Capítulo 29: Do Outro Lado da Porta, Deste Lado da Porta

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2632 palavras 2026-01-30 12:29:10

Gastando cinquenta centavos para chegar à estação de trem, deu uma volta lá dentro, mas não encontrou o primo mais velho.

Em seguida, apressou-se até o prédio de alojamento dos funcionários. Zhang Xuan percebeu que Yang Yun parecia não estar em casa; por mais que tocasse a campainha e batesse à porta, não teve resposta.

Depois de tanto bater, o tio de meia-idade do apartamento ao lado, já sem paciência, abriu a porta com uma expressão de alerta e perguntou:

— Quem é você?

Zhang Xuan respondeu:

— Olá, sou primo da Yang Yun, desculpe incomodar.

Ao ver que era um jovem educado, o tio relaxou o semblante e disse:

— Não adianta bater, Yang Yun e o marido não estão em casa.

— Sério? Você sabe onde eles estão? — perguntou Zhang Xuan.

O tio informou:

— Eles estão no Hospital Popular. Yang Yun está internada.

A notícia deixou Zhang Xuan bastante assustado e ele perguntou apressado:

— Ela está doente? O que aconteceu para ser internada?

O homem o observou novamente e disse:

— Parece que ela caiu e quebrou um osso.

E então reforçou:

— Não bata mais à porta, vá ao hospital encontrá-los.

— Obrigado.

Com a notícia da internação, Zhang Xuan foi rapidamente até a entrada do Hospital Popular e pensou no que deveria comprar.

Encontrou uma pequena loja de frutas, comprou algumas maçãs e laranjas. Depois, passou na mercearia ao lado para pegar biscoitos, conservas e balas.

Sentiu o peso das sacolas e achou que já era suficiente antes de entrar no hospital.

Como o primo era conhecido, não foi difícil encontrá-lo.

No terceiro andar da ala de internação, logo viu Yang Yun deitada na cama e Hui, sua esposa, arrumando algumas coisas ao lado.

Zhang Xuan cumprimentou rapidamente, entregou as compras à Hui, que sorria, e perguntou:

— Ouvi do seu vizinho que você quebrou um osso. O que aconteceu?

Embora estivesse internada, Yang Yun parecia de bom humor. Virou-se e disse:

— Ah, nem me fale, que falta de sorte! Dias atrás, fui ajudar sua prima a buscar mercadoria. Para ser mais rápido, peguei um atalho de madrugada, não enxerguei direito e despencamos de uma altura de quatro metros. Ouvi um estalo, não podia ser outra coisa, fratura.

Zhang Xuan olhou para a perna esquerda, claramente já operada.

— O que o médico disse?

Yang Yun gesticulou, indicando que não era nada grave.

Nesse momento, Hui lhe serviu um copo de água morna, olhou para ele e elogiou:

— Nosso caçula está cada vez mais parecido com a tia, está ficando bonito.

Yang Yun riu e concordou:

— Os genes da tia são bons, os três irmãos são todos bonitos.

Zhang Xuan, desconcertado com tantos elogios sinceros, mas que ainda assim o deixavam sem jeito, bebeu um pouco de água e mudou de assunto:

— Você disse que estava buscando mercadoria de madrugada. O movimento está bom assim?

Ao tocar no assunto, Hui se animou e respondeu, os olhos brilhando:

— Não subestime a vida de ambulante. No começo, eu ficava meio chateada, achando vergonhoso; mas agora, o faturamento de alguns dias supera o meu antigo salário do mês inteiro.

— Sério? Que bom! — Zhang Xuan ficou feliz pelo casal e sugeriu: — Então aproveitem para juntar dinheiro, quem sabe abrir uma loja, talvez o negócio melhore ainda mais.

Ao ouvir sobre abrir loja, Hui balançou a cabeça, ora afirmando, ora negando:

— Ontem mesmo estávamos discutindo isso. Pensamos em não abrir uma loja de varejo, mas tentar um negócio de atacado de roupas.

Zhang Xuan entendeu na hora: Hui tinha experiência como vendedora, era ágil, comunicativa e sabia negociar. Além disso, mantinha contatos da época da cooperativa e tinha um grupo de amigas ambulantes. O atacado de roupas era, de fato, uma ótima ideia.

E, de acordo com as lembranças de sua vida passada, mesmo com algumas brigas agora, o negócio do casal prosperaria bastante.

Além de dominar o comércio local, várias cidades e condados vizinhos compravam roupas por meio deles.

Na garagem, tinham quatro carros: dois caminhões, um Mercedes e um BMW. Viraram referência de sucesso no vilarejo.

Conversaram um pouco ao lado do leito. Depois, Hui quis levar Zhang Xuan para jantar em um restaurante, mas ele recusou.

Zhang Xuan disse a Hui:

— Qianqian e as meninas vão sair da escola logo, é melhor você ir cuidar delas. Já está ficando tarde, eu também preciso voltar para a escola.

O casal insistiu muito para que ele aceitasse o convite.

Mas Zhang Xuan sabia que estavam ocupados e recusou, prometendo voltar outra vez.

Quando finalmente se despediu e deixou o hospital, Zhang Xuan não foi direto pegar o ônibus.

Segundo as experiências de suas vidas passadas, viajar de estômago vazio era como tomar veneno: não só ficava com o estômago revirado, como vomitava até não aguentar mais.

Escolheu um restaurante que parecia melhorzinho por fora e entrou.

Talvez por já ser hora de almoço, estava cheio. Esperou uns sete ou oito minutos até vagar uma mesa.

Sentou-se e percebeu que a mesa estava coberta por uma crosta grossa de gordura velha. Passou a unha e a sujeira virou como terra arada.

Que nojo, pensou. Queria trocar de restaurante, mas, lembrando que todos naquela rua eram do mesmo tipo, desistiu.

Levantou a mão e chamou:

— Chefe, quero pedir.

O movimento era intenso e o dono andava de um lado para outro. Quando conseguiu se livrar de uma mesa, veio apressado:

— O cardápio está aqui. Veja o que quer comer.

Zhang Xuan não quis olhar o cardápio e pediu o mesmo da mesa ao lado:

— Tofu caseiro, carne de caracol pequeno frita.

— Certo, só um instante. — O dono anotou o pedido e saiu.

Só um instante, só um instante. Mas a espera foi longa e Zhang Xuan precisou ir até a cozinha cobrar.

A dona, que estava no fogão, garantiu:

— Meu rapaz, desculpe! Em dez minutos seu prato estará na mesa, prometo.

Zhang Xuan, desconfiado, voltou ao seu lugar.

Mas não queria mais ficar ali parado, era torturante. Olhou ao redor, mas não viu nada interessante para observar.

Pensou que, se alguém começasse a discutir, seria ótimo. Adorava ver gente discutindo, ver os nervos à flor da pele. Se o barraco fosse bom, até daria uma moedinha de recompensa.

No entanto, diante do tédio, a discussão não veio, mas apareceu alguém inesperado para dividir a mesa — You Huiyun.

Ela sentou-se, já cumprimentando como se fossem velhos conhecidos:

— Você está olhando para todos os lados, estava esperando por mim?

Zhang Xuan ficou em silêncio.

You Huiyun sorriu, meio irônica:

— O que foi? Ficou tão emocionado ao me ver que não consegue falar?

Zhang Xuan a encarou um tempo, depois perguntou com calma:

— O que está fazendo aqui?

Ela largou a bolsa preta perto da parede, ajeitou o cabelo e disse:

— Nunca viu um médico que também é dono de restaurante?

Zhang Xuan observou o visual da mulher: toda vestida de marca, estilosa demais! Para uma cidadezinha como Shaoshi, ela não combinava em nada.

Apesar de desconfiar da história, Zhang Xuan não quis discutir.

Vendo que ele não respondia, You Huiyun perguntou:

— O que você pediu?

Parecia que ela queria dividir a mesa com ele, e Zhang Xuan, um pouco contrariado, respondeu:

— Tofu caseiro, carne de caracol pequeno frita.

You Huiyun ouviu e pediu ao dono:

— Para mim também, por favor: tofu caseiro e carne de caracol pequeno frita.

Zhang Xuan ficou em silêncio.

O dono do restaurante olhou para ela, intrigado. Pensava: esses dois não se conhecem? Como podem pedir o mesmo prato? Não estou entendendo nada!