Capítulo 3, Casamento

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2921 palavras 2026-01-30 12:25:46

Durante esse tempo, Nu Xiuqin, que tinha apenas o ensino fundamental, parou ali ao lado por um instante. Ao ver certas cenas, ficou envergonhada e, com o rosto ruborizado, saiu apressada.

...

Ao entardecer.

A irmã mais velha de Zhang Xuan, Zhang Ping, veio trazer a comida. Ao olhar para aquela mulher de rosto tão belo quanto uma flor, mas que nem sequer terminara a escola primária, Zhang Xuan sentiu-se profundamente culpado por ela.

Na vida passada, dois anos após se formar na universidade e começar a trabalhar, recebera um telefonema da irmã. Ela rodeou muito até, finalmente, contar que a casa de madeira da família havia pegado fogo e que estavam planejando construir uma nova de tijolos vermelhos, pedindo-lhe um empréstimo de oito mil yuan.

Naquela época, ele mal conseguia guardar dinheiro no fim do mês, quanto mais emprestar oito mil?

Ao recordar o longo silêncio da irmã antes de desligar, Zhang Xuan sentiu-se terrivelmente mal. Ele tinha estudado, saído da aldeia, mas não conseguia ajudar a família. Que inutilidade.

A comida era arroz com batata-doce, folhas de alface refogadas e um ovo frito.

Sabendo que o filho não gostava de batata-doce, antes de servir, Nu Xiuqin tirou os pedaços que estavam no topo e os colocou em sua própria tigela, deixando o arroz branco para ele.

Zhang Xuan observou tudo em silêncio, sem resistir, apenas pegou a tigela e começou a comer. Só que, ao levar o alimento à boca, sentiu uma dor amarga no peito, as lágrimas teimando em brotar nos olhos, com uma vontade quase incontrolável de chorar.

No meio da refeição, Nu Xiuqin pareceu se lembrar de algo, pegou uma tigela e foi até a janela, olhando para baixo. No fim, fixou o olhar no pedreiro que estava agachado perto do canteiro de flores e perguntou:

— Foi Yang Endé que te trouxe?

— Sim — respondeu Zhang Ping, um pouco envergonhada, mas assentindo timidamente.

Ao saber que fora Yang Endé quem a trouxera e vendo a irmã tão acanhada, Zhang Xuan de repente perdeu o apetite.

Quanto a Yang Endé, apesar de ser de aparência comum, era alto, trabalhador, não era preguiçoso, era bom no serviço de pedreiro, tinha um temperamento paciente, nunca perdia a cabeça, não tinha vícios, não gastava dinheiro à toa. Essas eram suas qualidades.

Mas ele era extremamente submisso à mãe, uma mulher amarga e barulhenta, obedecendo a todas as suas vontades sem questionar.

Na vida passada, quando a irmã se casou, os três primeiros anos até foram bons, mas após ter duas filhas, tudo mudou.

A sogra, sempre fria, arrumava problemas com Zhang Ping a todo momento, e ela, por natureza submissa, só sabia se esconder e chorar, nunca respondendo às injustiças. Chorando tanto, às vezes amaldiçoava em pensamento aquela velha para morrer logo, esperando que a vida melhorasse, mas a velha resistiu até os noventa e cinco anos, fazendo com que Zhang Ping, de tanto sofrer, envelhecesse antes do tempo, morrendo antes da sogra.

Por causa disso, Nu Xiuqin discutiu muitas vezes com a sogra.

E onde estava Yang Endé nesse tempo?

Fingia-se de invisível, não ajudava ninguém, não apaziguava nada. Só cumpria uma coisa: obedecia à mãe, controlando o dinheiro da casa, e, como se desse esmola, entregava à esposa cinco ou dez yuanes por mês para comprar carne ou ir à feira.

Num instante, Zhang Xuan foi até a janela, procurando aquela silhueta fumando cigarro de palha, quase saltou de raiva. Maldito! Na vida passada, caí na tua armadilha, mas nesta vida não vou deixar você realizar seus sonhos!

...

Disfarçando, terminou o jantar e viu Niu Fen sair de bicicleta, levando flores.

Zhang Xuan perguntou:

— Mãe, a senhora vai mesmo dar a mão da irmã para Yang Endé?

Nu Xiuqin sentou-se na beira da cama, surpresa, olhando para o filho que nunca se metera nesse assunto, e perguntou:

— Você não gosta dele?

Zhang Xuan confirmou com a cabeça:

— Há tanta gente na aldeia querendo casar com a irmã, por que escolher logo Yang Endé, tão sem graça?

Nu Xiuqin pensou um pouco antes de responder:

— Na verdade, eu preferia Ouyang Yong, do Terceiro Grupo de Produção. Ele é esperto, tem boa aparência e a família é bem de vida. Todos lá gostam muito da sua irmã.

— Só que sua irmã, desde pequena, nunca foi muito esperta. E depois que foi atropelada por um caminhão, ficou pior ainda.

Nu Xiuqin fez uma pausa e continuou:

— Tenho medo que, por ser ingênua, ela não consiga segurar Ouyang Yong e acabe ficando sem nada. Já Yang Endé, apesar de a família ser conhecida por ser pão-duro, é um homem honesto e trabalhador, alguém para uma vida simples.

Ao falar da ingenuidade da irmã, Zhang Xuan nem sabia como argumentar.

De fato, ela tinha muita dificuldade nos estudos — não só repetiu o quinto ano, mas, na época do exame para o ensino fundamental, a professora nem deixou que ela prestasse, pedindo que ficasse na sala apenas para tomar conta da porta, com medo que sua nota baixíssima puxasse para baixo a média da escola.

Sobre isso, Nu Xiuqin já se questionava há mais de dez anos, sem entender: por que o segundo e o terceiro filhos eram tão espertos, e a mais velha tão diferente?

Às vezes, Nu Xiuqin se perguntava se o segundo e o terceiro filhos puxaram a ela, e a mais velha herdou os genes do pai.

Mas, ao pensar em Ouyang Yong, a memória de Zhang Xuan se fez presente. Ele era como o pai, gostava de usar gel, camisa branca, calça social e sapatos, cuidava muito da aparência, o que, naquela época, dava um ar um tanto galanteador.

Mas não se pode julgar só pela aparência. Ele provou, ao longo da vida, o que é ser um marido dedicado, um verdadeiro bom homem, mesmo tendo uma esposa que, em muitos aspectos, não superava Zhang Ping.

Sem discutir com Nu Xiuqin, Zhang Xuan ficou em silêncio por um tempo e perguntou:

— No fundo, mãe, a senhora quer Yang Endé porque ele pode ajudar na lavoura, não é?

Vendo que o filho adivinhara sua intenção, Nu Xiuqin não contestou, dizendo em tom baixo:

— Meu corpo não aguenta mais trabalho pesado. Você vai estudar fora. Sua segunda irmã ainda me culpa por não ter deixado ela repetir o curso, nem sei se vai voltar um dia. A terra da família não pode ficar abandonada, precisamos de alguém para cuidar.

Ora, esperar que Yang Endé ajude na lavoura é o mesmo que esperar que uma porca suba em árvore, pensou Zhang Xuan consigo, sem dizer em voz alta.

Afinal, ele não podia contar tudo o que sabia do futuro.

Além disso, sua mãe, tendo lutado por décadas pela sobrevivência no campo, tinha sua visão limitada pelo tempo e pela realidade. Não era culpa dela, nem seria possível mudá-la espiritualmente.

Por volta das seis e meia da noite, o médico veio para a visita. Após examinar Zhang Xuan, disse a Nu Xiuqin:

— Está se recuperando muito bem. Mais dois dias de observação e pode ter alta.

Isso foi um alívio enorme. Nu Xiuqin respirou fundo, agradecendo repetidas vezes.

Mas Zhang Xuan perguntou:

— Doutor, não posso ter alta já amanhã? Já faz dias que não tomo banho.

O médico ficou surpreso, olhando de um para outro, como se compreendesse o motivo: economia. A estadia no hospital era cara.

Compreensivo, o médico refletiu e respondeu:

— Não é impossível. Mas você terá que vir ao hospital nos próximos dois dias para eu acompanhar sua situação. Leve o restante dos remédios para o vilarejo, aplique lá. Se sentir algum desconforto, volte imediatamente, não demore.

— Está certo — respondeu Zhang Xuan, que já queria sair do hospital há tempos, mas não queria contrariar a mãe. Agora, com o aval do médico, sentiu-se muito melhor.

Ao ver que o filho tomara a decisão por conta própria, Nu Xiuqin abriu a boca para dizer algo, mas, no fim, não falou nada. A família já estava cheia de dívidas, cada centavo economizado era um alívio.

Naquela noite, Zhang Xuan continuou escrevendo artigos para outros jornais da cidade.

Nu Xiuqin, cautelosa, arrumava as coisas, preparando-se para a alta no dia seguinte.

...

Passou-se a noite e o tempo mudou de repente. O céu limpo sumiu, o vento norte soprou forte, e começou a nevar.

Floquinhos de neve caíam densamente do céu, formando camadas no chão.

O desjejum foi apressado: alguns pãezinhos frios com vegetais em conserva. Mãe e filho terminaram logo, e, após resolver a papelada, deixaram o hospital.

As coisas não tinham valor, mas eram tantas e tão incômodas que perturbavam. Zhang Xuan sentia-se como um apicultor, com baldes, cobertores e garrafas térmicas pendurados por todo o corpo.

Até caminhar era um suplício.

Talvez por não suportar ver o filho tão atarefado, Nu Xiuqin, mesmo com as mãos ocupadas, olhou para trás, não viu Zhang Ping nem o alto Yang Endé, e suspirou.

Nu Xiuqin se culpou:

— Não devia ter economizado aquele telefonema ontem à noite. Seria melhor chamar sua irmã para te buscar, ela é mais resistente.

Mãe, isso já é preferir demais, pensou Zhang Xuan, forçando um sorriso:

— Não tem problema, eu aguento.

O plano era passar no correio para trocar o vale, mas, do jeito que estavam, tiveram de desistir.

Com a proximidade do fim do ano, as ruas estavam cada vez mais cheias, o comércio animado, vozes de vendedores ecoando por toda parte.

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