Oitenta e Um, Perseguindo o Criminoso com Bombas (Parte Dois)

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2349 palavras 2026-02-09 14:02:39

— Isso não foi feito por Remi — disse o diretor, dando de ombros. — Ele está trancado no corredor da morte, sob vigilância rigorosa.

— Então ele mandou alguém fazer? — perguntou Lei Yan, confuso, tentando entender a situação.

— Impossível. Não há telefone, nem computador — explicou o diretor, entregando um dossiê a Lei Yan com um sorriso. — A menos que ele tenha usado pombos-correio, mas até as aves estão isoladas e a vigilância é eficiente. Ele não tem como dar ordens a ninguém. O responsável é este aqui. Aqui está o dossiê dele.

— Jimmy, homem, trinta anos, relojoeiro — leu Lei Yan, atento às informações. — Antes da catástrofe, tinha esposa e filha. Depois do desastre, ingressou no Décimo Sétimo Exército de Da Qin, serviu como sargento no Terceiro Regimento da Décima Divisão. Perdeu a perna direita ao pisar numa mina durante a guerra e, após a baixa, virou encanador.

— Até aí, tudo normal. Veja as fotos e as cópias de jornais — indicou o diretor, guiando Lei Yan a continuar lendo.

Lei Yan viu fotos de ferramentas para fabricar bombas, além de imagens de explosivos prontos ou em montagem. Nas cópias de jornais, uma reportagem ilustrada narrava a prisão do louco Remi, com uma foto dele sendo capturado — pelo tempo, ainda antes da catástrofe. A matéria estava marcada a caneta, com um círculo ao redor e a palavra “ídolo” escrita ao lado, acompanhada de uma seta apontando para a foto de Remi.

— Então, antes de vocês trancafiarem Remi, antes mesmo do desastre, ele já estava preso por envolvimento em explosões. Como saiu, não se sabe — talvez tenha sido uma rebelião no presídio —, mas o fato é que Remi tem uma reputação lendária (pelo menos entre criminosos), e Jimmy já o admirava desde o tempo de paz, tratando-o como ídolo — resumiu Lei Yan, virando o dossiê e apontando para a palavra “ídolo” na cópia do jornal. — Jimmy, de algum modo, aprendeu as técnicas de fabricação de bombas de Remi e construiu um artefato quase impossível de desarmar, instalando-o no próprio corpo do rei de Da Yan.

Lei Yan indicou o diretor, que assentiu, e continuou:

— Jimmy usou esse método para chantagear Sua Majestade Mike ou o governo atual de Da Qin, exigindo algo, provavelmente absurdos.

O diretor concordou com a cabeça, e Lei Yan continuou:

— Se esse Jimmy manco estivesse disposto a colaborar, nem seria preciso envolver Remi. Mas Jimmy poderia negar a colaboração?

Lei Yan olhou para o diretor, que sorriu e balançou a cabeça negativamente. Lei Yan concluiu:

— Então, pelo que deduzo, Jimmy deve estar morto. Como exatamente, não sabemos. Agora, o único capaz de desarmar uma bomba dessas é Remi, mas ele se recusa a colaborar e vocês não têm como obrigá-lo. O tempo está acabando, não têm certeza de qual fio cortar. Por isso me chamaram, não é?

— Exatamente. — O diretor bateu palmas para Lei Yan, admirado. — Você acertou todo o enredo. Jimmy teve ajuda de algum grupo inimigo, só assim conseguiu eliminar os guardas pessoais do rei de Da Yan e instalar a bomba. Mas esses aliados ocultos nunca apareceram.

O diretor suspirou:

— E também não conseguimos arrancar nenhuma informação útil de Jimmy.

— Deixe-me pensar — ponderou Lei Yan. — Fabricantes de bombas nunca agem só por matar ou causar destruição. Normalmente, têm três motivos: reivindicação política, protesto por uma causa específica, ou dinheiro. O senhor disse que Jimmy recebeu ajuda de um grupo oculto...

Lei Yan franziu a testa, refletindo.

— Então Jimmy tinha alguma reivindicação política?

— Justamente não — respondeu o diretor, com um sorriso amargo. — Se fosse, poderíamos rastrear os aliados. Mas o pedido dele foi... — O diretor fez um gesto de desdém e riu. — Libertem o ídolo dele, providenciem um carro, comida suficiente e levem ambos para o Reino de Zhao.

— Um país inimigo de Da Qin — comentou Lei Yan.

— Exato, ele achava que lá estariam seguros — confirmou o diretor, prosseguindo: — No início, entregamos o caso a alguns ex-agentes da antiga federação. Não são brilhantes, mas dão conta do recado. Não queríamos te incomodar, porque eles disseram que era um caso simples.

O diretor balançou a cabeça.

— No começo, tudo correu bem. Os agentes usaram um rádio colocado no corpo do rei de Da Yan para deduzir que o criminoso se escondia num raio de cinquenta metros, provavelmente com visão direta do local. Organizaram buscas discretas com binóculos — o diretor gesticulou, simulando binóculos para Lei Yan. — Logo localizaram Jimmy (na época ainda sem saber seu nome), escondido num prédio vizinho. Então, alguns agentes entraram discretamente para prendê-lo.

— E não temiam que ele acionasse a bomba em caso de confronto? — interrompeu Lei Yan.

— Não, nem um pouco, e não foi por coragem — respondeu o diretor, um pouco intrigado. — Eles achavam unanimemente que todo bombardeiro é covarde e jamais explodiria a si mesmo. Por isso resolveram agir pessoalmente. Existe mesmo essa teoria? Ou foram presunçosos demais?

— Existe, mas eles foram precipitados e se esqueceram de um detalhe — analisou Lei Yan, rememorando. — Jimmy não era um bombardeiro típico, era um imitador. Portanto, as regras usuais não se aplicavam a ele. Os agentes estavam em perigo.

— Ah, devíamos ter chamado você desde o início — lamentou o diretor. — Assim que invadiram o esconderijo, Jimmy detonou a bomba. Vários agentes morreram.

— No local, vocês encontraram pistas que permitiram identificar Jimmy como o assassino — suspirou Lei Yan, lamentando as mortes, e continuou sua análise: — E encontraram em sua casa isto — apontou para as fotos das bombas —, e isto — virou para as cópias de jornais. O diretor assentiu, e Lei Yan prosseguiu: — Por isso concluíram que apenas Remi poderia salvar o rei de Da Yan. Mas como tinham certeza de que a bomba era idêntica à de Remi? Só porque ele era o ídolo de Jimmy?

— Não, claro que não — respondeu o diretor, segurando-se quando o carro virou bruscamente. — Encontramos rascunhos de fabricação de bombas na casa de Jimmy. Você sabe que temos Remi preso, então conhecemos bem sua técnica. Temos especialistas — não conseguem fabricar bombas tão sofisticadas quanto as de Remi, mas sabem reconhecer semelhanças. Por isso, Remi acabou sendo nossa única esperança.

— Então por que Remi se recusa a ajudar? — questionou Lei Yan, confuso. — O que lhe ofereceram não foi suficiente? Não era do seu agrado?

— Remi, de alguma forma, soube de você e da sua reputação de grande detetive — explicou o diretor, franzindo a testa. — Talvez tenha ouvido conversas dos guardas. Pediu para se encontrar com você, conversar a sós — se a conversa o satisfizer, talvez aceite ajudar.

O diretor olhou aflito para o relógio e disse a Lei Yan:

— Restam menos de duas horas...