Capítulo 62 – Péssimo, nosso momento íntimo foi descoberto

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 3174 palavras 2026-01-30 12:33:54

Diante da insistência transparente dos sentimentos da jovem, desta vez Zhang Xuan permaneceu em silêncio, apenas baixou a cabeça e ficou a olhar para ela, absorto. Olho no olho, você me olha, eu olho para você, e aos poucos, as pupilas de ambos refletiam apenas a imagem um do outro.

O ambiente foi se tornando cada vez mais sutil... Uma brisa noturna soprou, como se transformasse o mundo, e, num instante de devaneio, os dois pareciam submergir nas profundezas do mar, onde tudo ao redor era silêncio absoluto, e nenhuma voz ou ruído existia.

Naquele momento, naquela fração de segundo, as casas do outro lado sumiram, os transeuntes desapareceram, o rio Zijiang deixou de existir, as flores de lírio também, e era como se tudo nesse mundo tivesse se dissipado.

Naquele instante, os olhos de ambos não enxergavam mais nada além do outro.

Parece que tinha de ser assim, que era inevitável, e, sem perceber, suas cabeças foram se aproximando cada vez mais.

Quando Zhang Xuan abaixou o rosto para se aproximar, Du Shuangling, tomada pelo sentimento juvenil, quis instintivamente esquivar-se, por pudor.

Mas, no segundo seguinte, lembrou-se das palavras de ouro que a irmã certa vez lhe dissera: “Se você gosta de algo, mas não tem certeza e é muito disputado, ou desiste logo ou prende logo ao seu lado.”

Ela hesitou, mas logo veio a firmeza!

Por fim, não apenas não se afastou, mas seus olhos brilharam ainda mais, límpidos e cheios de expectativa.

Fico a imaginar qual seria a expressão de Du Jingling, se soubesse que seu conselho precioso acabara, por obra do acaso, ajudando a irmã a se lançar nos braços do amado?

Mas que importância teria a expressão de Du Jingling? Naquele instante, tudo era maravilhoso entre os dois.

Realmente maravilhoso!

Ao mergulhar nesse mundo indescritível, Du Shuangling sentiu o corpo e o espírito tomados de alegria.

Quando escrevia em seu diário, já imaginara que o primeiro beijo entre eles seria belo. Mas jamais pensara que seria assim tão jubiloso, tão doce e irresistível, que a faria se entregar de corpo e alma, sem reservas.

A mistura de rubor e frescor...

Longamente entrelaçados...

Quando o homem, um pouco mais velho, finalmente a deixou respirar, fingiu preocupação e disse:

— Ai... e agora? Se sua mãe souber disso, vai me matar.

Du Shuangling apenas sorriu, levantou o rosto para fitá-lo, e, entre sorrisos, enterrou a cabeça no pescoço do homem, se encostando e se aconchegando até encontrar a posição mais confortável.

Ninguém sabe quanto tempo se passou até que a cabeça da mulher, mais uma vez, foi gentilmente erguida pelo homem, que tornou a beijá-la.

No instante em que se tocaram novamente, aquela sensação maravilhosa a derreteu mais uma vez.

Só que, desta vez, Du Shuangling nem teve tempo de saborear por completo o momento, pois de repente ficou paralisada.

É que, do ponto de vista de Du Shuangling, haviam surgido três pessoas: a família de Mi Jian.

No exato momento em que Du Shuangling viu Mi Jian, a família que descia da Ponte Hong também avistou o casal abraçado sob a árvore de lírios.

E testemunharam a cena em que Zhang Xuan, de costas para eles, inclinava-se para beijar Du Shuangling.

Mi Jian parou por um instante, depois sorriu para Du Shuangling, que arregalara os olhos, e logo puxou os pais, mudando de direção e subindo novamente a ponte, afastando-se.

Du Shuangling observou a família se afastar até sumir, sentindo-se esvaziada, o corpo meio entorpecido.

Depois de um tempo, Zhang Xuan, ainda absorto, percebeu o estranho comportamento dela, virou-se para trás, mas não viu nada de anormal.

— O que foi? — perguntou ele.

Olhando na direção da ponte, Du Shuangling, com os pensamentos confusos, apenas balançou a cabeça levemente e tentou se desvencilhar dos braços dele.

Mas estava presa num abraço firme; por mais que tentasse, não conseguia sair. Por fim, lançou-lhe um olhar de fingida irritação, e, resignada, repousou a cabeça no ombro dele, imóvel, fechando os olhos e deixando que ele fizesse o que quisesse.

Já do outro lado da ponte, Liu Yi, mãe de Mi Jian, perguntou curiosa:

— Aquela moça era a Shuangling?

Mi Jian olhou tranquilamente para a estrada de pedras à frente e confirmou com um “hm”.

Liu Yi voltou a perguntar:

— E quem era o rapaz? O jeito dele me pareceu familiar.

Mi Pei, pai de Mi Jian, entrou na conversa bem-humorado:

— Quem poderia ser? Certamente alguém de quem ela gosta, o Zhang...

Virando-se para a filha, perguntou:

— Como é mesmo o nome dele? Me fugiu agora.

Mi Jian sorriu para o pai e respondeu:

— Zhang Xuan, também é nosso colega de classe.

— Ah, então é ele! Não é à toa que achei o jeito dele conhecido — disse Liu Yi, iluminada pela lembrança. — Os dois juntos formam um belo casal, combinam muito bem.

Mas Mi Pei discordou:

— Realmente, os dois têm harmonia, parecem até marido e mulher. Mas você conhece a mãe da Du Shuangling, não parece alguém de trato fácil.

Liu Yi entendeu o que o marido quis dizer e concordou:

— A diferença de condição social é muito grande. Se fosse eu, também não aprovaria.

Mi Pei balançou a cabeça:

— Heróis não se medem pela origem, é cedo para julgar.

Liu Yi olhou de lado:

— E você tem tanta fé assim nesse Zhang Xuan?

Sentindo o olhar da esposa, Mi Pei sorriu e explicou:

— Não é questão de fé, é um pressentimento fora do comum.

Talvez você não acredite, mas no mês passado, quando Bao foi liberado para o recesso, vi esse rapaz na porta do colégio. A impressão que me causou foi marcante: uma aura muito singular, uma presença forte, como um dragão oculto nas profundezas.

De fato, ele é tranquilo e elegante, mas “dragão oculto”? Liu Yi riu, não querendo prolongar o assunto.

Enquanto isso, do lado da ponte, a família discutia sobre o casal.

Nos arredores da ponte, o casal ainda permanecia entregue ao momento, até que o som de crianças brincando no topo da ponte os interrompeu.

Du Shuangling, de natureza tímida, já havia esgotado toda a coragem acumulada em seus dezoito anos ao tomar a iniciativa naquele dia.

Ao ouvir vozes infantis zombeteiras, ficou completamente sem graça.

Mordeu levemente o homem, conseguiu se soltar, e, sem se importar, escondeu o rosto no peito dele, envergonhada demais para encarar o mundo.

Zhang Xuan, sem vergonha, olhou para as duas crianças travessas e para os adultos sorridentes que vinham atrás delas, riu junto, e então segurou a mão da jovem, guiando-a para o outro extremo do parque dos lírios.

Com o rosto em fogo, a mulher baixou a cabeça, deixando-se conduzir como uma boneca, sem dizer palavra.

Atravessaram um mar de flores e chegaram à margem do rio Zijiang.

O sol se punha lentamente, a brisa à beira do rio aumentava, e depois de um tempo em silêncio, Zhang Xuan pareceu se lembrar de algo.

Sem avisar, abriu a bolsa de lona, pegou uma caixinha vermelha e, sob o olhar dela, entregou-a devagar:

— Feliz aniversário!

Sentindo a sinceridade dele, a mulher recebeu o presente, emocionada, e perguntou com esperança:

— Posso abrir agora?

— Já é seu, claro que pode.

Dentro da caixinha vermelha havia uma pulseira de platina reluzente, que, sob o brilho do entardecer, cintilava belamente.

Du Shuangling a contemplou, prendeu a respiração por um instante e então disse, como o som de uma fonte cristalina:

— Custou muito caro para você?

— Entre nós dois, ainda vamos falar disso?

A mulher permaneceu calada, apertando a pulseira com as duas mãos, olhando para ele com ternura.

Zhang Xuan piscou e se aproximou:

— Se está se sentindo constrangida, me dê um beijo.

Du Shuangling fitou o homem tão perto, os olhos cheios de brilho. Os lábios entreabriram-se levemente, mas logo se fecharam. Depois de ter declarado seus sentimentos, sua coragem parecia esgotada.

Ao ver isso, o homem aproximou-se ainda mais, levando os lábios a menos de cinco centímetros dos dela, e piscou, dando a entender: “Vamos, venha, também tenho meu orgulho...”

As sobrancelhas dela se arquearam, os olhos sorriram. De propósito, ela o deixou esperando um pouco, mas no fim, abriu novamente os lábios, tocando-o de forma decidida e apaixonada.

Alguns minutos depois...

Zhang Xuan perguntou:

— Gostou da pulseira?

— Sim, gostei.

— Posso colocar em você?

— Pode. — E ela lhe estendeu a mão direita.

Depois de algum esforço, Zhang Xuan conseguiu prendê-la, e, ao vê-la admirando o presente, riu:

— Não teme que seja falsa?

Du Shuangling puxou a manga para cobrir a pulseira, fitou-o com firmeza como se dissesse: “Vindo de você, mesmo que seja falsa, é verdadeira.”

Ficaram se olhando por um tempo, até que Zhang Xuan não resistiu em provocá-la:

— Hoje você está mais ousada, hein?

A mulher cedeu à emoção, desviou o olhar e, sorrindo silenciosamente, aninhou-se no peito dele.

Zhang Xuan acariciou-lhe os cabelos e murmurou ao ouvido:

— E agora, vai abusar de mim de novo?

A mulher permaneceu impassível.

Zhang Xuan insistiu:

— Ouviu meu estômago roncar?

— Ouvi.

— Sabe o que isso significa?

— Que está com fome.

— E o que se faz quando se está com fome?

Ela o abraçou ainda mais forte, sem se mexer.

Sem opções, o homem lançou mão do último recurso:

— Se continuar assim, vou roubar um beijo, hein...

— Que modos... — murmurou ela, mas continuou imóvel.

Pois bem, diante disso, o homem não disse mais nada, e partiu para a ação.

Desta vez, ela reagiu, afastou-se rapidamente, e, sorrindo, disse:

— Vamos jantar.

...