Cento e Nove, o Caçador de Assassinos (Parte Cinco)
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— Há gravações de vigilância na porta — disse o delegado ao ouvir a conversa entre o chefe e Raio de Fogo, enquanto informava os dois sobre a situação do local conforme apurado pela delegacia. — Conseguimos registrar algumas imagens do assassino.
— Ah, que ótimo — Raio de Fogo respondeu animado, apontando para a marca branca no sofá. — A vítima foi morta aqui, certo? — O delegado confirmou com a cabeça. Raio de Fogo fixou o olhar nas manchas de sangue no encosto e continuou: — O que vocês descobriram até agora? Contem-me.
— O assassino usava um capacete preto opaco de motociclista, uma jaqueta preta de piloto; não foi possível identificar sua identidade. Ele provavelmente se passou por entregador para enganar e abrir a porta — explicou o delegado.
— Ah? Ainda tem entrega aqui? Muito bom — comentou Heuer, levantando uma sobrancelha e suspirando, como se fosse transportado no tempo, sentindo uma saudade quase etérea.
— Do portão até o sofá não há sinais evidentes de luta ou resistência — avaliou o chefe, observando os objetos próximos do sofá.
— Ele deve ter ameaçado B com uma arma para que ela confiasse nele — Raio de Fogo conjecturou. — “Se fizer o que eu mandar, não te machucarei.”
— Uma verdadeira “queda que traz arrependimento eterno”, não é? — Teresa suspirou, olhando ao redor. — É assim que vocês dizem no país do Porcelana? — perguntou a Raio de Fogo.
— Exatamente, “ao olhar para trás, um século já se passou” — respondeu Raio de Fogo, sorrindo discretamente para Teresa. Apontou para ela, acrescentando que Teresa adorava ouvir seus versos, assim como a mãe da histórica figura Fang Shiyu do país do Porcelana; ao ouvir poesia, ela ficava arrepiada, com olhar sedutor.
Ao perceber o olhar estranho de Teresa, Raio de Fogo desviou os olhos rapidamente, fingindo não ter notado. Heuer coçou o nariz, o chefe tossiu disfarçadamente, e apenas “Esqueleto” continuava focado no caso, alheio à cena.
“Esqueleto” aproveitou a deixa e perguntou ao delegado: — Este incidente ocorreu dentro de um ambiente fechado; os outros dois, foram ao ar livre, certo?
— Isso mesmo, só este foi dentro de casa — respondeu o delegado, lançando um olhar para Teresa, recém-saída da autópsia de três corpos, e sem pensar muito, continuou: — Os outros dois aconteceram ao ar livre, um na praia... outro em frente a uma sala de massagens.
— O assassino não precisa necessariamente matar dentro de casa, nem no sofá; ele escolheu locais externos, e esses locais não são fixos — “Esqueleto” assentiu e prosseguiu com sua análise. — O assassino poderia ter simplesmente aberto a porta e disparado contra B, mas por que não fez isso?
— Considerando nossa hipótese anterior, o assassino imagina ser o amante ou protetor de Maggie — Raio de Fogo franziu o cenho e explicou ao grupo. — Então B é quem ele mais odeia. A só ajudou B, C só se parece muito com Maggie, e B é aquela que roubou a atenção principal de Maggie — fez o gesto de atirar na cabeça sobre a marca branca no sofá. — Por isso o assassino quis executar B da forma mais severa possível. Podemos até imaginar — indicou a porta — que, nesse espaço fechado onde a porta pode ser trancada, o assassino deve ter dito algumas palavras a B antes de matá-la, explicando por que iria matá-la.
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— Um veredicto, um julgamento formal — “Esqueleto” olhou para a porta e resumiu.
— Essas palavras certamente carregam muitas informações — Heuer olhou ao redor e resmungou.
— Infelizmente não há câmeras nem gravações de áudio dentro de casa — o delegado também observou o ambiente e respondeu a Heuer. — Então, ainda há algo mais que queiram ver?
— Já basta — Raio de Fogo olhou para os repórteres que ainda fotografavam do lado de fora da janela, franziu o cenho e lançou um olhar para Teresa e os demais, que todos assentiram. — Aqui não há mais nada para examinar — disse, dirigindo-se para a saída.
— Para onde vamos agora, à praia ou para fora da sala de massagens? — o delegado fez um sinal para os policiais próximos da porta abrirem caminho e perguntou a Raio de Fogo.
— Ainda tem aquela marca no chão, sem nenhuma evidência, certo? — Raio de Fogo saiu pela porta e questionou. O delegado, vendo os jornalistas que tentavam escutar, balançou a cabeça em negação.
— Tem fotos da cena? — Raio de Fogo caminhava em direção ao jipe enquanto perguntava.
— Temos — o delegado respondeu com palavras simples.
— Então vamos tomar um drinque — Raio de Fogo entrou no carro, fechou a porta e suspirou para o delegado no banco da frente. — Sob vento, sol, chuva e pisoteio, não haverá mais descobertas.
O delegado olhou para Raio de Fogo, assentiu e ordenou ao motorista: — Chinatown, “Crepúsculo do Bordo”!
No restaurante “Crepúsculo do Bordo” em Chinatown, os oficiais sentaram-se em uma mesa redonda perto da janela, coberta por uma toalha vermelha vibrante, dando um ar festivo ao ambiente. Não era só “Esqueleto” e Heuer; exceto pelo delegado, todos sentiram uma estranha sensação de deslocamento no tempo, como se o mundo tivesse voltado ao período antes da tragédia.
— Ei, senhor Raio — o delegado chamou Raio de Fogo, que estava absorto, sorrindo. — Pensando no caso, ainda?
— Ah? — Raio de Fogo despertou instantaneamente, olhou para os que também voltaram à realidade e sorriu para o delegado. — Sim, esse caso é fascinante, às vezes me perco nele, hehe!
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— O que vamos pedir? — o delegado, claramente habituado, estava descontraído, pegou o cardápio e entregou a Raio de Fogo.
— Então, vamos de carne de porco assada com molho — Raio de Fogo não conseguiu recusar e aceitou o cardápio, folheou rapidamente e escolheu algo ao acaso, devolvendo o cardápio sorridente ao delegado. Este passou para Teresa, que por sua vez o fez circular entre todos, até que voltou para o delegado. Ele escolheu os dois pratos mais caros e completou a mesa para oito pessoas, entregou o cardápio ao garçom, perguntou o que iriam beber e comunicou os pedidos das bebidas. O garçom repetiu tudo para confirmar, fez uma leve reverência e saiu para fazer o pedido.
— Como vocês pagam aqui? — Raio de Fogo perguntou ao ver o garçom sair.
— Com yuan de arroz — o delegado tomou um gole de chá e sorriu. — Claro, colocamos selos especiais do Estado nesse yuan; não é qualquer yuan do mundo que pode ser usado no Império de Yan.
— Eu queria pagar — Raio de Fogo bateu no bolso e depois abriu as mãos com humor. — Mas não temos yuan de Yan, só podemos ficar olhando — olhou para os outros e riu. — Acho que vou ter que pedir fundos para o imperador para investigar.
— Haha, não se preocupe — o delegado pegou o bule de chá e serviu Raio de Fogo, sorrindo. — Eu também estou usando verba oficial; o rei já organizou tudo, as despesas da investigação correm por conta do Império Yan. Ele me encarregou disso — tentou servir Teresa, mas ela agradeceu e preferiu servir a si mesma, pegando o bule. O delegado sentou e disse a Raio de Fogo: — Quando terminarmos esse caso, algo especial nos espera!
— Haha, muito obrigado — Raio de Fogo sorriu. — O rei é muito gentil. Ah, mudando de assunto — apontou para a lâmpada sobre suas cabeças — aqui tem eletricidade, que incrível! Tem que pagar por isso?
— Claro, mas não é muito caro comparado antes — o delegado explicou. — Afinal, a usina nuclear precisa de funcionários para funcionar corretamente!
— Antes eu não dava muita importância, mas agora vejo que a usina nuclear é o maior milagre da história da humanidade — Raio de Fogo olhou para “Esqueleto” e mudou o assunto para a eletricidade, virando-se para que o garçom servisse os pratos enquanto perguntava ao delegado: — Onde fica a usina? Podemos visitá-la?
— Ah, a usina nuclear fica bem longe da cidade — o delegado servia um pouco de vinho para Raio de Fogo e explicou. — E envolve segurança nacional, não é para te impedir, é que não é permitido visitar.
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