Capítulo 61: Você não pode me abraçar?

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 3038 palavras 2026-01-30 12:33:48

Já passava das cinco da tarde quando Du Shuangling retornou à escola, acompanhada de Yang Yongjian e Sun Jun.

Zhang Xuan, que já os aguardava no caminho obrigatório pelo campo de esportes, correu ao encontro deles e, antes de mais nada, deu um abraço caloroso em Sun Jun, batendo-lhe no ombro no final:
— Cara, quanto tempo, hein!

Sun Jun, dois anos mais velho, sorriu mostrando os dentes e, com ar travesso, retribuiu com um soco amigável, perguntando:
— Já jantou?

Zhang Xuan lançou um olhar para os três, por fim fixando-se em Du Shuangling:
— Estou esperando por ela.

Diante de tamanha franqueza, Du Shuangling corou e mordeu levemente os lábios, fitando-o com alegria, como se, naquele instante, não quisesse mais esconder seus sentimentos diante dos outros.

Yang Yongjian não suportava esse clima e logo provocou os dois:
— Zhang Xuan, leva logo ela embora. Não era você que queria comemorar o aniversário dela só os dois?

Du Shuangling lançou um olhar de soslaio e aguardou que Zhang Xuan dissesse algo.

Zhang Xuan se aproximou dela e disse aos outros:
— Então está combinado, vou levá-la agora. Mais tarde volto e pago um lanche para vocês.

— E você agora está mesmo ganhando dinheiro? Vai pagar lanche pra gente? — Yang Yongjian mantinha-se cético quanto aos ganhos dele.

— Pode apostar — respondeu Zhang Xuan, piscando para Du Shuangling. — Vamos sair daqui, não vamos ser vela, né? Vamos.

— Está bem. — Ela sorriu para os dois e seguiu com Zhang Xuan.

Ao sair pelo portão da escola, Zhang Xuan perguntou:
— Mi Jian não estava com vocês no passeio? Já foi pra casa?

— Foi, ela voltou para jantar. — disse Du Shuangling, caminhando ao lado dele em silêncio.

Zhang Xuan continuou:
— O que vamos comer no jantar?

Du Shuangling olhou para o rio Zi reluzente sob a luz do fim de tarde e respondeu com voz serena:
— O que você quiser, eu também quero.

Essa garota, pensou Zhang Xuan, perguntar ou não dá no mesmo.

Ele parou de andar e a encarou:
— Hoje é seu aniversário. Tem algum lugar especial que queira ir, algo especial que queira comer, ou alguma coisa especial que queira fazer?

Ouvindo isso, Du Shuangling desviou devagar o olhar do rio e, suavemente, encarou-o:
— Hoje, posso fazer o que eu quiser?

Os olhares se encontraram por uns longos quinze segundos, até que Zhang Xuan respondeu:
— Pode.

— Não pode me recusar.

— Está bem, faço tudo que você quiser.

— Ouvi dizer que as azaleias estão floridas. Vai comigo vê-las?

— Lá no Instituto Pedagógico?

— Sim.

— Lá não tem restaurante.

— Não.

Depois de responder duas vezes, Du Shuangling já se virava à direita, tomando a frente pelo caminho de pedras à margem do rio Zi.

Pois é, pensou Zhang Xuan, ela hoje está bem decidida, mas eu já estou quase desmaiando de fome... Mesmo assim, seguiu em frente, afinal, era o aniversário dela.

O Instituto Pedagógico era a única instituição de ensino superior da cidade de Shao, não ficava longe do colégio. Mi Jian morava lá com os pais, pois a mãe era professora da escola.

O pôr do sol tingia o rio e coloria o céu limpo.

Naquele mundo vasto e profundo, onde água e céu se perdiam no horizonte, os dois caminhavam devagar como libélulas planando, sem dizer uma palavra.

Zhang Xuan sentiu que a jovem ao seu lado não queria conversar. Tudo ao redor — o rio silencioso, o vento suave, o caminho de pedras, o crepúsculo colorido — pareciam, aos olhos dela, ter mais importância do que ele.

Após quinze minutos de caminhada silenciosa, atravessaram uma ponte em arco e chegaram ao Parque das Azaleias.

Na verdade, o parque era apenas uma grande colina baixa, repleta de árvores de azaleia por todos os lados.

Junho era a época das flores: lilases, azul-claras, vermelhas e brancas entrelaçavam-se por todo o campo, formando um verdadeiro mar de flores.

Caminhando lentamente entre elas, sentiam-se transportados para outro mundo. O perfume das flores era tão intenso que parecia loucura, e as ondas de tons roxos cobriam toda a encosta, enquanto o ar embriagava com seu aroma.

A mente dos dois serenou de imediato; todas as preocupações pareciam ter se dissipado.

Caminhavam e paravam, admirando a paisagem, até que Zhang Xuan quebrou o silêncio:
— As azaleias estão tão belas esses dias... Vocês não pensaram em vir vê-las durante o dia?

— Não. O salto do sapato de Yongjian quebrou, então fomos passear na rua Hongqi.

Du Shuangling caminhava tranquilamente, até que, de repente, parou sob uma árvore e ficou olhando os botões das flores. Após um longo tempo, disse suavemente:
— Zhang Xuan, estou com saudade de casa.

— O quê? — Zhang Xuan pensou ter ouvido errado e se aproximou, acenando à sua frente. — Seus pais não vieram hoje? Como está com saudade de casa?

Ela não respondeu… Desviou o olhar das flores e lentamente pousou-o sobre ele.

Mais uma vez, seus olhos se encontraram...

E então, de repente, ela se moveu.

Rápida, resoluta, como se não houvesse volta!

Du Shuangling entrelaçou as mãos sobre o ventre, hesitou alguns passos e, como se tivesse tomado uma decisão, mordeu os lábios, as pestanas tremendo, baixou a cabeça e, cheia de coragem, jogou-se nos braços dele. Abraçou-o suavemente pela cintura, fechou os olhos e encostou de leve o rosto em seu peito.

Num sussurro, disse:
— Zhang Xuan, estou com saudade de casa, muita, muita.

Zhang Xuan ficou atônito!

Surpreso, emocionado, feliz! Depois do choque, sentiu que aquilo era natural.

Ela já dissera várias vezes “estou com saudade de casa”. Agora, até o mais tolo entenderia o que esse “casa” significava.

Na última vez, quando Lilith se declarou para ele, também caminhavam à beira do rio Zi e ela dissera, olhando as águas: “Zhang Xuan, estou com saudade de casa”.

Na época, ele nem percebeu o significado.

Agora, finalmente compreendia: não era saudade da casa de origem, mas um jeito sutil de declarar seus sentimentos.

Foi também nesse instante que Zhang Xuan entendeu de verdade: por que aquela mulher, sempre tão discreta e reservada, hoje resolvera agir diferente, declarando-se abertamente?

Só havia duas respostas:

Primeira: provavelmente sentiu-se ameaçada por Lilith, a rival, e isso despertou nela um senso de urgência.

Segunda: talvez tenha percebido que Zhang Xuan começava a nutrir sentimentos por Mi Jian, ou então que na adolescência ele gostava de Xiao Shaowan, o que a deixava insegura.

A segunda hipótese era fácil de entender, até Yang Yongjian já percebera.

Zhang Xuan tinha motivos para acreditar que Du Shuangling, que sempre prestava atenção nele, também notara seus sentimentos vacilantes.

Por isso, ela sentiu medo de perdê-lo, medo de que ele fosse embora com outra.

Não podia mais esperar passivamente, nem adiar.

Por isso, agira hoje.

Sentindo os braços dela apertarem-no ainda mais, Zhang Xuan estava radiante, comovido, tomado por uma alegria efusiva e orgulhosa, como se tivesse conquistado o mundo!

Ao mesmo tempo, porém, uma sensação complexa e indescritível rondava seu coração.

Era difícil explicar: sua família não era das melhores, talvez até pobre, vestia-se humildemente, não tinha lábios doces para conquistar ninguém.

Ele mesmo não entendia: por que uma moça tão boa gostava dele? Por que tanto apreço, por que o escolheu em duas vidas?

Talvez por isso, quando na porta da escola ela dissera “não pode me recusar”, Zhang Xuan respondeu com convicção: tudo o que quiser, nunca direi não.

Du Shuangling permaneceu abraçada a ele por um tempo. Ao notar que ele não retribuía o gesto, preocupou-se e, não aguentando mais, rompeu todos os disfarces e disse, trêmula:
— O entardecer está tão fresco, o vento da montanha tão forte... Você não pode me abraçar?

Zhang Xuan ergueu as sobrancelhas, empurrou-a de leve duas vezes e, fingindo pesar, disse:
— Que desculpa mais esfarrapada, hein? Não dava pra pensar em um motivo melhor?

Ela, balançando nos braços dele, ao ouvir isso, não conseguiu se conter e sorriu, envergonhada.

Depois do sorriso, corando, levantou o rosto e perguntou:
— Então, o que eu deveria dizer para que você me abrace?

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Gostando ou não da personagem feminina, leia devagar. Março sempre constrói suas personagens femininas aos poucos.
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