Capítulo 87: Por que você me elogia dessa maneira?

Renascendo na Grande Era de 1993 Bambu-doce de março 2526 palavras 2026-01-30 12:37:34

...

Quando terminaram tudo, estavam exaustos, sentados no chão, ofegando como cães.

Yang Yun preparou um lanche noturno: peixe cozido na água, carne de porco caramelizada e nabo em conserva, tudo servido em grandes tigelas de metal.

Os pratos eram simples, mas saborosos e em grande quantidade.

Zhang Xuan, que passara o dia todo comendo apenas miojo, estava faminto, e mal se sentou já começou a devorar tudo, sem o menor constrangimento ou cerimônia.

Comia um pedaço de carne de porco, depois um pedaço de peixe, uma delícia! Dava uma colherada no peixe e logo tomava um pouco do caldo, que satisfação...

Dessa vez, não era só Sun Fucheng o rei da comida; Zhang Xuan e a Sra. Hui também viraram verdadeiros comilões.

A comida sumia da mesa como se fosse varrida pelo vento, cada um comeu pelo menos três tigelas de arroz, e Yang Yun e Qianqian, ao lado, olhavam incrédulos para a velocidade com que os pratos iam desaparecendo.

Pensaram consigo mesmos: há quanto tempo essa turma não via carne de verdade?

Yang Yun aguentou o quanto pôde até perguntar: "O que foi, estão agindo como se soldados inimigos tivessem invadido a vila? Passaram o dia todo sem comer?"

Diante disso, apenas Sun Fucheng levantou a cabeça e sorriu.

Zhang Xuan e a Sra. Hui estavam ocupados demais comendo para dar atenção.

Depois de cerca de vinte minutos nessa correria, Zhang Xuan arrotou satisfeito.

Espreguiçou-se, acariciando a barriga redonda e cheia, suspirando ao ver que ainda restava bastante comida, mas realmente não cabia mais nada.

Observou Sun Fucheng, aquele velho, continuar comendo, sem sinal de parar. Pensou consigo: também é gente, nem é mais alto que eu, como consegue comer tanto?

Limpando os dentes com um palito, Zhang Xuan levantou-se para ir dormir e, depois de alguns passos, falou para Sun Fucheng: "Vovô, me dá uma força amanhã cedo? Ajuda a carregar aquelas três mil peças de roupa pro caminhão."

"Claro, sem problema." Sun Fucheng respondeu animado, servindo-se de mais uma tigela de arroz.

Esse aí é mesmo um saco sem fundo!

Zhang Xuan se rendeu, não quis ver mais e foi logo dormir.

Com o estômago cheio no meio da noite, o sono veio fácil. Assim que encostou na cama, adormeceu profundamente.

...

No dia seguinte, ainda mal havia clareado, Yang Yun o acordou.

Tinha dormido menos de três horas e sua cabeça ainda estava zonza. Meio levantando, olhou a janela, onde se via o luar, e perguntou, sonolento:

"Mano, que horas são? Por que me acordou tão cedo?"

Yang Yun olhou o relógio e explicou: "Quatro e oito, levanta."

Agora tem um caminhão indo para o seu vilarejo recolher flores de prata e ouro. Consegui pra você ir com ele direto pra casa, sem precisar passar pela cidade e trocar de veículo, bem mais prático."

"Poxa, mano, por que não avisou antes? Nem deu tempo de me preparar."

Zhang Xuan, que estava morrendo de sono, animou-se imediatamente ao ouvir isso, pulando da cama para se vestir.

Yang Yun sorriu meio sem jeito e disse: "Ontem ainda tentei te avisar, mas liguei várias vezes e o motorista não estava em casa, então nem comentei. Hoje de manhã ele próprio ligou, por isso te acordei de última hora."

"Certo, obrigado, mano."

Zhang Xuan calçou os chinelos e foi correndo ao banheiro, escovando os dentes enquanto olhava pela janela: "O caminhão já chegou? Onde está?"

Yang Yun foi dar uma olhada: "Calma, ainda está na estrada, deve demorar uns dez minutos para chegar aqui embaixo."

E acrescentou: "Não precisa pagar o frete dessa vez, o motorista é meu amigo. Depois só oferece um maço de cigarros pra ele."

Zhang Xuan terminou de escovar, enxaguou a boca e respondeu: "Mas assim não fica direito, são três mil peças de roupa, deve dar um trabalhão, pelo menos um dinheiro pra gasolina eu devia dar."

Yang Yun insistiu: "Não precisa, já falei. Eu sempre ajudo nos negócios dele, ele vai aceitar numa boa."

Quatro minutos depois, o caminhão chegou antes do esperado.

Zhang Xuan, já pronto, desceu correndo.

Desceram juntos Sun Fucheng e a Sra. Hui, recém-levantados.

Todos se apressaram e, juntos, carregaram as três mil peças de roupa no caminhão. Zhang Xuan entregou um cigarro ao motorista, já dentro da cabine.

"Mano, cunhada, vovô, obrigado por tudo, tô indo!" Zhang Xuan acenou, sorrindo, da janela.

"Vai com calma!" responderam, acenando de volta.

...

O motorista não era alto, tinha uma grande barriga, era bem gordo, cabelo encaracolado e brilhando de oleosidade, dando a impressão de que não lavava há meses.

Era viciado em cigarro e muito falante.

Assim que saíram da estação e pegaram a estrada nacional, o motorista já puxou conversa:

"Você é primo do Yang Yun, né? Mora no vilarejo da frente? Vai entrar no negócio de roupas agora?"

Acertou tudo de uma vez só. Zhang Xuan, agora sentado, sentia um sono enorme, queria dormir, mas não podia ser mal-educado.

Forçou-se a ficar acordado e respondeu: "Isso. Tio, você conhece bem o vilarejo da frente?"

"Claro! Vou lá sempre. Sabe aquele rico, Du Kedong? Eu sempre faço frete pra ele. Carrego de tudo: flores de prata e ouro, agrotóxicos, adubo, sementes, tudo quanto é tralha."

Falou, falou, e por fim se gabou: "Já trabalho pra ele faz uns cinco, seis anos, já viramos amigos."

Du Kedong, eu conheço, ele é o pai da minha esposa, pensou Zhang Xuan em silêncio, sem esperar que os laços fossem se cruzar desse jeito.

Sem revelar nada, Zhang Xuan fez um agrado: "Já ouvi falar do Du Kedong, é uma figura por lá. Se vocês são amigos, deve ter faturado bastante esses anos, invejo muito."

"Nem tanto, só uns trocados suados." O motorista deu risada tentando ser modesto, mas a expressão era de pura satisfação.

Conversaram o caminho todo, sobre todo tipo de assunto.

De repente, o motorista comentou: "Ouvi dizer que no seu vilarejo tem um escritor, ganhou mais de cem mil num ano só escrevendo artigos e agora quer construir uma mansão. Já ouviu falar disso?"

Ora!

Puxa vida!

Isso não parece comigo?

Zhang Xuan ficou atordoado. Será que minha fama chegou tão longe? Já chegou na cidade vizinha?

Cheio de dúvidas, respondeu cauteloso: "Ouvi falar, mas não sei se é verdade. Mas você, que está em outra cidade, como ficou sabendo?"

O motorista riu e explicou: "Ouvi numa conversa entre o Du Kedong e um conterrâneo meu que trabalha com construção. Du Kedong disse que talvez fosse construir duas casas, uma delas seria desse tal escritor famoso."

Nisso, o motorista suspirou: "Dizem que esse escritor é bem jovem, acabou de passar no vestibular este ano. Olha só a diferença das pessoas, né? Nem entrou na faculdade e já ganha dinheiro com conhecimento. Não sei que tipo de cabeça ele tem pra ser tão esperto.

Meu filho está no quinto ano e não consegue nem converter frações em decimal. Ontem mesmo tive que dar uma surra de cinto. Ah, se eu tivesse um filho escritor desses, até trocaria uns anos de vida por isso."

"....."

Zhang Xuan virou o rosto para a janela, sentindo o rosto arder.

Pensou: por favor, pare de elogiar, se continuar assim vai ficar difícil sair dessa.

Enquanto o motorista ainda falava, cheio de inveja do jovem escritor, Zhang Xuan sentia um misto de orgulho e vaidade, mas também uma pontinha de ansiedade.

Tão jovem e já com fama de escritor, se um dia não alcançar nada no caminho das letras, não vai virar motivo de piada?

Não seria ridículo, então?

ps: Continue acompanhando!