Capítulo 105: O filho de um oficial que impõe negócios à força
Depois de dar uma volta pelo mar, e como a pequena enguia havia eletrocutado um tubarão até o fundo do oceano, Ling Yu não quis mais ficar por ali, com medo de que a enguia pudesse acabar eletrocutando outras criaturas. Então, decidiu voltar para casa rapidamente.
Mal chegou, um som estridente de buzina ecoou na porta.
Quem seria tão sem educação assim?
O barulho era realmente irritante, deixando Ling Yu bastante agitado. Ele pensou: será que são aquelas pessoas que vieram para cá por curiosidade, fazendo isso de propósito?
Se não der no jeito suave, partem para o jeito duro?
Ling Yu saiu e viu um carro luxuoso — um Rolls-Royce. Não entendia por que o dono daquela máquina tão cara se aventurava naquele lugar remoto e cheio de árvores; não tinha medo de arranhar o carro com os galhos?
Quando viram Ling Yu, desceram do carro duas pessoas, um homem e uma mulher. O homem vestia roupas modernas, usava óculos escuros e exalava uma arrogância evidente.
A mulher era uma loira de cabelos dourados e cacheados, vestida de forma bastante provocante, também com óculos escuros e maquiagem carregada; se alguém a beijasse, certamente provaria de muitos produtos químicos.
— Você é Ling Yu? — perguntou o homem.
Ling Yu assentiu, sem saber o que eles queriam.
— Sou eu. Vocês me procuram por algum motivo?
— Deixe-me me apresentar, meu nome é Mu Chou, você já deve ter ouvido falar de mim — disse o homem.
Ling Yu respondeu:
— Nunca ouvi falar.
Mu Chou ficou surpreso e descrente, com uma expressão de quem não acreditava no que ouvia. — Não ouviu falar? Meu pai é prefeito da cidade, você tem certeza que não sabe quem eu sou?
Ling Yu entendeu imediatamente. Não era de se espantar que ele dirigisse um carro tão caro — era filho de um político. Mas ele realmente nunca tinha ouvido falar de Mu Chou, então respondeu com segurança:
— Ouvi falar, justamente do que você acabou de dizer.
Droga!
Mu Chou ficou incomodado. — Você não pode colaborar um pouco? Como quer que eu converse com você assim?
— Irmão Mu, ele é um caipira, não saber não é estranho — a mulher falou. — Ling Yu, certo? Eu sou Zhou Yu. Viemos para comprar algo de você, aquelas duas divinas gatas que você tem, eu quero. Dê um preço.
Que direto!
Era óbvio que eles estavam atrás dos seus animais divinos. E Ling Yu, como sempre, recusava a venda, mesmo que fossem filhos de políticos.
— Desculpe, meus animais divinos não estão à venda — disse ele.
— Ling Yu, você é um influenciador, tem um pouco de fama, não quero te causar problemas. Se você vender as duas divinas gatas para minha namorada, talvez possamos ser amigos. Ah, e ouvi dizer que você tem um carro divino, eu também quero. Dê um preço — insistiu Mu Chou.
Que se dane! Acham que sou um camponês fácil de enganar?
Ambos, homem e mulher, agiam em sintonia, com uma postura tão agressiva que não davam chance para um não.
Ling Yu achou graça. Muitos queriam comprar seus animais divinos, incluindo pessoas de famílias tradicionais, mas ninguém jamais foi tão impositivo quanto aqueles dois.
Talvez eles soubessem que ele não cedia com gentileza e, por isso, achavam que ele cederia com força?
— Desculpe, realmente não vendo. Se vocês quiserem assistir às apresentações dos animais divinos, provavelmente será no fim do mês. Quanto ao seu desejo pelo carro, eu já vendi um, e ele está numa ciclovia — você pode tentar pedir emprestado — respondeu Ling Yu, franzindo a testa, mas mantendo a educação na recusa. Afinal, era filho de político e ele não queria arrumar confusão para evitar problemas.
Ele não temia problemas, mas também não os buscava.
— Ei, tem certeza? Hoje essas gatas serão minhas, e o carro também. O preço fica ao seu critério — Mu Chou falou com firmeza, sem aceitar qualquer rejeição.
Justamente naquele momento, um homem da vila passou por ali: era Ling Ye, tio de Ling Yu. Vendo a situação, ele se aproximou para tentar intervir:
— Vocês dois, o Xiao Yu é inexperiente, não sabe por que vieram até ele. Eu sou o tio dele, podemos conversar.
— Tio Ye, não se meta. Eles querem forçar a compra, e eu não quero — Ling Yu falou baixo, pedindo para o tio sair dali para evitar confusão.
Mu Chou falou novamente:
— Você é o tio dele? Então ótimo, eu sou filho do prefeito, Mu Chou. Quero comprar as duas gatas e a bicicleta dele. Ele não quer vender, tio. Melhor você convencê-lo.
Ao ouvir que era filho do prefeito, Ling Ye perdeu toda a confiança. Camponeses têm medo profundo de políticos, ou pelo menos evitam qualquer conflito com eles. A ideia de que o povo não deve brigar contra o governo está enraizada.
Além disso, ele era um simples camponês; enfrentar essas pessoas só traria problemas.
— Xiao Yu, talvez seja melhor aceitar. Você é um domador, pode vender e depois treinar de novo. Não vale a pena brigar com políticos — sussurrou Ling Ye no ouvido do sobrinho.
Ling Yu revirou os olhos. — Tio Ye, você pensa de forma ingênua. Se fosse tão fácil treinar de novo, eu teria vendido sem pensar.
O problema é que esses animais refinados são muito arriscados de vender. Se ficarem muito tempo sem ser alimentados com comida especial, enlouquecem. Eles são tão poderosos que, quando ficam loucos, ninguém consegue controlar.
Pensando no passado, como com o Black Wind, Ling Yu não se atrevia a vender animais refinados assim. Por isso, só alimentava seus pets com comida especial, evitando transformá-los demais.
— Tio Ye, não se envolva nisso. Eu vou resolver — disse Ling Yu com firmeza. Ling Ye até podia temer Mu Chou, mas Ling Yu não tinha medo. Mesmo sem poder ou influência, ele poderia arruinar a reputação do filho do prefeito.
Só porque é filho de político? Olhe aquele carro luxuoso, provavelmente não veio de maneira limpa. Se eu quiser investigar suas ilegalidades, faço isso sem esforço.
— Vocês podem ir embora, eu não vendo para vocês — disse Ling Yu, decidido.
— Amigo, não recuse o convite para beber — Mu Chou falou com uma frieza cruel, como se fosse dono do mundo e tudo estivesse sob seu controle.
— Garoto bonito, se você desagradar o irmão Mu, vai se arrepender — Zhou Yu sorriu de forma insinuante. Parecia um aviso amigável, mas Ling Yu percebeu como uma ameaça.
— Não vendo! Eu é que vou me arrepender se vender — ele perdeu a paciência e ordenou que um enxame de abelhas cercasse a porta.
— Se eles tentarem entrar à força, ataquem! — disse antes de voltar para dentro de casa.
Ling Ye tentou convencer, mas sem sucesso, e foi embora.
Mu Chou e Zhou Yu ficaram ali, sem saber se iriam ou ficavam.
— Irmão Mu, e agora? — Zhou Yu perguntou. Eles não esperavam que Ling Yu simplesmente fechasse a porta e ficasse calado diante das abelhas ameaçadoras. Eles não ousavam entrar, ou virariam comida para as abelhas.
— Hmph, se ele não vender, eu tenho meus métodos — Mu Chou sorriu maliciosamente, parecendo ter uma ideia brilhante.
Quando eles foram embora, Ling Yu finalmente respirou aliviado. Ele sabia que seus animais divinos atraíam a cobiça dos outros, mas os ricos que apareciam geralmente apenas demonstravam interesse, nunca tentavam comprar à força como aqueles filhos de político.
— Que se dane, quem vem com bomba a gente combate, quem vem com água a gente absorve. No fim das contas, não passam de filhos de político — disse Ling Yu, balançando a cabeça.
P.S.: Agradeço muito a generosidade do gênio Cirno! Começou uma nova semana, amigos, contem comigo para dar aquele apoio nos votos! Por favor, votos de recomendação, conto com vocês...