Capítulo 5: A Curiosidade pelo Sexo Oposto

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2619 palavras 2026-01-30 12:25:56

Dez li de estrada e a motocicleta gastou apenas quatorze minutos para adentrar o vilarejo superior.

Assim que entrou no vilarejo, tanto na estrada quanto nos campos, o que mais se via eram galinhas, patos e gansos perambulando desordenadamente, com seus grasnados a ecoar por toda parte, misturados aos latidos de cães.

No cruzamento, Zhang Xuan olhou para algumas casas de madeira já arruinadas e, por um momento, teve vontade de dar meia-volta e partir. Não entendia por que o destino lhe dera uma segunda chance de vida, pois já estava farto desses dias difíceis de comida e vestimenta precárias.

Ao ouvir o ronco da motocicleta, a irmã mais velha, que cortava capim para os porcos na sala principal, largou a faca e saiu sem dizer palavra, ajudando com destreza a descarregar as coisas.

Ao ver Zhang Ping, Ouyang Yong, com um sorriso radiante, não tirava os olhos dela; só percebeu que estava encarando demais quando o rosto dela ficou ruborizado.

Aproximando-se de Zhang Ping, Ouyang Yong sussurrou: "O Ano Novo está chegando. Amanhã quero te levar a um lugar."

"Para onde?" perguntou Zhang Ping, baixinho.

Quando Ouyang Yong estava prestes a dar uma resposta espirituosa, Ruan Xiuqin saiu do quarto, então ele rapidamente mudou de assunto: "Surpresa. Amanhã cedo venho te buscar."

Essa última frase pareceu consumir toda a coragem de Ouyang Yong, que, após uma breve saudação sem graça a Ruan Xiuqin, saiu correndo, envergonhado.

Ruan Xiuqin olhou para a motocicleta que se afastava, depois para a filha, mas não disse nada; fingiu ignorar tudo, agachando-se para organizar as coisas.

Fazia anos que Zhang Xuan não fazia tarefas domésticas; tomado por um impulso, pensou em ajudar, mas ao dar uma volta pela casa viu que a irmã já cuidava de tudo com perfeição. Queria ajudar, mas não havia o que fazer.

Depois de lidar com as tralhas trazidas do hospital, Ruan Xiuqin foi arrumar as camas e Zhang Ping continuou cortando capim.

Sem nada para fazer, Zhang Xuan sentou-se no umbral da porta. Acostumado à vida urbana por décadas, de repente se ver de volta à zona rural da infância fazia com que tudo lhe parecesse curioso.

Do outro lado da estrada havia uma pequena venda. Parecia que haviam abatido um porco para o Ano Novo naquele dia e, nesse momento, estavam derretendo a banha. Em volta do fogareiro, um grupo de crianças, de diferentes alturas, se amontoava como estacas de cerca, olhando com avidez para os torresmos fritando na panela.

O dono da venda, de sobrenome Na, era um homem bondoso, sempre disposto a ajudar os vizinhos. Vendo a cobiça das crianças, encheu um prato de barro com torresmos, salpicou um pouco de sal e se divertiu vendo todos correrem atrás.

Na esquina oposta da estrada, duas famílias discutiam, mas de modo muito peculiar.

A mulher da casa do norte, com uma faca de cozinha e uma tábua de cortar, sentou-se à porta, picando e xingando ao mesmo tempo, proferindo impropérios e amaldiçoando gerações inteiras da família rival.

Enquanto a casa do norte fazia escândalo, a velha da casa do sul não ficava atrás.

Ela colocou uma bacia à sua frente e, sobre um banquinho baixo, arrumou uma pilha de notas de papel para queimar. A cada punhado de papel queimado, pronunciava o nome de um membro da família adversária, seguido de uma enxurrada de maldições em dialeto, rogando para que morressem logo...

Brigas de vilarejo eram mesmo uma arte: cheias de criatividade, sem repetições, as vozes ressoavam potentes, com ritmo e entonação, e Zhang Xuan, ouvindo aquilo por um tempo, sentiu uma nostalgia calorosa.

Ao final, perguntou à irmã: "Por que tanto rancor entre essas duas famílias? Por causa de quê?"

Zhang Ping explicou: tudo começou quando, pela manhã, um bezerro da casa da velha do sul escapou e foi parar na casa do norte, onde comeu alguns nabos armazenados na sala principal e ainda defecou debaixo do altar dos deuses. A confusão se instaurou.

"As duas famílias já discutem o dia inteiro", contou Zhang Ping. "No começo, muita gente tentou apartar, mas depois de ver que não adiantava, passaram a assistir como se fosse espetáculo."

A neve caiu da manhã até o meio-dia, e depois até a tarde, cada vez mais intensa. A temperatura também caía cada vez mais.

Curioso, Zhang Xuan aguentou meia hora sentado no umbral, mas acabou sucumbindo ao frio e voltou para o próprio quarto.

Falando em seu quarto, embora já tivesse passado algumas noites ali desde que renasceu, ainda se sentia desconfortável.

Havia apenas uma cama de madeira que rangia a cada movimento, uma escrivaninha velha e um banco comprido. Nem guarda-roupa havia, tudo tão miserável que doía aos olhos.

Zhang Xuan recostou-se na cama e, instintivamente, olhou para o pôster na parede: era um cartaz do concerto de Vivian Chow.

Aquele era o único adorno do quarto, obtido após "tomar emprestado" de sua colega Du Shuangling.

Nunca fora fã de celebridades, mas achava Vivian Chow tão bonita que quis logo pendurar o pôster perto da cama. Naquela época, aquilo era um luxo, custava vários yuans.

Sim, era bonito. Olhava de todos os ângulos e achava cada vez mais bonito. Atualmente, o mundo do entretenimento era como uma disputa entre deuses; no futuro, seria um circo de aberrações. Por isso, Zhang Xuan se permitia admirar enquanto podia, pois sabia que logo estaria ocupado demais para tais luxos.

Perdido em devaneios diante do pôster, Zhang Xuan acabou adormecendo. Quando acordou, já era noite. Espreguiçou-se: estava na hora do jantar.

Sem surpresas, a comida era simples, os pratos também. Zhang Xuan engoliu tudo rapidamente, apenas por obrigação, sentindo que não podia mais suportar aquela vida insossa; sua boca já estava a ponto de esquecer o gosto de tudo.

Ruan Xiuqin observou tudo atentamente. Ao ver Zhang Xuan pegar os remédios e o soro para tomar uma injeção, ela mordeu os lábios e disse a Zhang Ping: "Seu irmão está debilitado, amanhã de manhã traga um quilo de carne."

Depois de uma colherada de arroz com batata-doce, completou rapidamente: "E compre também dois pedaços de tofu, para fritar com a carne. Ele adora."

Zhang Ping ficou surpresa; fazia quase dois meses que em casa não se via carne.

Antes, sempre que Ruan Xiuqin saía, levava cinco yuans para comprar carne, mas ao chegar ao açougue acabava mudando de ideia, comprando apenas dois pedaços de tofu para disfarçar perante os vizinhos e evitar constrangimento.

Carne de porco custava três yuans o quilo, quase metade de um dia de salário, e não havia ninguém na família fazendo trabalho pesado fora para ganhar dinheiro. Sem dinheiro entrando, o orçamento era apertadíssimo.

Além disso, comparado ao preço alto da carne, o tofu custava apenas quinze centavos o pedaço. Dois pedaços, com pimenta e alho, rendiam uma tigela cheia, suficiente para toda a família. Assim, na balança de Ruan Xiuqin, o peso entre carne e tofu era bem claro.

Como passara a tarde sonhando com Vivian Chow, Zhang Xuan sentiu que perdera tempo demais. Por isso, enquanto tomava soro à noite, decidiu estudar com afinco, revisando os livros enquanto recebia a medicação.

Faltava pouco mais de meio ano para o vestibular, e o tempo era curto, não podia desperdiçá-lo. Felizmente, em sua vida anterior fora professor universitário, e o ambiente de estudos ainda lhe era familiar, facilitando a retomada.

O incômodo era que, além dos estudos, tinha de lidar ocasionalmente com a filha do médico prático, uma garota de quinze anos, recém-ingressa no ensino médio, cheia de curiosidade sobre o sexo oposto.

Vendo que o pai, médico, saíra por um momento e estavam sozinhos, a garota aproveitou para sentar-se à sua frente e perguntar: "Zhang Xuan, depois do Ano Novo você faz dezoito, não é?"

Sem levantar a cabeça, Zhang Xuan respondeu, desanimado: "Sim."

"E quanto você mede?"

"Um metro e setenta e seis."

"Estudando na capital, como você, deve ter muitas garotas bonitas na escola, não?"

"Tem."

A garota hesitou, depois perguntou: "Já se apaixonou por alguma?"

"Que pergunta é essa, menina?"

"É só curiosidade! E não sou tão criança assim."

Sem fim, hein? Zhang Xuan ergueu os olhos, encarando preguiçosamente a garota cujos olhos grandes não demonstravam o menor constrangimento. Sem alternativa, recorreu ao truque final.

Zhang Xuan sorriu e disse: "Você está pulando etapas. Não deveria primeiro mandar a casamenteira à minha casa para ver se nossos signos combinam, antes de falar em namoro?"

Ps: Contrato assinado, já atualizei o status. Quem gosta de ler em março, pode deixar seu apoio.

Durante o lançamento do novo livro, continuo pedindo recomendações, votos mensais, resenhas... todos os apoios possíveis...