Sessenta e nove, impossível parar
— Está bem, vou me esforçar ao máximo, e além disso preciso conversar mais com o doutor Lis, espero conseguir extrair dele algo de valor — respondeu Caveira, assentindo para Leiyan, e olhando para o doutor Lis, que estava encostado na parede com um ar abobalhado, acrescentou: — Quem dera o doutor Lis pudesse recobrar a lucidez.
— Vou ficar atento, vou ver se nas farmácias da Grande Qin há algum medicamento para transtornos mentais — disse Leiyan a Caveira. — Tomara que sim, esses remédios não são fáceis de conseguir, não é como aspirina. Farei o possível o quanto antes, e você também dê o seu melhor — Leiyan olhou para o doutor Lis e suspirou. — Além da questão do baú, desejo sinceramente que o doutor Lis melhore.
— Seria ainda melhor se conseguíssemos um especialista em doenças mentais para avaliá-lo — comentou Pijim, com tom sarcástico, mas não conseguiu conter-se e deixou escapar a fala.
— Isso é melhor nem pensar — suspirou Heil, pegando a deixa e, enquanto fatiava carne com a faca, continuou: — Com estes tempos difíceis, se conseguirmos algum remédio já é sorte, quanto mais um médico especialista. Só de pensar nisso já é maluquice sua!
— Ora, eu mesma posso te tratar — Teresa, que ouvia de lado, divertiu-se e disse rindo para Pijim: — Pode deixar comigo! Garantido!
— Não, não! — Pijim sacudiu a cabeça como um tamborim, fechando os olhos em firme recusa. — Tenho medo que você me corte em pedaços e depois não consiga costurar de novo. Se estou doente, prefiro aguentar!
Todos riram alto e o ambiente ficou muito mais leve.
— Ah, o livro, traga aqui — disse Leiyan, dando um gole de vinho e batendo na testa, estendendo a mão para Teresa.
— Sim, só um instante — ambos já tinham esse entendimento silencioso; assim que Leiyan falou, Teresa correu até a parede, pegou um volumoso livro e entregou nas mãos de Leiyan. Todos observavam curiosos, sem saber que tesouro era aquele.
— Chefe, desta vez todos acompanharam de perto o caso. Eu e Teresa já conversamos sobre isso — Leiyan entregou o livro com ambas as mãos ao chefe, que parecia surpreso, e declarou com confiança: — Você é o especialista em vestígios, este livro deve ser seu, daqui em diante, essa área é sua responsabilidade.
— "Estudos de Vestígios" — leu o chefe, recebendo o livro.
— Isso mesmo, você é o verdadeiro profissional nessa área — disse Teresa sorrindo ao chefe, que estava um pouco desconcertado. — Com esse manual técnico, seu desempenho será ainda mais extraordinário, parabéns! — E estendeu a mão, recebendo o cumprimento do chefe.
— Ouvi tudo que aconteceu com você — Leiyan também apertou a mão do chefe, e tirando um pacote debaixo da mesa, colocou-o à sua frente, sorrindo e indicando com o dedo: — Abra, veja!
O chefe, há muito não recebendo tanta atenção, estava emocionado. Assentiu para Leiyan e, querendo abrir o pacote, ficou sem saber o que fazer por um momento, pois tinha o livro nas mãos. Após alguns segundos de hesitação, entregou o livro à esposa, Leslie, e abriu o pacote à sua frente. Seus olhos brilharam ao olhar para Leiyan: — Isso tudo é para mim?
— Exatamente, é sua recompensa, tudo seu — respondeu Leiyan sorrindo.
Todos se aproximaram para ver; o pacote continha uma dúzia de cervejas "Sabores do Mundo", um grande pedaço de carne de boi embalado a vácuo e um pão integral inteiro. Todos ficaram invejosos e parabenizaram o chefe.
— Uau, que prêmio generoso, só por analisar pegadas? — Pijim olhou para o conteúdo do pacote, morrendo de inveja, e resmungou com um tom amargo: — Se eu soubesse, teria me agachado para ver primeiro. Quando ia roubar galinhas na aldeia vizinha, também costumava analisar pegadas, entendo do assunto... Ah! Nem fale, você tirou a sorte grande — suspirou profundamente, apertou a mão do chefe e o felicitou: — Valeu a pena criar cavalos, hein! Parabéns, parabéns!
— Nunca criei cavalos, mas deixa pra lá — o chefe quis retrucar, mas o sucesso à sua frente o fez ser magnânimo e respondeu sorrindo: — Obrigado! Vou me empenhar ainda mais!
— Eh, não precisa, só até aqui já está bom — Pijim, embora já estivesse satisfeito, ao ver o que havia no pacote do chefe não pôde evitar engolir em seco. Ao ouvir o chefe dizer que se esforçaria ainda mais, assustou-se e apressou-se em dissuadi-lo: — Se você continuar se destacando, nós é que vamos ficar sem nada para comer.
Todos riram alto do comentário mesquinho de Pijim.
— Ainda tenho algo para você — disse Leiyan, esperando o chefe passar o pacote, com as mãos trêmulas, para a igualmente emocionada Leslie. Então, tirou do bolso das calças um objeto e o mostrou ao chefe. Todos exclamaram em uníssono: "Uau!" Era um distintivo dourado em forma de hexágono.
— Teresa achou isso na sala de equipamentos — Leiyan prendeu o distintivo no peito do chefe, que ficou tão emocionado que quase chorou. Olhou para Leiyan por um tempo até entender, então, imitando o gesto de policiais em filmes, fez uma saudação para Leiyan — o movimento era desajeitado e cômico, fazendo todos rirem.
Leiyan retribuiu a saudação, com um gesto impecável, claramente profissional. Ao verem aquilo, todos sentiram um súbito respeito solene e tiveram a sensação de fazer parte de uma grande missão.
— Aproveito para anunciar a todos: quem, no futuro, se destacar como o chefe, além de receber recompensas especiais, ganhará também um distintivo. Espero que todos usem sua inteligência para conquistar novas vitórias nos dias que virão! — Leiyan pediu ao chefe que se sentasse, abriu os braços e dirigiu-se a todos. O grupo, animado, respondeu com uma salva de palmas.
— Melhor guardar o distintivo — Pijim sussurrou ao chefe.
— Por quê? Eu queria até dormir com ele no peito — retrucou o chefe, contrariado.
— Olha, aqui dentro tudo bem usar por um tempo — Pijim, vendo que o chefe não entendia, sentiu-se irritado e explicou: — Lá fora é melhor não usar. Se fizer questão, pelo menos esconda sob o casaco.
— Como assim? Não entendi — o chefe, cada vez mais encantado com o distintivo, olhava fixamente para ele.
— Lá fora está cheio de criminosos perigosos. Antes, ninguém conhecia ninguém e tudo bem — Pijim inventou —, mas se sair com um distintivo desses, mostrando quem é, esses caras vão ficar de olho, vão querer dar um jeito em você, vão pensar que veio prendê-los. Ser policial é perigoso, é uma profissão arriscada! Só estou pensando no seu bem!
— Quem disse que ser policial não vale a pena? — Uma voz veio da porta da sala de reuniões. Um homem entrou, trajando uniforme policial, olhando para Leiyan e os demais com um sorriso. — Com uma delegacia, tudo muda, não estaremos mais sozinhos!
Todos reconheceram o observador do Reino da Grande Qin — aquele mesmo de antes. Agora, nomeado pelo rei como primeiro delegado da capital, viera no segundo dia de posse à delegacia de Galinha da Serra. Não era só Leiyan; todo o grupo suspeitava que teriam de ceder o espaço e mudar de lugar.
Leiyan e os outros, experientes no mundo, cumprimentaram calorosamente o novo delegado, desejando-lhe sucesso e muitas promoções.
— Isso é só o começo — disse Leiyan, apertando a mão do delegado como se fosse a de um amante, sem largá-la, elogiando: — Em breve, delegacias surgirão por todo o Reino da Grande Qin. E aqui será a primeira, a mais antiga, com os maiores méritos. Certamente será promovida a Ministério da Segurança Pública. Não se esqueça de nós quando chegar lá!
— De forma alguma! Está só começando, só começando — o delegado, sorrindo até não caber mais de felicidade, finalmente soltou a mão de Leiyan e, seguindo a etiqueta do Reino da Porcelana, fez uma saudação a todos. — Depois, conto com o apoio dos irmãos!
— Se precisar de alguma coisa, basta mandar alguém chamar, não precisava vir pessoalmente — disse Leiyan, olhando para os sorridentes ao redor e para os dois assistentes do novo delegado. — Fique tranquilo, assim que houver outro local, mudamos imediatamente.
— Mudar? Que bom — o novo delegado avaliou a sala, assentiu, mas logo franziu a testa, intrigado: — Mas por que precisam mudar?
— Ué? O senhor veio pessoalmente, não é para pedir que mudemos? — Leiyan e os outros trocaram olhares, um pouco confusos. — Agora toda a segurança do prédio está nas mãos da Guarda Real da Grande Qin; achei que viesse para nos pedir o espaço.
— Não, isso fica a critério de vocês. Se quiserem mudar, mudem; se não, fiquem. Eu procuro outro lugar. — Ao dizer isso, o novo delegado ficou com semblante preocupado. — Vim a mando de Sua Majestade para pedir a ajuda do senhor Lei. Aconteceu algo grave!
— Aconteceu algo com Sua Majestade? — Todos, preocupados com a promessa de um mês de boa alimentação, ficaram alarmados.
— Não com Sua Majestade, mas com um amigo dele — o delegado olhou ao redor, baixou a voz como se temesse ser ouvido. — Um amigo importante do rei foi amarrado a uma bomba. Se não conseguirem desarmar em poucas horas, ele será reduzido a pó!...