiu, satisfeito, e após soltar uma baforada, com o cigarro apontou para o motorista, semicerrando os olhos para Lei Yan — Vou lhe dizer a verdade: o envolvido nesta crise não é um mensageiro do Reino de Grande Yan, mas sim o próprio rei de Grande Yan, que foi feito refém com uma bomba.

— O quê? — Lei Yan quase deixou cair o queixo de espanto — Isso é sério demais!

— Pois é, o rei de Grande Yan veio em segredo, preocupado com possíveis tumultos internos. — O diretor olhou pelas janelas para a floresta e explicou — Tampouco queria que outros reinos soubessem, pois os dois reis têm assuntos importantes a tratar. O teor dessas negociações não cabe a nós perguntar nem saber. Espero que compreenda.

— Compreendo perfeitamente — Lei Yan bateu no peito, garantindo — Não tenho interesse algum por política e, além disso, sou discreto. Jamais falarei disso a outrem.

— Não conte detalhes nem aos seus subordinados — o diretor advertiu, tocando Lei Yan com o cigarro.

— Pode deixar — Lei Yan lançou um olhar ao carro militar onde estavam Teresa e os demais, e garantiu ao diretor — Para eles, basta saber que se trata de um enviado de Grande Yan. Nada além disso será dito.

— Só lhe contei para que entenda a gravidade da situação — o diretor bateu a cinza do cigarro — Este é um assunto de Estado: o caso deve ser resolvido com competência e, acima de tudo, mantido em segredo.

— Entendi — Lei Yan acenou, mostrando-se atento — Então, até agora, que informações conseguimos reunir?

— Antes mesmo da fundação da polícia, já tínhamos prisões — o diretor arqueou as sobrancelhas — Prisões militares, afinal todos são soldados! Você também sobreviveu ao caos, sabe bem: os sete reinos são todos governados por militares. — Ele tragou fundo e cruzou as mãos, fitando Lei Yan — No Reino de Grande Qin não é diferente: qualquer um que saiba lutar, seja do exército regular ou de milícias, policial ou criminoso, bom ou mau, Sua Majestade recruta para suas fileiras.

O diretor olhou para as árvores que passavam rapidamente pela janela.

— Quando se junta tanta gente, de todos os tipos, é inevitável que haja mistura de bons e maus. No começo não havia problema, mas com o tempo, muitos voltaram a delinquir, a causar desordem e destruição. Então, o rei criou as prisões militares para punir esses elementos nocivos.

— Devem ter prendido muitos bandidos — Lei Yan concordou, abrindo uma fresta na janela para dissipar a fumaça — Imagino que algum deles esteja ligado ao caso.

— Você está afiadíssimo, Lei Yan — o diretor admirou-se — Acertou em cheio. Com o tempo, o reino expandiu-se, a população diversificou e, como ainda não havia polícia, tanto criminosos graves quanto leves eram enviados para a prisão militar.

— Então a prisão militar é a única do país, para todos os tipos de criminosos — Lei Yan estalou os dedos, resumindo ao diretor.

— Exatamente. Saber fabricar bombas pode ser útil em tempos de guerra — assentiu o diretor, apagando o cigarro — Mas se alguém começa a usá-las para atacar seus próprios compatriotas, precisa ser detido.

— Como se chama esse sujeito? O que ele fez? — Lei Yan ajeitou-se melhor no banco.

— Chama-se Remy, o Louco Remy — suspirou o diretor — Ele fabricava bombas para atacar soldados e oficiais de Grande Qin. Mais de uma dúzia de mortos por suas mãos. — O diretor fez uma pausa, depois continuou — Sua Majestade ficou furioso. Recrutou mais de dez ex-agentes federais do exército e levou dois meses para capturar Remy, perdendo vários agentes no processo.

— Dois meses? E ainda houve baixas? — Lei Yan estranhou — Achei que agentes federais fossem peritos nisso.

— Restam poucos realmente capazes. Muitos morreram no desastre; a maioria dos agentes agora são só músculos e pouca inteligência, nada comparados a nós — o diretor deu dois tapinhas amigáveis no ombro de Lei Yan, rindo — Por isso tanto tempo e tantas perdas.

— Verdade, verdade, o diretor está certíssimo — Lei Yan, satisfeito com o elogio, sorriu — E ele ainda está vivo?

— Sim, por que pergunta? — o diretor sorriu.

— É que vi as execuções recentes, rápidas e sangrentas — Lei Yan fez gestos, imitando um carrasco, e passou as mãos no rosto, sugerindo sangue — O Louco Remy matou tantos do Reino de Grande Qin, mais que cinco. Sua Majestade deixaria ele viver?

— Foi condenado à prisão perpétua, cumpre pena até hoje — confirmou o diretor.

— Insondáveis são as vontades de Sua Majestade — Lei Yan franziu a testa — Por que poupá-lo, sendo tão perigoso?

— Embora tenha feito vítimas, todas eram soldados e oficiais de baixa patente, nada comparado ao caso que investigamos dias atrás. Eram figuras sem influência — o diretor fez um gesto de desprezo — São facilmente substituíveis; ninguém poderoso se importou com eles. Com Remy preso, cessaram os atentados e as tropas ficaram tranquilas. O castigo dele pouco importa aos demais.

— Mas Sua Majestade não o poupou apenas porque matou apenas gente comum, não é? — Lei Yan levantou a mão, sorrindo.

— Claro que não. Imagino que Sua Majestade queira aproveitar seus talentos — o diretor se inclinou e baixou a voz — Em momentos e lugares específicos, alguém assim pode ser útil ao país. Eis a razão principal da sobrevivência de Remy.

— Então, se o criminoso está preso, como conseguiu fabricar a bomba e colocá-la no... digo, no enviado de Grande Yan? — Lei Yan corrigiu-se rapidamente ao ver o gesto silencioso do diretor.