Sessenta e cinco, a abertura do cofre precioso

Detetive de Segunda Classe Corpo Frutado de Laranja 2707 palavras 2026-02-09 14:02:30

Na sala de reuniões da delegacia de Galinha do Poente, os que haviam retornado do funeral estavam reunidos ao redor de um objeto colocado no centro do cômodo, discutindo animadamente. Sim, o objeto em questão era a antiga Caixa do Tesouro mencionada anteriormente. Segundo "Esqueleto", ela tinha a capacidade de reproduzir fielmente acontecimentos de um determinado momento do passado.

— Já pode usar? — perguntou Raio de Fogo a "Esqueleto".

— Sim, já pode, mas só por alguns minutos — respondeu "Esqueleto", posicionando com cuidado o aparelho de fornecimento de energia, do tamanho de uma máquina de vendas, e então colocando firmemente sobre ele a caixa do tesouro, que lembrava uma panela de aço inoxidável para fondue. Fez um sinal afirmativo com a cabeça para Raio de Fogo.

— Uau, esse troço não parece nada mais do que um conjunto para fondue — comentou Pumzinho, observando tanto o aparelho retangular com painel de controle quanto a caixa reluzente sobre ele. Lançou um olhar a Professor Lis, que sentado junto à parede parecia um idiota, e disse a "Esqueleto": — Tem certeza de que não vai aparecer na tela uma cena de fondue ou algo assim?

— Você realmente sabe ser engraçado, mas isso não tem nada a ver com fondue — retrucou "Esqueleto", acariciando os estranhos entalhes da caixa do tesouro como se afagasse uma criança querida. Olhou para todos e disse a Pumzinho: — Melhor pensar no que realmente vale a pena reviver, porque assim que ligar, ela vai brilhar como nunca e vocês vão ficar boquiabertos.

— Qualquer coisa do passado pode ser vista? — perguntou Melvin, exultante.

— Teoricamente sim — respondeu "Esqueleto" sorrindo —, mas eu mesmo nunca vi funcionando. A teoria precisa ser testada na prática, logo veremos.

— Que emoção, minha cabeça está cheia de imagens que gostaria de ver — Melvin fitava a caixa do tesouro, excitado. — Nem sei qual é a mais importante. O que faço?

— Parece que não é você quem deve escolher — Pumzinho deu um tapa na caixa e riu para Melvin. — Só temos uma chance, não é? — perguntou a "Esqueleto".

— Exato, só cerca de cinco minutos — confirmou "Esqueleto" com um aceno. — Por isso, é melhor escolher algo importante e significativo para reviver.

— Nove pessoas, que tal reviver as nove pessoas? — sugeriu Hale, olhando para os demais. — Se for possível, eu gostaria de ver o rosto delas. E vocês?

— Se for possível, seria ótimo — concordou Pumzinho com Hale e acrescentou para todos: — Eu pensei o mesmo. Se memorizarmos os rostos, se tentarem nos causar problemas de novo, basta reconhecê-los e estaremos prevenidos.

— Mas eles não apareceram todos ao mesmo tempo na cena do crime, certo? — perguntou a soldado Elizabeth ao Chefe.

— Certo, não vieram juntos — confirmou o Chefe.

— Só conseguimos reviver o cenário de um único momento? — questionou Elizabeth a "Esqueleto".

— Apenas um — respondeu "Esqueleto", levantando um dedo.

— Ver ao menos um rosto já estaria bom — insistiu Pumzinho, sem desistir de sua ideia. Deu de ombros e disse a todos: — Melhor do que não reconhecer nenhum. Se identificarmos um, seguimos a trilha e encontramos os outros oito.

— Você consegue determinar o momento exato em que essas nove pessoas entraram na cena do crime? — perguntou Raio de Fogo ao Chefe. — Minutos, segundos? — Olhou para "Esqueleto", que confirmou com um gesto.

— Ah, chefe, isso é impossível — riu o Chefe, apontando para os próprios olhos. — Não é algo que um ser humano possa determinar.

— Precisa ser tão preciso? Não serve um intervalo de tempo? — Pumzinho, contrariado, pressionou a caixa e perguntou a "Esqueleto".

— Claro que serve, desde que você estime corretamente — respondeu "Esqueleto" sorrindo. — Basta garantir que o acontecimento desejado ocorra dentro desses cinco minutos e não tem erro.

— Hum, de repente sua tal caixa do tesouro parece uma geringonça inútil — reclamou Pumzinho, desapontado, espreguiçando-se e afastando-se do círculo. — Se for para reviver cenas de até cinco minutos, então pra que serve essa geringonça? Não tem graça. Continuem aí, vou descansar um pouco — disse, sentando-se junto à parede, entediado.

— Se houvesse como carregar mais energia no aparelho, poderíamos aumentar a faixa de tempo — comentou "Esqueleto", olhando para Pumzinho e depois para todos. — Além disso — continuou, batendo no aparelho de energia e tocando no painel de controle —, existem dezenas de configurações possíveis. Só consegui entender as mais simples, de tempo e local; as outras ainda estou estudando. — Olhou para o doutor Lis encostado à parede. — Creio que em breve poderemos definir parâmetros com mais facilidade e precisão, e ver exatamente o que queremos.

— Assim já está ótimo, não ligue para ele — disse Teresa, achando Pumzinho exigente demais. Quando olhou para ele, Pumzinho revirou os olhos, fingindo indiferença.

— Bem, não estamos aqui para solucionar nada desta vez, só queremos ver como funciona a caixa do tesouro — ponderou Raio de Fogo após pensar um pouco. Virou-se para "Esqueleto": — É só um teste. Aqui é a sala de reuniões, podemos procurar uma ata, não é difícil. — "Esqueleto" concordou e Raio de Fogo continuou: — Qualquer caso serve, de tal hora a tal hora houve uma reunião de análise de caso aqui; tudo está registrado. Daí, assistimos à cena e confirmamos que a reprodução original é possível.

— Vou à sala de arquivos procurar — disse Teresa, indo para a porta.

— Eu vou com você — Melvin apressou-se a acompanhá-la.

— Certo, vou pesquisar as coordenadas deste local no computador — disse "Esqueleto" a Raio de Fogo, indicando o chão. — Isso é fácil e preciso. — Raio de Fogo assentiu e "Esqueleto" saiu da sala.

— Ah, meu Deus — exclamou Pumzinho, achando tudo antiquado e, com um ar entediado, tentou convencer os outros: — Isso é muito ultrapassado. Sinceramente, não vejo nada de alta tecnologia nisso. Acreditem, não criem expectativas. É bem provável que não vejamos nada!

Dez minutos depois, Teresa trouxe uma ata e entregou a "Esqueleto". Ele já havia inserido as coordenadas exatas da sala no painel de controle. Olhou para o horário registrado, leu em voz alta e perguntou a Raio de Fogo:

— Oito de dezembro de 2018, das três e meia às cinco e dez da tarde. Coloco às quatro horas? Com esse horário, é certo que havia gente, a menos que tenham feito só o registro, sem reunião.

— Quatro horas, pode inserir — confirmou Raio de Fogo, indicando ao redor. — Onde devemos ficar para assistir?

— Melhor encostarem-se à parede — instruiu "Esqueleto", depois de configurar o horário e pensar um pouco. — Os policiais não ficariam todos junto à parede, certo? — Apontou para o centro do cômodo. — Eles provavelmente estavam reunidos aqui. Antes havia mesas e cadeiras, certo?

— Sim, depois usamos tudo para alimentar a lareira — respondeu David, indo para a parede.

— Então, vou começar? — "Esqueleto" esperou todos se posicionarem junto à parede e perguntou a Raio de Fogo, que, notando o nervosismo geral, fez um sinal para prosseguir.

— Certo — respondeu "Esqueleto", embora ele fosse o mais nervoso de todos. Inspirou fundo, apertou o botão de início e rapidamente recuou alguns passos, como se temesse uma explosão. Só ele sabia que, se o aparelho explodisse, seria devastador.

O aparelho de energia começou a alimentar a caixa do tesouro, que emitiu um zumbido. Logo depois, com um estalo seco, seis esferas de luz saltaram do topo da caixa, do tamanho de castanhas. Uma era laranja, cinco azul-turquesa. As seis formaram um círculo, paralelo ao topo da caixa, e permaneceram imóveis por três segundos. Então se expandiram e começaram a girar. Na lateral da caixa, surgiram dezoito pequenas janelas igualmente espaçadas, emitindo uma luz azulada e misteriosa...