Capítulo 79: Coloquei um pouco de laxante na comida da sua mãe
Naquela noite, tomado de inspiração, escreveu diretamente três mil e duzentas palavras. Ao atingir esse ponto, parou resoluto. Em seguida, voltou ao início e revisou, revisou, revisou… Pesando cada palavra, ponderando cada parágrafo, sem buscar a perfeição absoluta. Depois de conferir três vezes, sentindo-se ainda cheio de energia, começou a trabalhar nos textos para a “Revista Juventude”. Precisava entregar dois textos por mês, e, nesse início de mês, ainda não tinha escrito nada devido à correria do vestibular.
Era preciso terminar um texto logo. Mesmo que pareça pouco, mil e duzentos reais ainda são dinheiro! Com criatividade transbordante e ideias fluindo, Zhang Xuan só foi descansar às quatro horas da manhã. Antes de dormir, olhou para o pôster de Vivian Chow pregado na parede e, sem vergonha, murmurou: “Se um dia eu te encontrar pessoalmente, prometo que vou te mimar muito”, e então adormeceu.
Para falar a verdade, embora Vivian Chow fosse realmente bonita, para ele, não causava o mesmo deslumbramento que Mi Jian. Talvez fosse a diferença entre o imaginário e o real. Afinal, qual a graça de contemplar um pôster? No máximo, fazia os lençóis se desgastarem mais rápido.
Dormiu confortavelmente e, ao acordar no dia seguinte, Yang Yongjian já havia voltado das montanhas. Espreguiçando-se, bocejando e passando a mão pelos cabelos desgrenhados, perguntou de forma sonolenta:
— Por que chegou tão cedo? Já tomou café?
Yang Yongjian assentiu: — Já, e você, por que só agora acordou?
— Está tão tarde assim?
— Não está? Já são sete horas.
Ao perceber que seu velho colega estava de bom humor para brincar, Zhang Xuan sentiu-se aliviado. Não importava se Yang Yongjian estava se forçando a parecer bem; era melhor do que vê-lo triste e cabisbaixo.
Pegou a roupa limpa e, ao passar pela cozinha, viu o tio preparando o café. O cheiro bom era de sangue de porco fresco. Mas, ao olhar dentro da panela, os pedaços de sangue coagulados, de um vermelho pálido, lembravam água de cadáver, e o apetite se foi.
Tomou banho no poço do quintal dos fundos, lavou o cabelo, arrumou-se e preparou-se para sair. Ao vê-lo assim, Ruan Xiuqin correu atrás dele:
— Filho, não vai tomar café da manhã?
— Mãe, tive um sonho esta noite. Sonhei com um imortal que me disse que, se eu comer macarrão de arroz hoje de manhã, terei boa sorte e vou tirar uma nota alta.
Ruan Xiuqin queria discordar, afinal, deixar de comer em casa para gastar dinheiro fora era puro desperdício. Mas, ao ouvir o filho inventando essa desculpa na hora, ficou tão contrariada que não conseguiu dizer “não”.
As pessoas têm medo de estragar a sorte.
— Mãe, estou indo.
Vendo a mãe avarenta fitá-lo, Zhang Xuan não ousou ficar mais e chamou Yang Yongjian para subir na moto. Partiram logo.
...
Enquanto Zhang Xuan e Yang Yongjian seguiam para o centro da cidade, na zona rural, Du Kedong também chamava a filha para sair. Disse que iriam esperar Zhang Xuan e Yang Yongjian no centro.
Du Shuangling foi a primeira a entrar no carro. Depois, percebendo que só o pai saía de casa, perguntou, intrigada:
— E a mãe? Ela não disse que iria comigo à escola?
Du Kedong, olhando pela janela para a casa antiga, ligou o carro e respondeu:
— Sua mãe está com diarreia hoje, não vai poder ir.
Du Shuangling se assustou e perguntou, preocupada:
— Mas ontem à noite, quando bebemos juntas, ela estava bem. Como assim, de repente, ficou assim? Será que está grave? Tomou algum remédio?
Du Kedong, vendo o semblante ansioso da filha, sentiu-se reconfortado e, olhando ao redor, confidenciou baixinho:
— Não é nada sério. Eu mesmo dei o laxante. Sei o que faço. Ela já tomou remédio para parar, mas agora voltou ao banheiro.
Du Shuangling ficou chocada, achando que tinha ouvido errado, e perguntou, incrédula:
— Pai, o que você disse? Você que deu o remédio?
— Sim — ele assentiu levemente.
— Como você fez isso?
Du Kedong segurou o volante com as duas mãos e respondeu com sinceridade:
— Sua mãe acordou de madrugada com sede e, como sempre, mandou que eu pegasse água morna. Aproveitei e coloquei um pouco de laxante.
Du Shuangling apertou os lábios finos, olhando fixamente para o pai, e perguntou num tom mais duro:
— Por que fez isso?
— Veja bem, não olhe assim para mim. Fiz isso para o seu bem. Senão, sua mãe ia insistir em ir com você para a escola hoje.
Depois de explicar, Du Kedong continuou:
— Embora vocês tenham se aproximado ontem à noite, você conhece o gênio da sua mãe. Se ela fosse, com certeza iria interferir na sua escolha de curso.
Vendo um caminhão grande se aproximar, Du Kedong encostou o Santana e continuou:
— Agora que sua mãe não pode ir, você pode escolher o curso que quiser. O papai apoia você.
Du Shuangling ficou um instante em silêncio, olhando o perfil do pai, e os olhos se encheram de lágrimas.
Ao chegarem à porta da agência dos correios da cidade, pai e filha avistaram duas pessoas sentadas na porta da loja de macarrão do outro lado da rua.
Ou melhor, só Zhang Xuan comia; Yang Yongjian apenas esperava.
Quando Yang Yongjian viu pai e filha, levantou-se e acenou.
— Zhang Xuan, você não tomou café? — Du Kedong atravessou a rua e perguntou.
Zhang Xuan trocou um olhar cúmplice com Du Shuangling e respondeu:
— A comida de casa não estava pronta. Para não perder tempo, vim comer um macarrão.
Yang Yongjian ouviu a mentira, mas não disse nada.
— Então coma devagar, não precisa apressar, ainda temos tempo — disse Du Kedong, indo à loja ao lado comprar algumas garrafas de suco Huiyuan.
Zhang Xuan abriu uma garrafa, tomou um grande gole e perguntou:
— Tio, vocês não vão construir uma casa nova? Quando começam?
Du Kedong também tomou um gole e respondeu:
— Está perto. Vamos começar a fundação no meio do mês, faltam uns dez dias.
Zhang Xuan perguntou:
— Já está tudo certo com a equipe de construção e a planta da casa?
Du Kedong colocou o suco na mesa:
— A equipe foi contratada no começo do ano, do pessoal da cidade. A planta demorou um pouco mais, só consegui em maio.
Zhang Xuan hesitou alguns segundos e perguntou:
— Tio, posso ver a planta?
Du Kedong ficou surpreso, sem entender a intenção, mas não recusou:
— Está em casa, não aqui na cidade. Depois de escolher o curso, você pode ver, tudo bem?
— Obrigado, tio.
Aproveitando a deixa, Zhang Xuan, sem vergonha, continuou:
— Tio, na verdade, meus pais também querem construir um pequeno sobrado.
Du Kedong entendeu logo e, sentando-se, brincou:
— Então, por acaso vocês também precisam de uma equipe experiente e de uma planta de casa…
Percebendo que fora descoberto, Zhang Xuan ficou vermelho, mas foi sincero:
— Estamos perdidos, não sabemos por onde começar, então pensei em pedir uma ajuda ao senhor.
Du Kedong olhou instintivamente para a filha de olhos brilhantes e respondeu com prontidão:
— Claro, isso não é problema. Minha planta também consegui com os empresários do vilarejo vizinho, há vários modelos. Depois você escolhe um e tira uma cópia.
— Obrigado.
...
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