Capítulo 63: Mi aparece na capa da revista
Depois de rirem e brincarem por um tempo, os dois atravessaram novamente a ponte do arco-íris e voltaram para a outra margem do rio.
Zhang Xuan perguntou, buscando a opinião dela:
– Nós dois jantamos sozinhos ou chamamos Yang Yongjian e Sun Jun para virem junto?
A mulher pensou um pouco e respondeu:
– Vamos chamar os dois. O Yongjian está com a saúde debilitada, precisa se alimentar melhor.
– Tudo bem, como preferir – Zhang Xuan assentiu, e então perguntou: – Ah, por que Sun Jun veio dessa vez?
Du Shuangling explicou:
– Ele veio buscar o Yongjian, achando que, como de costume, ele voltaria para casa ver a mãe.
– Realmente persistente.
– Pois é.
Primeiro, passaram numa confeitaria e compraram um pequeno bolo; os quatro se encontraram no Restaurante do Velho Liu.
Ao ver Zhang Xuan pedir vários pratos grandes de uma vez, Yang Yongjian perguntou novamente:
– Então você está mesmo ganhando dinheiro?
– Sim – Zhang Xuan explicou que era fruto das vendas na feira livre e, ao final, perguntou: – Quer tentar vender comigo nas férias de verão?
Yang Yongjian quis saber:
– Onde conseguiríamos mercadoria?
Zhang Xuan respondeu:
– Na Rua da Bandeira Vermelha. Minha cunhada tem uma loja de atacado lá.
Yang Yongjian perguntou:
– Dá para ganhar quanto por dia?
Zhang Xuan olhou para ela e disse:
– Depende do seu jeito de vender, mas se tiver sorte, mais de cem por dia não é problema. Mesmo com azar, sempre dá para tirar algumas dezenas.
Yang Yongjian ficou olhando para o prato à sua frente, pensou um pouco e decidiu:
– Me chame nas férias, quero aprender a vender com você.
– Certo, então voltamos para nossa cidadezinha, lá a concorrência é menor e não fica tão longe de casa. Se formos esforçados, dá para sair cedo e voltar tarde.
Nesse momento, Sun Jun se animou:
– Posso ir também?
Zhang Xuan sorriu:
– Eu sabia que você ia pedir. Pela nossa amizade, nem precisa perguntar.
Vendo que Du Shuangling também o olhava ansiosa, Zhang Xuan a ignorou e, sem cerimônia, enfiou um pedaço de carne na boca dela.
No fundo, ele já sabia que nem teria tempo para realmente vender nas férias; seu objetivo era ajudar Yang Yongjian a melhorar de vida, apenas.
Por isso, como poderia deixar sua mulher passar por dificuldades?
Depois do jantar, os quatro voltaram depressa para a escola e foram comer o bolo no jardim de pedras.
O bolo era pequeno, o grupo também não era grande.
Mas Du Shuangling estava radiante.
Ela não se importou nem um pouco com a presença de Yang Yongjian e Sun Jun; após cantar, fazer um pedido, pegou de mãos dadas com Zhang Xuan para cortar o bolo juntos.
O primeiro pedaço, Du Shuangling deu a Zhang Xuan; a primeira garfada, foi ela mesma, sorridente, quem lhe deu na boca, incentivada por brincadeiras dos dois amigos.
Sun Jun, com um pedaço de bolo na mão, após comer algumas mordidas, perguntou para Du Shuangling:
– Qual foi seu pedido? Conta pra gente ficar feliz também.
Yang Yongjian logo apoiou:
– Isso mesmo, conta para a gente ouvir.
No início, Du Shuangling ficou tímida e não queria contar de jeito nenhum, mas ao ver Zhang Xuan olhando para ela com expectativa, corou e disse baixinho:
– Meu desejo é que você tenha uma boa vida e que nós dois sejamos felizes juntos.
Zhang Xuan não disse nada ao ouvir aquilo. Eles se entreolharam por uns dez segundos, até que ele mesmo cortou um pedaço de bolo e ofereceu a ela.
Comendo, conversando e relembrando histórias da época do ensino fundamental, os quatro estavam animados, o clima era excelente.
Entre risadas, nem perceberam o tempo passar; logo já eram onze da noite.
Para conseguirem voltar ao alojamento antes de trancarem o portão, tiveram que se despedir às pressas.
Zhang Xuan levou Sun Jun ao dormitório masculino para dormir lá.
No caminho de volta para o dormitório feminino, Yang Yongjian segurou o braço de Du Shuangling e perguntou baixinho:
– Hoje você se declarou para ele?
– Sim.
– Vocês já estão oficialmente juntos?
Du Shuangling hesitou e, depois de um instante, respondeu:
– Nem sei.
Yang Yongjian ficou surpresa, sem entender:
– Ou estão juntos, ou não estão. Como assim você não sabe?
Du Shuangling ficou em silêncio por muito tempo até dizer de novo:
– Os pensamentos dele não estão só em mim.
– Zhang Xuan, esse idiota! – Yang Yongjian ficou um pouco surpresa com o resultado, mas no fundo já esperava. No fim, só pôde apertar o braço da amiga e confortá-la pacientemente.
No dia seguinte, depois de tomarem tigelas de macarrão de arroz, foram juntos a pé até o estúdio de fotos na Rua da Bandeira Vermelha.
Após as fotos, Du Shuangling convidou todos para um almoço simples num restaurante.
À tarde, passando pela loja de roupas no atacado, Zhang Xuan avisou Yang Yongjian:
– Nas férias, é aqui que vamos comprar as mercadorias.
Yang Yongjian olhou para dentro da loja lotada e se espantou:
– Quanta gente! Como pode ter tanta gente assim? Tem duas senhoras ali quase brigando por roupa.
– Pois é – explicou Zhang Xuan –, porque aqui as peças são mais baratas que nos outros lugares e de marcas conhecidas. Quem chega primeiro leva, quem demora fica sem, então todo mundo corre.
Du Shuangling perguntou:
– Todos são lojistas?
Zhang Xuan respondeu:
– Mais ou menos. Mas grande parte delas vende em feiras livres.
Sun Jun também comentou:
– Nossa! Parece até uma briga, gritam tanto que me dá arrepios. Vender na feira deve dar dinheiro mesmo.
Zhang Xuan riu:
– Hoje em dia tem muita loja de roupa em Shaoshi, mas perto dos feirantes, não são nada. Se não desse lucro, não teria tanta gente vendendo.
Dizendo isso, pediu para os amigos esperarem do lado de fora e aproveitou uma brecha para entrar.
Chamou sua cunhada Hui para um canto e perguntou baixinho:
– E aí, quanto vendeu hoje de manhã?
– Mais de três mil, quase quatro mil peças – respondeu Hui, gesticulando, claramente animada.
Mas, logo em meio à empolgação, ela suspirou preocupada:
– Se continuar assim, esse lote de 57 mil peças vai acabar em menos de dez dias. Depois vou me preocupar de novo com o reabastecimento.
Algumas coisas nem precisam ser ditas, ele já entendeu o que passava na cabeça da cunhada. Então abriu os braços, resignado:
– Ah, minha cunhada, fique feliz! Tem gente que trabalha a vida toda e não ganha o que você ganhou esse mês.
Quanto à alfândega, se eu souber de algo, aviso na hora. Não precisa se preocupar comigo, somos família, não somos como os outros.
Vendo que seu segredo fora revelado, Hui riu, despreocupada:
– Pronto, agora minha vida depende de você!
– Olha só o que você diz... – Zhang Xuan fez careta e saiu correndo, com medo de ser perseguido pelo primo.
...
No dia 10 de junho, Hui apareceu novamente, trazendo uma galinha preta cozida com ginseng num pote térmico, e deu boas notícias:
– Já restam só 21.800 peças.
Cinco dias depois, talvez por saber que Zhang Xuan sempre dividia as iguarias com os amigos, Hui trouxe um ganso preparado metade assado, metade cozido, num panelão de alumínio que devia pesar uns sete ou oito quilos.
Depois de agradecer, Zhang Xuan quis saber:
– Já vendeu tudo?
Hui respondeu, animadíssima:
– Já acabou, vendi tudo ontem à tarde. Só sobraram umas oitocentas peças avulsas que ninguém quis.
– Sério? Tantas assim? E o que vai fazer com essas oitocentas?
Hui respondeu com confiança:
– Isso é fácil. Vou montar uma barraca e vender entre dois e seis reais cada. Garanto que vai ter gente brigando para comprar.
– É uma boa ideia mesmo – Zhang Xuan aprovou, afinal, com esse preço, é praticamente de graça.
Depois de falar das roupas, Hui se aproximou e disse em voz baixa:
– Já juntei todo o dinheiro, ainda tem quinze mil guardados comigo. Quando quiser, é só vir buscar.
Zhang Xuan olhou para ela, brincou:
– Tem gente que adia para pagar, mas você parece é ansiosa para se livrar do dinheiro.
Hui bateu palmas:
– Nem me fale. Uma quantia dessas em casa, não tenho sossego. Não saio de casa, durmo mal, acordo de madrugada para conferir, estou ficando louca.
Zhang Xuan pensou um pouco e respondeu sério:
– Depois do vestibular, vou levar o dinheiro para o vilarejo, quitar dívidas e construir a casa nova.
Nesses dias vou precisar abusar de você mais um pouco, já que tenho que estudar muito para o vestibular e não tenho tempo para nada.
– Combinado, concentre-se nos estudos. Vou depositar o dinheiro na poupança dos Correios, assim você pode sacar quando quiser.
– Muito obrigado, cunhada.
...
Mi Jian apareceu na capa da revista.
No clima de tensão da reta final do vestibular, esse era um dos poucos assuntos leves da turma.
Na manhã de 25 de junho, no intervalo da segunda aula, a representante de classe, Xiao Jihong, entrou radiante na sala balançando duas edições da revista “Digestivo Juvenil” e uma ordem de pagamento.
Assim que entrou, gritou:
– Mi Jian! Mi Jian! Você saiu na capa da revista! Você está na capa!
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