Capítulo 49 — Venha comigo, partiremos ao amanhecer
No dia seguinte, durante o almoço no refeitório, Chen Risheng trouxe uma novidade.
Chen Risheng virou-se para Mi Jian e disse: “Mi Jian, você sabia? Aquele idiota que se declarou para você já abandonou os estudos.”
Yang Yongjian foi o primeiro a reagir: “Você está falando daquele veterano Han Qi?”
Chen Risheng assentiu: “Sim! Aquele bobalhão.”
Du Shuangling, com um sorriso delicado, lançou um olhar a Mi Jian e também comentou: “Foi por causa do que Lilith disse para ele?”
“Foi, mas não apenas por isso.” Chen Risheng explicou: “O episódio da declaração à Mi Jian chegou aos ouvidos do tio dele, que o chamou ao escritório, fechou a porta e lhe deu uma bronca das grandes.”
Ao chegar a esse ponto, Chen Risheng baixou um pouco a voz: “Segundo alguns que estavam escutando atrás da parede, nosso vice-diretor ficou furioso desta vez. No escritório, além de gritar feito um trovão e quebrar coisas, ainda bateu no Han Qi várias vezes, até arrancou um dente dele. Vocês imaginam o que aconteceu depois?”
Zhang Xuan, atento, estava ouvindo tudo com interesse, mas a história foi interrompida. Chen Risheng olhava para os colegas de forma misteriosa, aguardando reconhecimento.
Maldição, isso é mais angustiante do que quando as meninas ficam menstruadas.
Zhang Xuan, impaciente, deu um pontapé em Chen Risheng debaixo da mesa: “Para de enrolar, fala logo.”
Chen Risheng sacudiu as calças, percebeu que todos prestavam atenção e, depois de se exibir, acabou contando: “Depois de apanhar, o Han Qi saiu do escritório batendo a porta, foi direto para a estação de trem, pegou o trem para Cidade dos Carneiros sem pagar passagem, e agora sumiu.”
Zhang Xuan ficou intrigado: “Como você sabe tantos detalhes?”
Chen Risheng respondeu: “Meu pai me contou.”
Zhang Xuan olhou para ele, pensativo: “Aquele que escutava atrás da parede não era seu pai, aquele que sabe tudo?”
Descoberto, Chen Risheng ficou sem graça e, irritado, xingou: “Ora essa! Não era só meu pai, todos os professores daquela ala estavam escutando.”
“Ah, os tempos mudaram, as pessoas já não são como antigamente. Ainda bem que nunca fui da turma do seu pai, depois agradece a ele por não me aceitar,” suspirou Zhang Xuan, com uma expressão de alívio.
Chen Risheng, teimoso, retrucou: “Você está querendo culpar meu pai por isso? Por que não fala que é culpa da beleza fatal? Se Mi Jian não fosse tão bonita…”
No meio da frase, Chen Risheng percebeu o constrangimento dos colegas, lançou um olhar furtivo para Mi Jian, que comia tranquilamente, e rapidamente deu tapinhas na própria boca: “Olha só, que língua solta a minha, mereço uns tapas…”
Zhang Xuan também olhou para Mi Jian, mudando de assunto: “Mas eu acho que o vice-diretor ficou tão irritado por causa das palavras afiadas da Lilith. Senão, por que bater no sobrinho justo agora, depois de quatro anos de repetência?”
Yang Yongjian concordou: “Acho que sua explicação faz sentido.”
...
Quarta-feira à tarde.
Quando tocou o sinal da oitava aula, Zhang Xuan recolheu os livros, pegou a mochila já pronta sob a mesa e saiu da sala.
Não avisou Du Shuangling nem os outros para onde ia ou quanto tempo ficaria fora.
Wei Wei saiu do escritório nesse momento, com os braços cruzados: “Vai embora?”
“Sim,” respondeu Zhang Xuan, acenando com a cabeça.
Wei Wei o examinou de cima a baixo e disse: “Venha comigo.”
O convite deixou Zhang Xuan intrigado, mas, após pensar, resolveu segui-la.
Ao chegarem ao segundo andar do alojamento dos professores, Wei Wei abriu a porta e apontou para a mochila preta sobre o sofá: “Leve esta aqui.”
Zhang Xuan ficou um pouco constrangido, olhou para a própria mochila de lona desbotada e percebeu que realmente estava muito velha, quase vergonhosa.
Mas não trocou, explicou: “Obrigado, professora. Prefiro levar a minha. Apesar de ser meio feia, me dá uma sensação de segurança lá fora.”
Wei Wei ficou confusa por um instante, mas logo entendeu: “Você está se prevenindo contra ladrões ou assaltantes?”
Zhang Xuan admitiu sem hesitar: “Tudo que tenho comigo não vale mais que trinta reais, dá para ver que sou um pobretão, esses caras normalmente não se interessam por gente como eu.”
Wei Wei riu, acenou e o despachou: “Tudo bem, vai logo, toma cuidado e volte cedo.”
“Tá,” Zhang Xuan ia responder com uma piada, mas no fim só saiu um “Tá” e partiu feliz.
...
Não era fim de semana, então o ônibus estava relativamente tranquilo.
Sentou-se atrás de um velho fumante e, inexplicavelmente, sentiu-se aliviado; pensou que com o cheiro de cigarro não ficaria enjoado.
Estava acostumado a passar mal em ônibus, mas dessa vez, sem o enjoo, achou tudo meio sem graça. Olhou ao redor, não viu nada interessante, nem uma moça bonita para alimentar seus devaneios.
Sem ter o que fazer, resolveu cochilar, afinal ia até o ponto final e não corria risco de perder a parada.
Mas estava enganado. Mal fechou os olhos, o ônibus fez uma curva brusca de noventa graus.
Freada!
O susto foi tanto que acordou imediatamente.
Não só ele, todos os passageiros ficaram assustados.
O ônibus virou um caos, todos falando e reclamando ao mesmo tempo!
O mais assustador foi ver o velho fumante na frente sendo lançado de seu assento, batendo a cabeça na quina de uma cadeira do corredor. Sangue jorrou imediatamente, borbulhando como água de poço.
“Ah?!”
Zhang Xuan mal teve tempo de reagir; do outro lado do corredor, uma moça ficou pálida, apavorada, gritando e olhando fixamente para o velho caído aos seus pés.
Com os gritos, o ônibus ficou ainda mais tumultuado. Os passageiros começaram a culpar o motorista e exigiram que ele voltasse ao hospital com urgência.
O motorista parou o veículo e, tremendo, foi até o fundo verificar a situação. Chegou a se ajoelhar e sentir a respiração do velho, percebeu que ele só expirava, não inspirava. Ficou completamente atônito.
“Tem algum médico? Tem enfermeira? Alguém sabe primeiros socorros?”
Algumas senhoras altruístas perguntaram aos passageiros, mas ninguém respondeu.
Percebendo a gravidade, o motorista ficou paralisado, já consciente do tamanho do erro. De repente, empurrou todos e tentou fugir do ônibus.
“Peguem ele!”
“Não deixem escapar!”
“Segurem!”
O motorista reagiu rápido, mas alguns homens de meia-idade também foram ágeis e tentaram impedir sua fuga.
O motorista era alto e forte, determinado a fugir. Os homens, pegos de surpresa, não conseguiram detê-lo.
Zhang Xuan franziu o cenho, achando que tudo estava resolvido, mas viu que a situação piorou. Do seu ponto de vista, o motorista parecia saber lutar, cada movimento era preciso.
Maldito!
Agora que os juízes de Nankim ainda não apareceram, a sociedade está em ebulição, e o sujeito ainda tenta fugir diante de todos?
Que absurdo! Eu até já treinei artes marciais, vai ignorar minha presença?
Sem hesitar, Zhang Xuan deu um passo rápido, chutou o motorista pelas costas e, em seguida, o imobilizou com firmeza.
Os homens de meia-idade, agora indignados, cercaram o motorista e o seguraram com força.
Zhang Xuan soltou o motorista no momento certo, olhou para o velho cercado de gente preocupada e suspirou, sentindo um aperto no peito.
Só queria pegar um ônibus, e acabou envolvido nisso. Ainda por cima tinha uma viagem longa naquela noite, parecia que o destino estava mesmo contra ele.
Primeira viagem da vida, e já presenciou sangue, que azar!
Depois veio a ambulância, chegaram os policiais, Zhang Xuan foi interrogado brevemente, mas como estava com pressa para pegar o trem, foi liberado.
Correndo até a estação, só relaxou ao ver que a irmã Hui estava lá.
Ofegante, perguntou: “Será que atrasei todo mundo e perdemos o trem?”
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