Sessenta e um, o local da execução
O executor lançou um olhar para o sol brilhante no céu, depois conferiu o relógio para ter certeza de que era a hora marcada para a execução. Virou-se então para o rei, que lhe fez um aceno afirmativo. Imediatamente, o executor ergueu-se e acenou com uma pequena bandeira vermelha para os guardas e o carrasco do outro lado.
Os guardas, ao receberem a ordem, puxaram George da carroça dos prisioneiros, onde ele repousava com os olhos fechados, como se nada tivesse acontecendo. Não se sabe o motivo, mas George mantinha uma calma impressionante, sem traço de pânico, muito menos de medo.
Ao verem aquela atitude, um murmúrio percorreu a multidão. O povo tinha um espírito diferente do rei. Enquanto o rei desejava ver o condenado humilhado e amedrontado diante de seu poder, as pessoas ansiavam por presenciar um prisioneiro destemido, que proclamasse bravamente algo como “Daqui a vinte anos, serei um novo herói!”. Era esse tipo de espetáculo que satisfazia o público. O comportamento de George, naquele dia, correspondia perfeitamente às expectativas populares, e todos aguardavam, ansiosos, que ele surpreendesse a todos.
Mike observava George com desdém, imóvel, os olhos semicerrados, atento a cada movimento do prisioneiro. Agora, como rei, ostentava uma posição ilustre, mas, se estivesse nos tempos de luta pela conquista do trono, já teria matado aquele ladrãozinho com as próprias mãos. Contudo, decidiu conter-se, pois ainda haveria tortura, e queria ver se o rapaz manteria o silêncio até o fim, para então rir dele.
O comportamento de George inquietava Lei Yan, que sentia que algo estava para acontecer, mas não conseguia imaginar o quê. Olhando para os seguranças espalhados por toda parte, convenceu-se de que era apenas paranoia, consequência da ressaca, e que, na verdade, nada aconteceria.
George, refletindo, deixou escapar um sorriso malicioso. Olhou para o guarda que o escoltava, para os nobres e dignitários na tribuna, e para a multidão ao redor, como se tudo aquilo lhe parecesse tolice e risível. Sob o olhar atento dos guardas e de todos os presentes, subiu calmamente a escada de madeira que levava ao cadafalso, sem pressa, dando passos firmes.
O guarda, impaciente com a lentidão e a atitude desdenhosa de George, empurrou-o pelas costas para apressá-lo. Mesmo assim, George manteve-se impassível, endireitou-se, lançou um olhar de escárnio para o guarda e, em seguida, continuou no mesmo ritmo.
No cadafalso, o carrasco aguardava diante da mesa de tortura preparada especialmente para atormentar George, manipulando instrumentos horripilantes enquanto observava atentamente o prisioneiro que se aproximava.
Se o carrasco analisava George, o prisioneiro também observava o carrasco, assim como os instrumentos macabros, tudo com a mesma expressão de indiferença zombeteira.
O guarda posicionou George, ainda sorrindo maliciosamente, diante da mesa de tortura, de frente para a tribuna. A multidão ficou perplexa, sem entender como aquele homem podia manter tamanha serenidade. Ou era um louco, ou um verdadeiro herói – pensamentos que giravam nas mentes populares, sempre insondáveis.
O executor levantou-se e começou a proclamar os crimes hediondos de George e a sentença de morte.
No entanto, a leitura mal chegara à metade quando algo inimaginável ocorreu no cadafalso. Todos, tanto os milhares de espectadores no chão quanto os presentes na tribuna, ficaram atônitos: de alguma forma, George soltou as mãos das algemas e, de repente, empunhava um bisturi reluzente. Sem hesitar, voltou-se e golpeou o guarda que o empurrara momentos antes, cortando-lhe a garganta. Surpreendido, o homem caiu no chão, olhos arregalados, com o sangue jorrando do pescoço. O segundo guarda também foi atacado – George cravou-lhe a lâmina no coração, derrubando-o.
Então, George encostou o bisturi em seu próprio pescoço, lançou um olhar zombeteiro para Lei Yan – sem sequer olhar para o rei, apenas fitando Lei Yan nos olhos, com um sorriso estranho. Em um movimento rápido, cortou sua própria garganta e tombou sangrando sobre o cadafalso.
Foi um choque geral, um acontecimento completamente inesperado. Todos os presentes permaneceram paralisados, sem compreender o que se passava ou o que deviam fazer.
Lei Yan permaneceu imóvel, testemunhando tudo, sentindo-se lançado a um abismo sem fundo, tomado por uma força maligna colossal que o engolia por completo, petrificando-o em trevas.
Mike, porém, experiente em batalhas e cenas sangrentas, recuperou-se rapidamente. Tomado de fúria, fez um gesto aos dois generais que haviam perdido entes queridos, descendo à frente da tribuna em direção ao cadafalso. Os guardas, sem saber as intenções do rei, cercaram-no nervosos, protegendo-o enquanto avançavam em grupo.
Lei Yan, observando Mike, estava confuso, sem saber o que esperar.
A multidão abriu caminho para Mike, que, imponente, avançava com sua estatura grandiosa e presença régia. Seu andar decidido impunha respeito, e a multidão, ao ver a postura do líder, recuperou-se do choque, compreendendo que o rei retomara o controle da situação.
A expressão de Mike era de pura cólera, e todos podiam sentir sua ira incontrolável. Subiu as escadas do cadafalso, sacou um revólver e, acompanhado pelos dois generais armados, aproximou-se do corpo de George, que jazia com o rosto congelado num sorriso malicioso, ainda sangrando pelo pescoço. Passaram pelo carrasco, que, tomado de pavor, estava prostrado no chão.
O rei ergueu a arma e disparou duas vezes contra a cabeça de George. Os dois generais, tomados de ódio, também descarregaram seus revólveres sobre o corpo do criminoso, extravasando seu rancor.
Três homens poderosos disparando juntos, faíscas e cartuchos voando, sangue espirrando – a cena era tão intensa e brutal que todos ficaram aterrorizados, sentindo o peso da mão implacável do poder.
A cabeça e o tronco de George foram reduzidos a uma massa informe de carne e sangue. Mike e os generais estavam cobertos de respingos vermelhos. Quando as balas acabaram, Mike não se deu por satisfeito: atirou a pistola de lado, tomou uma submetralhadora de um guarda e continuou a metralhar o corpo. Os generais, seguindo o exemplo, fizeram o mesmo.
Quando já não havia mais balas, Mike ainda não parou. Jogou a arma fora, aproximou-se do carrasco, pegou uma enorme faca de lâmina curva que repousava junto à mesa de tortura e, retornando ao cadáver, desferiu violentos golpes, esquartejando o corpo sem piedade. Os generais, já exauridos de tanto atirar, pararam e apenas observaram Mike, apavorando todos os presentes.
O cadáver foi reduzido a incontáveis pedaços até que, finalmente, Mike cessou, ofegante, coberto de sangue, apoiado na lâmina. Passaram-se alguns segundos antes que se virasse para os dois generais e perguntasse:
— E então? Estão satisfeitos com meu modo de lidar com isso?
Os dois generais, impressionados com Mike, agora apenas olhavam para ele com devoção e respeito, assentindo em sinal de aprovação.
— Que bom que estão satisfeitos — disse Mike, recuperando o fôlego. Largou a faca de lado e, apontando para os restos mortais a seus pés, ordenou ao capitão da guarda:
— Levem isso para alimentar os cães, não deixem nem os ossos.
O capitão acenou e imediatamente providenciou os homens para a tarefa. Mike então se voltou para todos e declarou:
— Proclamo oficialmente a fundação do Departamento de Polícia do Grande Qin, destinado a combater todos os criminosos do reino!
Sem esperar aplausos, desceu do cadafalso devastado, escoltado pelos guardas...