Capítulo 79: Coloquei um pouco de laxante na comida da sua mãe

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2509 palavras 2026-01-30 12:36:31

Naquela noite, tomado de inspiração, escreveu diretamente três mil e duzentas palavras. Ao atingir esse ponto, parou resoluto. Em seguida, voltou ao início e revisou, revisou, revisou… Pesando cada palavra, ponderando cada parágrafo, sem buscar a perfeição absoluta. Depois de conferir três vezes, sentindo-se ainda cheio de energia, começou a trabalhar nos textos para a “Revista Juventude”. Precisava entregar dois textos por mês, e, nesse início de mês, ainda não tinha escrito nada devido à correria do vestibular.

Era preciso terminar um texto logo. Mesmo que pareça pouco, mil e duzentos reais ainda são dinheiro! Com criatividade transbordante e ideias fluindo, Zhang Xuan só foi descansar às quatro horas da manhã. Antes de dormir, olhou para o pôster de Vivian Chow pregado na parede e, sem vergonha, murmurou: “Se um dia eu te encontrar pessoalmente, prometo que vou te mimar muito”, e então adormeceu.

Para falar a verdade, embora Vivian Chow fosse realmente bonita, para ele, não causava o mesmo deslumbramento que Mi Jian. Talvez fosse a diferença entre o imaginário e o real. Afinal, qual a graça de contemplar um pôster? No máximo, fazia os lençóis se desgastarem mais rápido.

Dormiu confortavelmente e, ao acordar no dia seguinte, Yang Yongjian já havia voltado das montanhas. Espreguiçando-se, bocejando e passando a mão pelos cabelos desgrenhados, perguntou de forma sonolenta:

— Por que chegou tão cedo? Já tomou café?

Yang Yongjian assentiu: — Já, e você, por que só agora acordou?

— Está tão tarde assim?

— Não está? Já são sete horas.

Ao perceber que seu velho colega estava de bom humor para brincar, Zhang Xuan sentiu-se aliviado. Não importava se Yang Yongjian estava se forçando a parecer bem; era melhor do que vê-lo triste e cabisbaixo.

Pegou a roupa limpa e, ao passar pela cozinha, viu o tio preparando o café. O cheiro bom era de sangue de porco fresco. Mas, ao olhar dentro da panela, os pedaços de sangue coagulados, de um vermelho pálido, lembravam água de cadáver, e o apetite se foi.

Tomou banho no poço do quintal dos fundos, lavou o cabelo, arrumou-se e preparou-se para sair. Ao vê-lo assim, Ruan Xiuqin correu atrás dele:

— Filho, não vai tomar café da manhã?

— Mãe, tive um sonho esta noite. Sonhei com um imortal que me disse que, se eu comer macarrão de arroz hoje de manhã, terei boa sorte e vou tirar uma nota alta.

Ruan Xiuqin queria discordar, afinal, deixar de comer em casa para gastar dinheiro fora era puro desperdício. Mas, ao ouvir o filho inventando essa desculpa na hora, ficou tão contrariada que não conseguiu dizer “não”.

As pessoas têm medo de estragar a sorte.

— Mãe, estou indo.

Vendo a mãe avarenta fitá-lo, Zhang Xuan não ousou ficar mais e chamou Yang Yongjian para subir na moto. Partiram logo.

...

Enquanto Zhang Xuan e Yang Yongjian seguiam para o centro da cidade, na zona rural, Du Kedong também chamava a filha para sair. Disse que iriam esperar Zhang Xuan e Yang Yongjian no centro.

Du Shuangling foi a primeira a entrar no carro. Depois, percebendo que só o pai saía de casa, perguntou, intrigada:

— E a mãe? Ela não disse que iria comigo à escola?

Du Kedong, olhando pela janela para a casa antiga, ligou o carro e respondeu:

— Sua mãe está com diarreia hoje, não vai poder ir.

Du Shuangling se assustou e perguntou, preocupada:

— Mas ontem à noite, quando bebemos juntas, ela estava bem. Como assim, de repente, ficou assim? Será que está grave? Tomou algum remédio?

Du Kedong, vendo o semblante ansioso da filha, sentiu-se reconfortado e, olhando ao redor, confidenciou baixinho:

— Não é nada sério. Eu mesmo dei o laxante. Sei o que faço. Ela já tomou remédio para parar, mas agora voltou ao banheiro.

Du Shuangling ficou chocada, achando que tinha ouvido errado, e perguntou, incrédula:

— Pai, o que você disse? Você que deu o remédio?

— Sim — ele assentiu levemente.

— Como você fez isso?

Du Kedong segurou o volante com as duas mãos e respondeu com sinceridade:

— Sua mãe acordou de madrugada com sede e, como sempre, mandou que eu pegasse água morna. Aproveitei e coloquei um pouco de laxante.

Du Shuangling apertou os lábios finos, olhando fixamente para o pai, e perguntou num tom mais duro:

— Por que fez isso?

— Veja bem, não olhe assim para mim. Fiz isso para o seu bem. Senão, sua mãe ia insistir em ir com você para a escola hoje.

Depois de explicar, Du Kedong continuou:

— Embora vocês tenham se aproximado ontem à noite, você conhece o gênio da sua mãe. Se ela fosse, com certeza iria interferir na sua escolha de curso.

Vendo um caminhão grande se aproximar, Du Kedong encostou o Santana e continuou:

— Agora que sua mãe não pode ir, você pode escolher o curso que quiser. O papai apoia você.

Du Shuangling ficou um instante em silêncio, olhando o perfil do pai, e os olhos se encheram de lágrimas.

Ao chegarem à porta da agência dos correios da cidade, pai e filha avistaram duas pessoas sentadas na porta da loja de macarrão do outro lado da rua.

Ou melhor, só Zhang Xuan comia; Yang Yongjian apenas esperava.

Quando Yang Yongjian viu pai e filha, levantou-se e acenou.

— Zhang Xuan, você não tomou café? — Du Kedong atravessou a rua e perguntou.

Zhang Xuan trocou um olhar cúmplice com Du Shuangling e respondeu:

— A comida de casa não estava pronta. Para não perder tempo, vim comer um macarrão.

Yang Yongjian ouviu a mentira, mas não disse nada.

— Então coma devagar, não precisa apressar, ainda temos tempo — disse Du Kedong, indo à loja ao lado comprar algumas garrafas de suco Huiyuan.

Zhang Xuan abriu uma garrafa, tomou um grande gole e perguntou:

— Tio, vocês não vão construir uma casa nova? Quando começam?

Du Kedong também tomou um gole e respondeu:

— Está perto. Vamos começar a fundação no meio do mês, faltam uns dez dias.

Zhang Xuan perguntou:

— Já está tudo certo com a equipe de construção e a planta da casa?

Du Kedong colocou o suco na mesa:

— A equipe foi contratada no começo do ano, do pessoal da cidade. A planta demorou um pouco mais, só consegui em maio.

Zhang Xuan hesitou alguns segundos e perguntou:

— Tio, posso ver a planta?

Du Kedong ficou surpreso, sem entender a intenção, mas não recusou:

— Está em casa, não aqui na cidade. Depois de escolher o curso, você pode ver, tudo bem?

— Obrigado, tio.

Aproveitando a deixa, Zhang Xuan, sem vergonha, continuou:

— Tio, na verdade, meus pais também querem construir um pequeno sobrado.

Du Kedong entendeu logo e, sentando-se, brincou:

— Então, por acaso vocês também precisam de uma equipe experiente e de uma planta de casa…

Percebendo que fora descoberto, Zhang Xuan ficou vermelho, mas foi sincero:

— Estamos perdidos, não sabemos por onde começar, então pensei em pedir uma ajuda ao senhor.

Du Kedong olhou instintivamente para a filha de olhos brilhantes e respondeu com prontidão:

— Claro, isso não é problema. Minha planta também consegui com os empresários do vilarejo vizinho, há vários modelos. Depois você escolhe um e tira uma cópia.

— Obrigado.

...

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