Capítulo 22: Quer ganhar dinheiro rápido?

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2850 palavras 2026-01-30 12:28:13

Será que estou sendo paranoico? Pensando nisso, desviou o olhar e seguiu em direção ao banheiro, mantendo o rosto impassível e o mesmo ritmo constante.

— Comparado a antes, você parece diferente. Mas não sei dizer exatamente o que mudou.

Tudo estava tranquilo, quando, ao se aproximar da curva do corredor, uma voz surgiu repentinamente.

Fingiu não ouvir, como se não soubesse que estavam falando com ele, e continuou andando com calma.

— Você é aluno do terceiro ano do colégio de Shaoshi, não é?

A voz insistiu, e a pessoa se aproximou, acompanhando-o lado a lado.

Sem alternativa, parou e olhou para ela com uma expressão de inocência, como se fosse alguém inexperiente, perguntando surpreso:

— Senhora, está falando comigo?

Ela o fitou nos olhos e respondeu, sem ligar para a pergunta:

— Meu nome é You Huiyun.

Sem entender, replicou:

— Aconteceu alguma coisa?

Ela explicou:

— Venho te observando há um tempo. Quer ganhar dinheiro rápido?

Surpreso, perguntou:

— Observando a mim?

Ela brincou com um isqueiro na mão esquerda, acendendo e apagando a chama azul, e admitiu:

— Sim.

Sem compreender, insistiu:

— Por que está me observando?

Ela tragou um cigarro, soltou uma fileira de anéis de fumaça e respondeu, sorrindo de maneira enigmática:

— Por tédio, não tenho nada melhor para fazer.

E repetiu:

— Dá pra ver que você precisa de dinheiro, que deseja dinheiro. Quer ganhar dinheiro rápido?

Fitando seus olhos, respondeu:

— Tenho um colega que também está precisando muito de dinheiro.

Ela, como se soubesse de quem se tratava, foi direta:

— Seu colega é muito simplório, não me interessa.

— Não se interessa pelo meu colega, então está interessada em mim?

Ela não respondeu diretamente, apenas disse:

— Notei que você anda sempre muito simples, queria te ajudar.

Ele olhou para as próprias roupas, realmente não eram grande coisa, mas pelo menos estavam limpas e arrumadas. Por fim, perguntou:

— Ajudar? Mas existe almoço grátis no mundo?

Ela riu:

— Não, não existe.

Ele também riu:

— Então, acha mesmo que eu cairia numa armadilha?

Ela, com uma entonação ambígua, respondeu:

— Por enquanto, não deve cair.

E, sem esperar resposta, já emendou:

— Não vai mais ao banheiro?

Doente! E doente sério! Louca! Antes de sair, ele sentiu vontade de responder isso.

Ao sair do banheiro e lavar as mãos, ela já tinha sumido. Sentiu-se aliviado.

De volta ao salão, de repente, a carne perdeu o sabor para ele.

Queria fofocar sobre os outros, mas acabou sendo alvo da fofoca. Isso incomoda demais!

Ao mesmo tempo, pensou que, se não tivesse ficado observando, talvez ela não tivesse encostado nos seus ombros.

Se não tivesse ido ao banheiro, aquela conversa teria sido evitada.

Afinal, em outra vida, ela também costumava dar-lhe coisas de graça. Depois, mesmo que tenham se encontrado algumas vezes, só trocaram olhares de longe, nunca tiveram contato de verdade.

Pensando assim, percebeu que era castigo. Pra que tanta curiosidade?

Pra quê?

Decidiu que nunca mais voltaria àquele restaurante estranho. Tomou a decisão naquele instante.

Depois de comer, na hora de pagar, ao ver que a sobremesa oferecida não era cobrada, Duke Dong não se conteve e perguntou à atendente do caixa:

— Vocês costumam fazer promoções assim, oferecendo pratos extras?

You Huiyun não estava por perto, então a funcionária respondeu educadamente:

— De vez em quando, mas não é sempre. Depende do humor da dona. Às vezes, quando está de bom humor, ela presenteia alguns clientes, sejam novos ou antigos.

— Entendi, obrigado.

— Disponha, volte sempre!

Duke Dong pegou o troco e saiu.

Os três também foram embora.

Ao entrar no Santana, antes de partirem, Zhang Xuan ainda olhou para a fachada do restaurante: era moderno, elegante.

Uma pena que You Huiyun fosse tão doida!

Ao voltar à escola, Zhang Xuan se despediu das duas colegas.

Como ainda não tinham começado as aulas, aproveitou o tempo livre, deixou livros e roupas no dormitório e saiu apressado rumo à estação de trem de Shaoshi, levando alguns produtos típicos da terra.

Foi visitar o filho mais velho da tia, Yang Yun.

Naquele ano, Yang Yun não voltou para casa no Ano Novo.

Embora dissesse pelo telefone que estava tudo bem, Zhang Ru ainda desconfiava e pediu para Zhang Xuan dar uma passada lá antes do início das aulas.

Afinal, todos sabiam que nos últimos seis meses o casal não estava em harmonia: brigas pequenas dia sim, dia não; brigas grandes, a cada três dias. Às vezes, até partiam para a agressão.

Procurou Yang Yun na estação e não o achou; perguntou aos colegas de trabalho e ouviu:

— Hoje ele está de folga, deve estar em casa.

O alojamento dos funcionários ficava perto. Seguiu direto e, dessa vez, encontrou o primo.

Tocou a campainha, a porta se abriu.

No choque do encontro, Zhang Xuan se assustou, achando que o primo tinha feito plástica.

O pescoço parecia não ser mais pescoço, o rosto não era mais rosto, só arranhões e marcas vermelhas, formando linhas vivas e quase artísticas.

Agora entendia por que o primo tinha tirado folga: não dava pra sair assim na rua!

Entregou-lhe os produtos, trocou de sapatos e deu uma volta pela casa, depois perguntou:

— Está sozinho? E a sua esposa?

Yang Yun deixou as coisas na cozinha e explicou:

— Ela foi com Qian Qian e as crianças pra casa da mãe. Só volta à noite.

— Ah.

Lin Yi sentou-se e perguntou curioso:

— E esse rosto? Brigou com um gato? E ainda perdeu?

Os problemas de casa já não eram segredo. Yang Yun, sem se constranger, trouxe-lhe um copo d’água:

— Deixa de piada. Eu que deixei ela ganhar.

Zhang Xuan tomou um gole, deixou o copo na mesa:

— Brigaram de novo por quê?

Yang Yun reclamou:

— Motivo de sempre, dinheiro. Tudo por causa do desemprego.

Zhang Xuan sabia que a família da prima estava em apuros e que, há meio ano, ela fora demitida da cooperativa. Os problemas juntos deixaram o lar instável.

Perguntou:

— Ela ainda não achou trabalho?

Yang Yun, abatido, respondeu:

— Hoje em dia tem muito desempregado. Trabalho não está fácil. Pra ganhar algum, ela tem vendido coisas na rua, com umas amigas.

— Vendendo o quê?

— Coisas baratas: roupas, meias, luvas de lã.

— Tem vendido bem?

— Porque é tudo barato, no começo ela não sabia direito, mas agora até que está indo. Só que isso não é solução pra sempre.

Pensar que aquela prima, antes tão vaidosa, agora vendia coisas na rua... Era sinal de necessidade.

Mas dinheiro era escasso para todos, inclusive para ele e sua família.

Zhang Xuan tentou consolar:

— O importante é ganhar algum. Melhor que ficar parada em casa. E outra, agora o país só fala em economia de mercado. Não existe mais emprego garantido.

Vocês podem mudar um pouco a mentalidade. Muitos funcionários públicos têm largado tudo para empreender, até gente de alto cargo.

Por isso, ampliem a visão, aproveitem o espírito da reforma. Mesmo começando pequeno, vendendo na rua, pode-se crescer e prosperar. Pode ser um caminho.

Yang Yun olhou estranho:

— Teus professores do ensino médio ensinam isso tudo?

Zhang Xuan fez uma careta:

— Está em todo lugar, livros, jornais. Você é que finge não ver. Não fique só brigando em casa, aprenda mais, saia, viva o grande momento do nosso tempo.

E, sem dar chance de resposta, levantou-se, acenando:

— Vou indo, volto para a escola. Se a tia perguntar, digo que vocês têm um gato em casa, bravo e briguento demais.

Yang Yun levantou-se também:

— As aulas nem começaram, fica pro jantar.

Zhang Xuan nem olhou para trás:

— Melhor não. Se vocês brigarem de novo à noite, nem saberei de que lado ficar. É melhor eu ir.

Yang Yun ficou sem palavras, sem saber se ria ou chorava.

Bateu a porta.

Desceu as escadas correndo.

ps: Nova obra no ar, conto com o apoio de todos! Março agradece de coração!