113, O Perseguidor (9)
“Talvez esse seja o modo de comunicação no mundo do entretenimento,” Leiyán observava algumas pessoas próximas admirando pinturas e comentou para “Pizheng”, “não precisa interpretar tão profundamente.”
“Pode ser. Esse empresário L, se continuar enrolando com a Maggie, não vai adiantar nada,” Pizheng, fingindo analisar uma obra, respondeu a Leiyán. “Então ele saiu do set sozinho, ficando a apenas uns dez passos de Maggie. Lá, encontrou a assistente pessoal dela, Jimi.” Pizheng virou-se surpreso para Leiyán e disse: “L começou a paquerar Jimi também. Quando L se foi, Jimi brincou com Maggie dizendo que L era um sujeito estranho.”
“Hm, parece que esse empresário não tem muita moral,” Leiyán achou as informações de Pizheng pouco relevantes, ergueu os olhos e viu um repórter tirando fotos por ali, mas não deu muita atenção. Continuou perguntando a Pizheng: “Maggie conversa com muita gente, você está sempre perto, certo? Ela mencionou algo estranho que tenha acontecido recentemente? Algo que ela tenha achado realmente esquisito?”
Leiyán franziu a testa, mexeu as mãos e esclareceu: “Não me refiro a todas as pessoas estranhas ao redor dela — Maggie já deve estar acostumada com isso. Quero dizer algo que ela mesma tenha achado realmente estranho.”
“Ela disse que nada era estranho, mas eu acho tudo estranho,” Pizheng, ao ver um casal elegante se aproximando, fingiu estar concentrado na pintura, deu um leve empurrão em Leiyán para chamar sua atenção. Leiyán parou de observar distraidamente e voltou a apreciar a “obra principal” à sua frente, dizendo para o “Caveira” atrás dele que a pintura estava ótima. Pizheng, lembrando da pergunta, falou baixinho: “Seja mais específico.”
“Por exemplo, ela já comentou se anda recebendo ligações de assédio que caem direto ou presentes anônimos?” Leiyán perguntou baixinho no ouvido de Pizheng.
“Posso?” Antes que Pizheng respondesse, o casal já estava ao lado deles. Ao verem Pizheng e Leiyán franzindo a testa enquanto analisavam duas pinturas gêmeas, uma masculina e outra feminina, trocaram um olhar de dúvida e, muito educadamente, perguntaram:
“O que podemos?”
Pizheng e Leiyán ficaram confusos, viraram-se para eles e perguntaram ao mesmo tempo:
“O que podem?”
“Podemos entrar?” O casal, vendo a hesitação dos dois, olhou para as pinturas à sua frente e completou.
“Ah, claro,” Leiyán e Pizheng recuaram dois passos para que o casal pudesse passar. Na mente deles, pensaram que esses dois eram mesmo estranhos — tinham espaço para andar, mas preferiam passar bem na frente deles, um verdadeiro incômodo.
O casal lançou um olhar estranho para Leiyán e Pizheng, como se fossem super-heróis. A mulher empurrou a parede onde estava pendurada a “obra feminina” de Pizheng e entrou, desaparecendo do outro lado. O homem fez o mesmo com a parede onde Leiyán estava, entrou também, e a parede se fechou sozinha, voltando ao normal.
O “Caveira” entendeu o que estava acontecendo e riu escondido, sem dizer nada. Apesar de Leiyán e Pizheng terem analisado as pinturas por tanto tempo e discutido bastante, eles ainda não acreditavam totalmente até que mais duas pessoas entraram pelas paredes, confirmando que por trás das pinturas havia os banheiros masculino e feminino.
“O que está acontecendo ali?” Pizheng olhou para o “Caveira”, que ainda ria, e para Leiyán, que estava com uma expressão desconfortável como ele. Ao olhar ao redor, rapidamente encontrou um novo foco para mudar de assunto: o dono da galeria, Rick, repreendia com raiva um repórter que tirava fotos, empurrando-o para a saída. Pizheng imediatamente apontou para Leiyán e foi até Rick e o repórter.
“Vamos ajudar,” Leiyán, ansioso para sair daquela situação embaraçosa, chamou o “Caveira” com um gesto e também se aproximou de Rick.
“O que aconteceu?” Pizheng perguntou a Rick, fingindo interesse. “Quer chamar a polícia? O delegado está aqui!”
“O repórter causou problemas,” Rick resmungou. “Tirar foto das obras é imperdoável.” Olhando para Maggie e o artista Vinci, continuou com raiva: “E ainda ficou tirando fotos deles sem parar, que absurdo.”
“Quem é esse cara?” Teresa, que estava ao lado do delegado, perguntou ao grupo.
“Ele é o repórter de fofocas mais odiado do filme ‘Com Você Vivo’,” o delegado explicou para Teresa. “É um paparazzo! Se ele conseguir alguma informação, amanhã vai sair em todas as manchetes. As celebridades desse filme o detestam, ele sempre consegue exclusivas secretamente.”
“Não dá para prendê-lo?” Leiyán perguntou ao delegado.
“Não é crime grave. Prende, solta, solta, prende,” o delegado suspirou. “Esses caras são espertos, não respeitam a polícia. É uma questão de interesse. Melhor evitar, não tem jeito.”
Não se sabe por que, a sedutora artista Vinci lançou um olhar de canto para Teresa, que fingiu não notar, olhando para o teto. Após uma breve conversa, o grupo se dispersou. Teresa puxou Leiyán para um canto, dizendo que havia algo importante para contar, em segredo.
“O que é?” Leiyán viu a expressão misteriosa de Teresa e, achando que ela tinha descoberto algo, olhou ao redor com cuidado e falou em voz baixa.
“A amiga da Maggie é lésbica,” Teresa disse olhando para o chão.
“Ah? Qual amiga?” Leiyán ficou surpreso e perguntou baixinho.
“Quem mais, senão a artista Vinci,” Teresa respondeu, batendo o pé e arrependida. “Quando elas chegaram e falaram com você, eu fiquei observando de leve,” continuou, “mas ela percebeu.”
“Você olhou para ela, ela olhou para você, e isso é ser lésbica?” Leiyán olhou para Maggie e Vinci ao longe, franzindo a testa.
“Claro que não. Se fosse assim, eu teria paranoia,” Teresa lançou um olhar furtivo para Vinci e rapidamente desviou, com medo de ser descoberta. “Eu estava admirando uma pintura, não achei nada especial, só olhando de passagem,” disse Teresa balançando a cabeça. “Então Vinci se aproximou e disse que aquela era uma obra recente dela, perguntou se eu achava a pintura comum. Na hora, não notei o jeito estranho como ela me olhava,” Teresa revirou os olhos e fez uma careta. “Eu dei minha opinião de qualquer jeito, e ela ficou toda apaixonada. Ah, eu que falei demais!”
“O que você disse?” Leiyán, segurando o riso, perguntou enquanto observava a situação entre Teresa e Vinci.
“Eu disse que não via assim,” Teresa balançou a cabeça com um sorriso amargo. “Uma pintura não é só uma pintura. Você tem que olhar da maneira certa, porque ela esconde uma visão de mundo, emoções e o inconsciente. Ai!” Teresa suspirou, olhou para Vinci e continuou, “quando disse isso, devia ter percebido a expressão estranha, quase lasciva dela. Agora já era.”
“O que Vinci te falou?” Leiyán riu, curioso, e perguntou.
“Ela disse que não gosta de homens, gosta de mulheres charmosas,” Teresa revirou os olhos lembrando. “Falou que quando entrou percebeu que eu a olhava de um jeito diferente, e que sentiu algo especial no meu olhar.” Teresa bufou por causa da interpretação errada de Vinci e continuou: “Disse que se não fosse por sua parceira ficar de olho, ela teria tentado ficar comigo. Você acha que isso não é uma sedução descarada?”
“Ah, quando falou isso, o olhar dela era lascivo?” Leiyán bateu na própria testa e riu, achando inacreditável.