Oitenta e Quatro, Caçada ao Bombardeiro (Cinco)
No quarto onde estava o rei do Grande Reino de Yan, o especialista em desarmamento de explosivos, vestido com traje antiexplosão, já havia separado a carcaça da bomba presa ao rei. Ele isolou os dois fios necessários, um azul e um vermelho, e segurava firmemente o alicate, olhando para Lei Yan do outro lado da parede de vidro à prova de balas, aguardando sua ordem.
O temporizador na bomba mostrava menos de trinta segundos. O rei, com o rosto pálido e coberto de suor, respirava de forma acelerada, olhando ora para o explosivo em seu corpo, ora para Lei Yan atrás do vidro, à beira do colapso emocional.
— Pronto. Embora, se explodir, eu vá morrer de uma morte horrível, para não me isentar da responsabilidade, ainda me obrigaram a vestir isso — disse Lei Yan, do outro lado da parede, apontando para seu volumoso traje antiexplosão ao falar com Remi, que estava apenas com a roupa de presidiário. — Então, devemos cortar o fio vermelho ou o azul?
— Sempre são dois fios, por que vocês não podem adivinhar por conta própria? — Remi respondeu de maneira apática, olhando para sua roupa de prisão. — Que tédio. Vocês me julgaram covarde, não me deram o traje, isso é uma ameaça?
— Claro que não, pelo menos não é minha intenção. Fale logo, não temos tempo — apressou Lei Yan, olhando para o temporizador.
— Corte o azul — Remi assentiu para Lei Yan.
— Tem certeza? — Lei Yan encarou os olhos de Remi.
— Tenho — um leve prazer mal disfarçado passou pelos olhos de Remi, que olhou fixamente para Lei Yan ao responder.
— Corte o vermelho! — Lei Yan, sem desviar o olhar de Remi, gritou para o especialista do outro lado do vidro.
— O quê? — O especialista, que ouvia a conversa, ficou confuso: Remi disse azul, mas Lei Yan ordenou vermelho. Desorientado, acreditou estar tendo uma alucinação causada pela tensão, e rapidamente buscou confirmação pelo comunicador.
— O vermelho — Lei Yan viu Remi surpreso, mas reafirmou sua ordem ao especialista.
O temporizador já marcava o último segundo, não havia tempo para hesitação. O especialista olhou para o rei, que já estava sem fôlego de medo, prendeu o fio vermelho, fechou os olhos e cortou.
O som do corte foi sutil, mas naquele milésimo de segundo todos os sentidos dos presentes estavam aguçados, e todos ouviram nitidamente. Após o som, veio um instante de vazio, como se a mente e a visão de todos se apagassem, e Lei Yan e os demais pensaram que a bomba havia explodido e que estavam mortos.
Passaram vários minutos até que Lei Yan sentiu alguém sacudi-lo, despertando de seu torpor. Era o diretor, que o balançava com exaltação. Ao perceber que estava vivo, assim como o rei e o especialista, e que o temporizador havia parado no último segundo, Lei Yan finalmente se permitiu sorrir.
— Como soube qual fio cortar? — Remi, com sangue no canto da boca, perguntou. Durante o estado de choque de Lei Yan, Remi já havia apanhado dos guardas.
— Você não sabe se irá sobreviver, não teme a morte, e não resiste à tentação de ver a explosão. Foi o que aprendi com você — Lei Yan tirou o capacete e sorriu para Remi. — Se aceitasse trocar, já estaria trabalhando para o Império, não é? Haha!
Remi percebeu que seus pensamentos haviam sido desvendados, ficou tão furioso que seu rosto se contorceu. Um dos guardas acertou-lhe um soco no estômago e, junto com o outro, o arrastou para fora. Quando Remi estava prestes a sair, Lei Yan disse repentinamente:
— Ah, não sei se você tem reação normal, mas nossa oferta de troca é verdadeira.
— Algum problema aqui? — Lei Yan confirmou com o especialista.
— Nenhum, pode retirar. Felizmente você estava aqui, grande detetive — o especialista sorriu e saudou Lei Yan com um gesto militar simples. O rei do Grande Reino de Yan também esboçou um sorriso cansado e acenou para Lei Yan, parecendo exausto.
Ao sair daquele quarto perigoso, o diretor cumprimentou Lei Yan calorosamente, com os olhos cheios de gratidão, e pediu aos guardas que o ajudassem a tirar o pesado traje antiexplosão, levando-o em seguida ao elevador rumo à superfície.
Mike já sabia que a bomba havia sido desarmada, estava radiante. Ao ver Lei Yan sair do elevador, correu para abraçá-lo.
Lei Yan ainda estava atordoado, só conseguiu chegar à superfície graças a esse estado. Ao ser atingido pelo vento frio, recobrou totalmente a consciência, sentiu o temor tardio, e suas pernas falharam, desabando no chão, desmaiando.
Mike chamou o médico às pressas, e Lei Yan foi socorrido, abrindo os olhos lentamente e vendo Mike, Teresa e outros colegas ao redor.
— Como está? — Mike perguntou ansioso.
— Acho que preciso de algo forte — Lei Yan enxugou o suor frio da testa, sentindo-se fraco, e sorriu com amargura para Mike.
— Rápido, vá buscar! — Mike ordenou a um guarda, apontando para seu carro. — Pegue o XO que está no carro!
Trouxeram o XO, Lei Yan bebeu vários goles e só então recuperou o fôlego.
— Está bem? — Teresa perguntou com lágrimas nos olhos.
— Sim, lá embaixo estava quente demais. Aqui em cima, o vento frio me fez prender a respiração — Lei Yan tomou mais um gole do XO e sorriu para Teresa.
— Chefe, hoje realmente te admiro — o "Pestinha" estava sério e sincero, pela primeira vez demonstrando respeito.
— Não só você, todos admiramos o senhor Lei — Mike começou a aplaudir, seguido por todos ao redor de Lei Yan.
— Bem, voltem ao hotel para descansar — após os aplausos, o rei Mike organizou: — Deixem o emissário do Reino de Yan se recuperar também. Amanhã ao meio-dia, prepararei uma bebida para acalmá-los.
Lei Yan não tinha objeções, aceitou a ordem e foi com todos descansar no hotel. Durante a noite, acordou assustado várias vezes, mas isso não vem ao caso.
No banquete do dia seguinte, o rei Charles do Grande Reino de Yan recuperou sua habitual postura: cabelo impecável, roupas elegantes, sorriso afável. Agradeceu profundamente a Lei Yan pelo salvamento, exaltando suas capacidades analíticas e de julgamento.
— Para ser sincero, também ocorreu um caso misterioso na minha família — Charles disse a Mike e Lei Yan. — Não sei se o detetive Lei poderia ir até lá ajudar a resolver? — Charles perguntou a Lei Yan, mas seus olhos se voltaram para o rei Mike.
— Preciso reafirmar: Lei Yan é meu velho amigo, não meu subordinado — Mike sorriu, batendo no ombro de Lei Yan, e disse a Charles: — Ele é livre aqui, não posso controlar. Se quiser algo, fale diretamente com ele. Se vai ou não, é decisão dele, não interfiro!
— Entendi. E então, detetive Lei, o que acha? — Charles ergueu a taça de vinho para Lei Yan.
— Desarmar a bomba me deixou aterrorizado, agora sou como um pássaro assustado, haha — Lei Yan olhou para Mike e perguntou a Charles: — Quero saber, este caso tem alguma relação com bombas?
— Não, não tem. É sobre uma namorada minha, secreta — Charles murmurou ao ouvido de Lei Yan, depois sorriu. — Se fosse oficial, já a teria trazido ao palácio e vigiaria vinte e quatro horas, não haveria perigo algum, mas secreta é diferente.
— Deve ser uma mulher de beleza extraordinária, para ser tão difícil de esquecer — Mike brindou com Charles e riu.
— Mais ou menos, o proibido é sempre mais interessante — Charles tomou um gole e riu com Mike. — Você entende, haha!
— Entendo, às vezes o proibido nunca se alcança — Mike, experiente nos assuntos do coração, compreendeu Charles e riu alto. — É de deixar inquieto, haha!