Cento e dezessete, o Caçador de Vingança (Treze)
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— Não temos escolha. Ainda precisamos seguir pelo caminho mais curto. Se partirmos à uma hora, conseguiremos voltar às quatro e meia — disse Raio Flamejante, depois de ouvir as opiniões de Esqueleto e Goblin. Permaneceu em silêncio por um longo tempo, então dobrou o mapa e o colocou de lado antes de dizer aos demais: — Como diz o ditado: “Quem não entra na toca do tigre não captura seus filhotes.” Se encontrarmos dificuldades, daremos um jeito de superá-las. A caixa preciosa pode ser usada durante sete ou oito horas; esse prêmio vale o risco.
— Exato. Você mesmo já disse: “Quando há dificuldades, devemos enfrentá-las; quando não há, devemos criar algumas para enfrentar.” — Goblin pegou outra mão de cartas muito boa e caiu na gargalhada. — No pior dos casos, quando passarmos pelo quartel, basta não usarmos o carro.
— Isso. De qualquer modo, além da caixa preciosa, não há nada muito pesado para carregar — disse Balak, um velho soldado acostumado a marchas forçadas com carga, enquanto pegava as cartas. — Dez quilômetros não levam nem uma hora.
— Isso vale para você, claro. Humpf! Você é um veterano experiente; você e Hélio não terão problemas — disse Érico a Balak, depois de olhar para todos. — Carregar quinze quilos?
Érico olhou para Hélio, que sorriu e assentiu. Então continuou:
— Além do chefe, que parece feito de ferro, temo que os outros não consigam. — Como ninguém dizia nada, Érico prosseguiu: — Portanto, nesse trecho em que não poderemos usar o carro, contar apenas com as pernas de todos não vai funcionar.
— Se me derem alguma coisa boa para comer, talvez eu consiga — disse Goblin, arrumando as cartas nas mãos e sorrindo, sem querer admitir a derrota. — Quando eu ficar cansado de correr, Hélio e Balak podem me carregar como bagagem por um tempo. Assim vamos chegando, assim voltamos também. He, he!
— Pode esquecer — respondeu Hélio, que imediatamente recusou a ideia de carregá-lo. — Você pesa uma tonelada. Se não acontecer nenhum imprevisto, nós é que morreremos de cansaço no caminho antes de chegar!
— Ir de carro não dá. O barulho seria grande demais — disse Esqueleto. Todos riram juntos, e então ele expôs sua opinião: — Pensei no assunto. Ir carregando as coisas, caminhando ou correndo… Sem falar ainda do esforço físico…
Goblin o interrompeu, dizendo que Esqueleto certamente não conseguiria, o que provocou uma gargalhada geral. Esqueleto continuou:
— É verdade. No fim, provavelmente serão vocês que terão de me carregar. Ha, ha! Mas não é disso que quero falar. Quero falar do tempo. Fiz alguns cálculos mentais agora há pouco. Num ritmo normal… — Esqueleto olhou para Balak. — Uma hora certamente não será suficiente.
Balak perguntou quanto tempo seria necessário.
— Pelo menos três horas, se todos correrem o mais rápido possível e nada der errado — respondeu Esqueleto, erguendo três dedos.
— É mesmo. Se houver alguém que não consiga correr… — Davi assentiu, jogando um par de cincos. — Não serão apenas três horas; cinco horas já seriam consideradas rápidas.
— Meu cálculo pressupõe que todos consigam correr e que avancemos no ritmo de Hélio e Balak — disse Esqueleto a Davi, com um sorriso amargo. — Foi uma estimativa otimista. Na realidade, não conseguiremos manter esse ritmo, especialmente à noite, quando nem sabemos se o caminho será plano.
— Acho melhor o senhor não ir — disse Goblin, jogando um par de dez e sorrindo para Davi. — Se o senhor for, voltar em sete horas já será motivo para acender incenso aos deuses.
Todos riram. Davi disse que provavelmente não iria, não por medo, mas porque não queria atrasar os demais. Todos concordaram.
— Esse último trecho perigoso certamente não poderá ser percorrido a pé ou correndo — analisou Teresa, enquanto observava os outros jogarem cartas. — Será à noite, e passaremos por um quartel do Império da Grande Andorinha. Não sabemos que imprevistos poderão surgir. Se gastarmos energia demais, não conseguiremos reagir. Quando o corpo se esgota depressa, a mente também deixa de funcionar bem, e é muito fácil tomar decisões erradas.
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— Pensei bastante. Precisamos encontrar uma solução intermediária — disse Raio Flamejante, depois de permanecer em silêncio por um longo tempo e ouvir a opinião de todos. — Não podemos usar o carro: ele seria um alvo grande, faria muito barulho e seria difícil escondê-lo. Nesse trecho do quartel, dirigir está fora de questão — concluiu. — Também não podemos ir a pé. Seria lento demais e consumiria energia demais. Se encontrarmos mortos-vivos ou algum outro problema, talvez nem consigamos fugir.
Raio Flamejante lembrou-se do que acontecera na exposição de arte e sorriu para os demais.
— Mas pensei em um meio de transporte. Não é tão rápido quanto um carro, porém faz muito menos barulho, não chama atenção e é muito mais veloz do que caminhar ou correr. Nos últimos quinze quilômetros, usaremos isso…
No dia seguinte, a equipe de Raio Flamejante dividiu-se em duas. Raio Flamejante, Teresa, Goblin, Esqueleto, o Chefe e Hélio foram novamente à delegacia do distrito “Viva com Você” para cuidar do caso. Os demais foram investigar e organizar todos os detalhes da ação noturna.
Às nove e meia, quando Raio Flamejante e os outros chegaram à delegacia no carro oficial, o comissário os aguardava impacientemente com alguns documentos nas mãos.
— O que aconteceu agora? — perguntou Raio Flamejante, pegando o material que o comissário lhe entregava e lendo-o ao mesmo tempo.
Era um pedaço de papel manuscrito, no qual estava escrito:
“Eu fui tão bom com você. Como pôde contar tudo isso à polícia?”
— Maggie recebeu isto pela manhã e ficou apavorada — disse o comissário, diante de Raio Flamejante, erguendo os ombros. — Por isso mandei um agente trazer o bilhete.
— O que você acha? — Raio Flamejante franziu a testa por alguns instantes, depois entregou o papel a Esqueleto, para que verificasse se havia algum significado oculto que ele próprio não tivesse percebido. Em seguida, voltou-se para o comissário: — Não há assinatura, nem impressões digitais, e a análise da caligrafia não revelou nada útil, certo?
— Isso mesmo. Pedi aos policiais que fizessem um pequeno teste com as pessoas próximas de Maggie — respondeu o comissário, olhando para Esqueleto, que examinava o documento. — Quanto à impressão digital e à assinatura, nem é preciso comentar. A análise da caligrafia também não deu resultado. O assassino escreveu deliberadamente de maneira rígida e artificial; é impossível identificar o autor.
— Tenho a sensação de que esse perseguidor começou a ficar insatisfeito — disse Esqueleto, depois de examinar o material. — Ainda não há uma ameaça física concreta, mas sinto que a atitude do assassino está começando a mudar.
— Perseguidor? Mudança de atitude? O que isso significa? — perguntou o comissário, confuso.
— Já não dissemos isso antes? Estamos procurando um assassino de quarto nível. Às vezes ele está lúcido; em outras, sofre com a própria doença mental. É um paranoico delirante — explicou Raio Flamejante, observando os companheiros que passavam o documento de mão em mão. — Ele imagina ser amante de Maggie, acredita que existe entre os dois uma relação amorosa, como um… Como dizer?
Raio Flamejante entrelaçou as mãos, incapaz de encontrar a palavra adequada.
— Um assassino gentil, um protetor misterioso — completou Teresa ao lado dele.
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— Exatamente, alguém assim — disse Raio Flamejante, apontando para Teresa antes de continuar. — Ele sempre acreditou que ele e Maggie se comunicavam por telepatia, que estavam do mesmo lado. Por isso matou sem hesitar todos aqueles que representavam uma ameaça para ela.
Raio Flamejante apontou para as fotografias das três vítimas afixadas no quadro branco e disse ao comissário:
— Mas ele descobriu que Maggie foi à delegacia registrar uma denúncia. Isso o fez acreditar que ela o traiu, e ele ficou extremamente insatisfeito.
— Insatisfeito? O que isso significa? — perguntou o comissário, franzindo a testa.
— Significa que uma insatisfação ainda maior está prestes a surgir — analisou Esqueleto. — Em outras palavras, Maggie precisa começar a se preocupar de verdade com a própria segurança.
— Quando o assassino sente que foi abandonado — continuou Raio Flamejante, desenvolvendo o raciocínio de Esqueleto —, ele atacará Maggie.
— Deveríamos transferir Maggie para um lugar mais seguro — sugeriu Teresa.
Raio Flamejante e os demais assentiram.
— Já falamos com ela, mas Maggie não concordou — disse o comissário, impotente. — Ela afirmou que tem guarda-costas e que as filmagens já chegaram à cena final. Não quer ir embora; quer terminar a última tomada.
— Ah, ela é mesmo dedicada ao trabalho — disse Goblin, erguendo as sobrancelhas com um sorriso. — Pena que este não seja o momento adequado.
— Não há alternativa. Além da equipe, ninguém mais pode entrar no local das filmagens — respondeu o comissário, torcendo os lábios. — Também reforçamos a segurança na entrada. É a única coisa que podemos fazer.
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