Capítulo 75: Grande Confronto entre Mãe e Filha

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2931 palavras 2026-01-30 12:36:03

A súbita investida de Aline deixou Dulce apavorada!
Deixou também Cláudio, que estava à mesa com elas, surpreso.
Até Juliana e Rui não esconderam o espanto!
O motivo de Dulce não se manifestar hoje, de não adotar a tática de concordar primeiro para depois voltar atrás, era porque conhecia profundamente sua mãe.
Amanhã, ao voltar para a escola para calcular as notas e preencher as opções do vestibular, era certo que a mãe iria junto.
Ela pensou que, ao invés de se indispor com Aline na frente de todos na escola, seria melhor resolver tudo hoje, em casa, e definir as coisas de uma vez.
E Aline acertara: Dulce realmente estava esperando a decisão de Tiago.
Não foi algo decidido de última hora, ela já vinha pensando nisso há tempos.
Naquele dia, quando caminhava com Tiago à beira do Rio Azul, uma frase dita — “você não sabe, eu também não sei” — já deixava clara sua afeição e sua determinação.
Ela iria para onde Tiago fosse estudar.

Ao ver a filha mais nova calada, Aline percebeu que acertara.
Sua raiva explodiu!
Diante da situação, Aline não se importou mais com maneiras, nem com sutilezas, nem com estratégias de persuasão.
Tomada pela fúria, foi direto ao ponto:
— Fala para a mãe, você está gostando do Tiago?
Ao ouvir isso e percebendo que seu diário fora descoberto, Dulce, ciente de que a mãe estava tomada pela raiva e precisava extravasar, optou por silenciar, sem contrariar Aline. Pegou um pedaço de carne magra com os hashis, colocou no prato e continuou a comer em silêncio.
A falta de resposta só aumentou a ira de Aline.
Ela lembrou do diário, onde a admiração era escancarada, a alegria cada dia mais evidente; lembrou dos mais de seis anos de convivência diária entre Dulce e Tiago na escola...
O coração de Aline apertou, como se algo lhe ocorresse, e ela perguntou:
— Vocês estão namorando? Ele já se aproveitou de você?
Dulce permaneceu calada, continuando sua refeição.
Nesse momento, Juliana, a filha mais velha, não pôde mais ficar quieta:
— Mãe, escuta eu...
Mas antes que terminasse, Aline virou-se e gritou:
— Come seu arroz! Pediu sua opinião?
Já sabia que seria assim!
Sabia que não se deve interromper alguém furioso!
Quando ela se irritava, era um desastre para quem estivesse por perto.
Foram décadas presenciando isso: quando ela estava brava, nem o céu nem a terra a seguravam, e Juliana se perguntava por que ainda insistia em se meter.
Aborrecida, olhou para Cláudio e Rui, dando a entender que não se meteria mais e, resignada, voltou a comer.
Lançando um olhar intimidador ao marido, às filhas e ao genro, Aline voltou-se para Dulce:
— Estou falando com você! Qual é a relação de vocês? Por que defende tanto o Tiago? Ele já se aproveitou de você?

Diante das perguntas obsessivas da mãe, repetidas vezes, Dulce percebeu que não haveria trégua naquele dia.
Sabia que, se não mostrasse firmeza, se não demonstrasse sua decisão e não estabelecesse limites desde já, a mãe insistiria sem fim.
Ela não teria paz.
Então...
Apertou os hashis nas mãos, fixou o olhar nos grãos de arroz e respondeu, calma e claramente:
— Eu o amo, estamos namorando.
Embora todos já suspeitassem, embora fosse previsível, ouvir “eu o amo” e “estamos namorando” foi um choque para Aline, que sentiu o sangue subir à cabeça, quase perdendo o fôlego.
Segurando o peito, respirou fundo, os olhos arregalados e as veias pulsando:
— O que você disse? Repete!
Dulce ergueu lentamente a cabeça e, encarando o olhar furioso de Aline, disse:
— Já nos abraçamos, demos as mãos, e ainda...
Ao ver a filha desafiando-a, sem medo, dizendo tais palavras, Aline ficou tão enfurecida que o corpo inteiro tremia.
As pernas fraquejaram e quase perdeu o equilíbrio!
Agarrou-se à mesa, os dentes cerrados:
— E ainda... o quê? O que mais fizeram?
Dulce respirou fundo e, decidida, respondeu:
— A senhora não sempre diz que entende dessas coisas?
Aline sentiu o sangue correr ao contrário, o coração em brasa, quase sufocando!
Ainda assim, tentou uma última vez, com esperança:
— Fala para a mãe, você está dizendo isso só de raiva, não está?
Dulce respondeu teimosa:
— Não é raiva.
PÁ!
Explodindo de raiva, Aline não conseguiu mais se controlar; ergueu a mão direita, querendo dar um tapa na filha.
Mas, no meio do caminho, conteve-se, não teve coragem, e bateu com força na mesa.
Um tapa seco!
Com toda força!
Ironizou:
— Sua melhor amiga, Bianca, não gostava do Tiago? No ensino fundamental ela pediu para você ficar de olho nele, e é assim que você ajuda? Se metendo entre eles?
Ouvindo esse golpe no coração, Dulce, que acabara de se animar, murchou, corando e abaixando a cabeça, sem responder, mexendo nos hashis como se ainda comesse.
Vendo que não surtia efeito, Aline ficou ainda mais irritada:
— Desde pequena, você e sua irmã sempre foram inteligentes e me trouxeram orgulho.
Mas por que, na hora de escolher homem, você não aprende com sua irmã? Não procura alguém da cidade, igual a ela, alguém de família compatível?
O que o Tiago tem de tão especial?
Hein? O que tem?
Além desse rostinho bonito, o que mais ele tem? Aparência serve de sustento?
Claro que não!
Olha a Noemi, com aquele rosto sedutor, e vive na pobreza, comendo batata-doce!
Ao ouvir Aline menosprezar Tiago e desmerecer seu amado, Dulce se levantou, disposta a sair para não ouvir mais.
Mas Aline, em pleno auge da fúria, bradou ainda mais alto:
— Vai pra onde? Onde pensa que vai? Senta aí!
Em dezoito anos, era a primeira vez que a mãe gritava consigo daquela forma, a primeira vez que a via tão furiosa. Sob o puxão da irmã, Dulce voltou, contrariada, a sentar-se.
Ao perceber a filha ceder, Aline seguiu implacável:
— Não ache essas palavras duras, tudo que digo é para o seu bem.
Olhe para a família do Tiago.
O pai morreu num acidente, a mãe vive doente.
A irmã mais velha sofreu um acidente e casou com um lavrador, vive uma vida sem perspectiva.
A segunda irmã, ao menos, foi esperta e fugiu dessa realidade.
Veja bem que família é essa! Que tipo de gente!
As filhas deles fogem de casa, e você quer correr atrás? Perdeu o juízo, Dulce? Acha que te mimei demais nesses dezoito anos?
Se casar com ele, o que te espera? Me diz! Uma família cheia de problemas, você vai sofrer!
Estou avisando, não se deixe levar pelas palavras doces do Tiago. Homem, não importa a idade, para conquistar uma mulher fala o que for preciso. Você está iludida!
E não venha falar de amor. Eu já vivi muito, sei que amor precisa de base material.
Se for para viver de salário suado, mal dar conta do básico, que amor resiste a isso?
A escolha do vestibular está decidida. Vai seguir o que eu digo!
Aline falava sem parar, como uma metralhadora, não dando chance para ninguém argumentar.
Seu temperamento também não permitia interrupções!
Ao ouvir Tiago ser completamente desmerecido, seus sentimentos ridicularizados e, além disso, ver a mãe querendo controlar até sua escolha da faculdade, Dulce, que já havia se acalmado, voltou a se irritar.

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