Capítulo 46: Trinta mil? Tão furioso que cuspiu sangue
Com a questão mais importante resolvida, os três sentiram os nervos até então tensos relaxarem de repente.
Quando o assunto virou para o dinheiro, Yang Yun olhou para Zhang Xuan, sem mais o ímpeto e a confiança de antes, e confessou, um tanto hesitante:
— Mano, não vou te esconder nada, você sabe bem como está a nossa situação em casa. Segundo o que você disse, essas roupas valem um milhão, trezentos e oitenta mil, mesmo sem falar se vou gostar de tudo, só o preço de custo já dá quase quinhentos mil, e a gente não tem essa grana toda.
— Eu já imaginava. Não é só vocês, mesmo em uma cidade de sete milhões de pessoas, quase ninguém consegue dispor dessa quantia de uma vez. Mas, afinal, estamos falando de negócio, tudo depende do esforço. Sempre há um jeito — respondeu Zhang Xuan, após fingir um momento de hesitação, como se ponderasse muito antes de perguntar: — Quanto dinheiro vocês têm em mãos, afinal?
Yang Yun lançou um olhar à esposa e respondeu ainda mais baixo:
— A gente não tem economias. O dinheiro veio todo de empréstimos no banco rural. Depois de alugar a loja e terminar a reforma, restaram só uns trinta mil.
Zhang Xuan ficou em silêncio, atônito. Só trinta mil? Sentiu-se quase sufocado de raiva. Que absurdo! Com tão pouco dinheiro, vocês acham mesmo que dá para começar um negócio de atacado de roupas? Tem certeza que é atacado e não varejo? Está brincando comigo? Só pode estar de brincadeira!
Por dentro, Zhang Xuan se irritava, mas não deixou transparecer surpresa. Se não fosse por falta de dinheiro, a orgulhosa cunhada nunca teria ido vender na rua. E se não fosse pela doença urgente do irmão dela, não teria brigado tanto com o primo.
Na opinião de Zhang Xuan, Yang Yun até tinha salário fixo, mas para um negócio, era insignificante, quase nada. E a cunhada, mesmo conseguindo uns mil ou dois mil por mês vendendo na rua, também não conseguia guardar. Provavelmente, quase tudo o que ela ganhava ia para ajudar o irmão doente, internado no grande hospital, com despesas diárias altíssimas.
Zhang Xuan respirou fundo e perguntou aos dois:
— Ainda dá para conseguir mais algum empréstimo em outro banco rural?
Yang Yun hesitou, abrindo e fechando a boca várias vezes, mas sem conseguir falar. Foi a cunhada quem respondeu:
— Agora, com tanta gente desempregada, todo mundo quer pegar empréstimo. Já pedimos em todos os bancos possíveis para juntar esse dinheiro. Além disso, os funcionários desses bancos só emprestam para quem eles acham que vale a pena. Seu irmão, no passado, deixou uma má impressão, então não conseguimos pegar valores altos. Em alguns bancos, nem um centavo quiseram liberar.
Então era isso, pensou Zhang Xuan, lançando um olhar ao primo. Havia algo que ele nunca soubera. Mas depois entendeu: na época, ainda era estudante, inocente demais para se atentar aos problemas dos outros. Depois, trabalhando fora, viam-se raramente e quando se encontravam era tudo muito corrido. Quem iria recordar ou contar velhas histórias, ainda mais as vergonhosas?
Além disso, quem é que gosta de divulgar seus próprios erros? Sempre que possível, as pessoas preferem esconder.
Pensando nisso, Zhang Xuan suspirou e fez as contas mentalmente: ele próprio tinha oito mil, a cunhada, trinta mil — juntos, trinta e oito mil. No dia dezesseis, iriam comprar mercadoria; mesmo que Mi Jian emprestasse mil e oitocentos, e que ele conseguisse ganhar mais um pouco na próxima semana, tudo somado mal passaria de dez mil próprios. Ou seja, três mais um, quarenta mil.
Ainda faltava muito para os cento e trinta e oito mil necessários para pegar tudo na alfândega. E era uma distância ainda maior dos quase quinhentos mil necessários para o primo e a cunhada pegarem tudo com ele.
Com quarenta mil, poderia pegar apenas parte da mercadoria, avaliada em cerca de quatrocentos mil no mercado. O prazo dado pelo tio para pegar tudo era até agosto.
Mas as contas não eram tão simples.
O valor de mercado do primeiro lote seria de quatrocentos mil. Quanto ele poderia ganhar? Trinta e cinco por cento, ou seja, cento e quarenta mil. O suficiente!
Zhang Xuan entendeu: se conseguisse vender o primeiro lote sem problemas, poderia usar esse dinheiro para comprar todo o restante e armazenar, vendendo conforme a necessidade. Se o casal não desse conta, quando o prazo acabasse, ainda poderia revender para outros atacadistas ou lojistas. Mas ele ainda tinha esperanças, pois a cunhada já havia provado ser uma vendedora excepcional.
Diante do silêncio de Zhang Xuan, o casal ficou apreensivo, trocando olhares até que a cunhada se adiantou:
— Mano, só temos trinta mil de capital. Dá para pegar a mercadoria em partes? Tipo, vender o primeiro lote, depois usar o dinheiro para pegar o segundo, e assim por diante...
Zhang Xuan os encarou por alguns segundos, então respondeu:
— Dá, sim.
Yang Yun, animado, confirmou:
— Sério mesmo?
Zhang Xuan sorriu:
— Claro. Antes mesmo de vir aqui, meu tio já tinha pensado nisso. Como eu disse, quase ninguém consegue desembolsar quinhentos mil de uma vez só, dividir o lote é o mais sensato.
Ouvindo isso, a cunhada relaxou e sorriu:
— Se puder ser parcelado, tenho confiança de dar conta de tudo.
— Concordo plenamente — respondeu Zhang Xuan animado, mas logo acrescentou um alerta: — Só que temos pouco tempo. O prazo dado pela alfândega é de apenas um mês.
A cunhada se espantou:
— Só um mês e meio?
— Isso mesmo — confirmou Zhang Xuan. — Se não vender nesse prazo, a mercadoria será destinada a outro processo pela alfândega.
A cunhada baixou a cabeça, fez alguns cálculos, e por fim ergueu os olhos:
— Quero tentar. Acho que conseguimos. Só que, nesse caso, precisamos viajar logo para a cidade grande. Quando você pode ir?
— Eu posso ir a qualquer momento — respondeu Zhang Xuan. — E, além disso, já juntei um bom dinheiro, então posso trazer mais mercadoria desta vez.
A resposta soou estranha para o casal. Pensaram: “Você, estudante, ganhando dinheiro? Sua família mal tem o que comer, se tivesse dinheiro, deixaria sua mãe só comendo batata-doce todo dia?”
Trocaram um olhar desconfiado e perguntaram quase juntos:
— Quanto você conseguiu juntar?
— Como você ganhou esse dinheiro?
Como estava preparado para esse momento e sabia que a credibilidade era fundamental para os negócios futuros, Zhang Xuan endireitou-se, pegou a pilha de livros e jornais que havia separado, e explicou calmamente:
— Meu pseudônimo é Março. Sou colaborador das revistas “Companheira” e “Resumo Jovem”, com uma renda mensal de alguns milhares. Além disso, escrevo regularmente para mais de dez jornais, o que também rende uma quantia considerável. Ao longo deste ano, juntei um bom dinheiro por conta própria.