Capítulo 12, Encontro com um Antigo Colega

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2348 palavras 2026-01-30 12:26:59

— Zhang Xuan.

Enquanto ele ainda estava confuso, uma voz simples e provinciana chegou aos seus ouvidos. Não precisava nem olhar para saber quem era, com certeza era o velho colega Yang Yongjian.

Ao ver Yang Yongjian, que parecia mais caipira do que nunca, sentar-se, ele só conseguia pensar em como estava cansado daquele penteado de tranças duplas. Já tinham se passado mais de dez anos, será que ela não conseguia mudar o visual?

Falando sobre essa moça, em sua vida passada ela era dona de uma empresa de comércio exterior em Cidade Profunda, morava em apartamento de alto padrão, dirigia um Mercedes, era uma milionária de verdade.

Quando ele trabalhava como professor, ela sempre cuidava dele, frequentemente repassando trabalhos de comércio exterior para que ele fizesse como bico e complementasse a renda de casa. No fim das contas, em um ano, o dinheiro do bico era maior, e até bem maior, do que o salário oficial.

Apesar de ser rica e deles terem sido amigos de infância, nada mudava a imagem que Zhang Xuan tinha dela: provinciana, de uma simplicidade que beirava a essência, enraizada na alma.

Zhang Xuan pediu duas grandes tigelas de guioza e perguntou:

— O Ano Novo está chegando, por que está aqui? Como desceu da montanha?

Yang Yongjian, vestida com um suéter de lã cinzento, lançou-lhe um olhar repreensivo e respondeu sem rodeios:

— Passou metade das férias e você continua esse desleixado?

Zhang Xuan riu:

— Isso depende da pessoa. Essa sinceridade é só para você, colega de longa data. Já viu eu ser assim com os outros?

Yang Yongjian inclinou a cabeça, olhou para ele com seriedade:

— Acho que é verdade. Com os outros, você é todo cavalheiro, até com a Mi Jian, que é tão bonita, fica tímido e chega a corar.

Desmascarado, Zhang Xuan logo se irritou e retrucou:

— Chega, chega, vai ficar lembrando dessas bobagens do primeiro ano do ensino médio? E, afinal, eu era o único garoto que ficava vermelho na sala?

Vendo que já tinha vencido, Yang Yongjian mudou de assunto na hora certa:

— Hoje de manhã, passei pela porta da sua casa, ia te chamar, mas vi que estavam discutindo, então nem entrei. Está tudo bem agora?

— Está, sim. — Zhang Xuan explicou por alto, depois perguntou: — Você veio à cidade, por que não procurou Du Shuangling?

Yang Yongjian respondeu:

— Ela está na casa da irmã em Changsha, só volta amanhã.

E, curiosa, perguntou:

— Você que está sempre vindo pra cá, não sabia que Shuangling foi pra Changsha? Ou é porque nunca foi atrás dela?

— Muito ocupado, não tive tempo — respondeu Zhang Xuan, sincero.

Meio desconfiada, Yang Yongjian lançou-lhe um olhar de quem sabia de tudo, mas não insistiu no assunto.

Os guiozas chegaram, os dois se calaram e comeram de cabeça baixa. Mesmo sem conversar, não havia constrangimento entre eles, afinal, desde a escola primária eram colegas e amigos; falar mais ou menos não fazia diferença.

Depois de comer, Zhang Xuan fez questão de pagar a conta.

Yang Yongjian, sabendo da situação dele em casa, insistiu para lhe dar o dinheiro assim que saíram do restaurante.

Zhang Xuan franziu a testa e recusou:

— Tantos dias sem nos vermos e já vai ficar com cerimônia?

Yang Yongjian respondeu:

— Entre nós, não precisa de formalidade. Um e cinquenta não é pouco nem pra mim, nem pra você. Quem aqui tá sobrando?

E riu abertamente:

— Sabe de uma coisa? Eu nem ia comer guioza, só entrei porque vi você de olho na dona do restaurante, queria te pegar no flagra. Mas você foi rápido, já pediu uma tigela grande pra mim. A pequena já dava! Que desperdício do meu dinheiro.

Apesar de afiada, ela ainda enfiou o dinheiro na mão dele, e no fim ainda brincou:

— Os dois estamos apertados, e você já está em idade de querer alguém. Melhor guardar o dinheiro pra convidar a futura namorada, porque homem sem grana, depois, até pra arrumar alguém é difícil.

Diante disso, e já conhecendo o jeito dela, Zhang Xuan nem se deu ao trabalho de recusar. Deixou por isso mesmo.

Pouco depois, perguntou, intrigado:

— Notei que você não comprou nada até agora. Veio à cidade só pra passear?

Yang Yongjian respondeu:

— Não, estou esperando meu pai. Ele vem hoje do trabalho extra.

E continuou:

— Melhor você ir pra casa, sua mãe não está bem de saúde, não fique enrolando, volte logo e ajude ela no que puder.

Zhang Xuan ficou sem palavras; desde pequeno era preguiçoso, e isso era verdade. Mas a culpa não era só dele, quando o pai era vivo, a mãe não deixava ele fazer nada.

Naquela época, Yuan Xiuqin não permitia que ele fizesse nada, só deixava ler ou brincar, dizendo que era pra relaxar, ninguém fazia igual.

Depois que o pai morreu num acidente, ele até queria ajudar mais, mas já estava no terceiro ano do ensino fundamental, a escola era longe, os estudos pesados, quase não ficava em casa.

Com pena de deixar a amiga sozinha no frio, Zhang Xuan, depois de comprar veneno de rato, ainda ficou mais de uma hora com ela, até ver o pai dela, que voltava da mina de carvão, descer do ônibus. Só então viu os dois irem comprar mantimentos para o Ano Novo, e pegou a moto de Ouyang Yong de volta para o vilarejo.

No cruzamento, ajudou a descarregar as malas e Ouyang Yong perguntou:

— Aquele cara magro e escuro era o pai da sua colega?

Zhang Xuan confirmou:

— Era, sim.

— Mudou muito, hein? Como ficou tão magro assim?

— Deve ser por causa do trabalho na mina. Ouvi dizer que ele também ficou com hipertireoidismo.

Ouyang Yong se ofereceu:

— Eu levo eles.

Zhang Xuan, curioso, perguntou:

— Para o vilarejo de Yongxing, quanto você costuma cobrar?

— Trinta.

Zhang Xuan ergueu as sobrancelhas:

— Tão caro assim?

Ouyang Yong explicou:

— Isso é caro? Sua colega mora lá nas montanhas, são quatorze quilômetros de estrada perigosa, cheia de penhascos. À noite, nem por mais dinheiro eu subo.

Zhang Xuan balançou a cabeça:

— Melhor deixar, eles não vão querer gastar esse dinheiro.

Ouyang Yong assobiou e sorriu:

— Ela é tão boa aluna, sempre em primeiro lugar, logo vai pra universidade. Eu faço isso como investimento, por sua causa nem cobro dela.

Depois, como se lembrasse de algo, completou:

— Vocês se dão tão bem, se acabarem casando um dia, vão ser uma linda história.

Zhang Xuan fez um gesto de desprezo, dizendo pra ele sumir o mais rápido possível.

Naquela noite, Zhang Xuan, estudando até as duas da manhã, adormeceu sobre a escrivaninha e teve um sonho.

No sonho, três crianças — duas meninas e um menino — ficavam ao seu redor, chorando e gritando “devolve nosso pai”, repetindo sem parar a noite toda. Depois, ao perceber que pedir não adiantava, pegaram facões e vieram para cima dele, ameaçando sua cabeça.

Acordou assustado, ainda sentindo o coração disparado, e passou os dedos pela testa.

Lembrava claramente que as três crianças do sonho eram filhos de sua irmã mais velha na vida passada, cobrando a devolução de Yang Ende.

Malditos pestinhas, como ousam tratar o tio assim? Eu só queria ajudar, dar pra vocês uma família melhor, não entendem?

Dizem que os pássaros escolhem a melhor árvore para pousar, e as pessoas escolhem bons companheiros. Vocês deviam estar satisfeitos, deviam valorizar...

Mas, já nem fazia sentido se consolar assim. Zhang Xuan, meio abatido, olhou pela janela. Já tinha renascido há mais de meio ano, mas ainda guardava lembranças da vida anterior...

ps: Durante o lançamento do novo livro, peço recomendações, votos mensais, contribuições, comentários e investimentos...