Capítulo 12: Destinado ao Amor?
Liu Cuiying resmungava atrás, ainda falando sobre a suposta cobiça de Hua Xiaoman por coisas materiais, o que fazia Hua Xiaoman rir e chorar ao mesmo tempo. Ah, as pessoas... se não são colocadas no devido lugar, acabam esquecendo até do próprio nome.
Pensando nisso, um lampejo de consciência pareceu surgir em Hua Xiaoman, que resolveu esperar por Liu Cuiying. Liu Cuiying, andando com dificuldade, ao ver Hua Xiaoman, já esperava ser amparada por ela. No entanto, Hua Xiaoman, com um olhar indiferente, apenas caminhava ao seu lado sem oferecer ajuda, e ainda soltava comentários irônicos:
— Esses seus saltos altos... seria melhor tirar logo, já que é tão difícil caminhar. Ou então volte para trocar de sapatos, nós esperamos.
— Não precisa! — Liu Cuiying respondeu, tentando parecer forte.
— Cuiying, vejo que seu rosto está pálido e as bochechas avermelhadas... isso é sinal de má sorte no amor, viu? — disse Hua Xiaoman, sem deixar de encarar o rosto de Liu Cuiying.
Má sorte no amor? Isso é só blush! Caipira!
Liu Cuiying não rebateu, mas por dentro ficou satisfeita.
Hua Xiaoman continuou: — Por sermos colegas, vou te explicar direito. Esse tal presságio amoroso não é bom sinal, indica que um terceiro vai se intrometer.
— Como assim? — Liu Cuiying franziu a testa.
Hua Xiaoman cochichou: — Uma amante.
— O que você está falando? — A voz de Liu Cuiying subiu de tom. — Se você gosta do Chu Huai, o problema é seu! Não venha inventar desculpas para me difamar. Você acha que todo mundo é igual a você? Hua Xiaoman, só porque entrou no ensino médio e aprendeu umas coisas, não tem o direito de ficar espalhando mentiras para provocar os outros!
Chu Huai tropeçou nos próprios pés. As garotas de hoje em dia, tão temperamentais!
Era cedo, e só os três estavam naquela trilha na montanha. Ele seguia à frente, sem se distanciar muito, por receio de que algo acontecesse com as duas. Com o tom de voz das garotas, não dava nem para fingir que não estava ouvindo.
No começo, achou divertida a conversa de Hua Xiaoman, toda cheia de trocadilhos, mas, de repente, viu-se envolvido na história.
E o fato é que, por mais que tentasse, não conseguia explicar direito porque dera um casaco de penas para Hua Xiaoman. Mas, com aquele frio, não podia deixar de comprar um casaco para a garota, tão frágil, ou então ela adoeceria.
Quando Liu Cuiying terminou de gritar, Hua Xiaoman não se irritou, respondeu apenas com frieza:
— Quem não escuta os mais velhos, acaba se dando mal. Acredite se quiser.
Dito isso, Hua Xiaoman seguiu em frente, deixando para trás uma imagem orgulhosa.
Liu Cuiying mordeu os lábios, lembrando de algo: alguns dias antes, seu primo Cao Tianle veio chorando procurá-la, dizendo que Hua Xiaoman tinha virado um monstro e ia devorá-lo. Na hora, Liu Cuiying não acreditou, mas Cao Tianle contou os detalhes com tanta convicção...
Cao Tianle nunca teve boa impressão de Hua Xiaoman e nem era próximo dela, ao contrário, era mais ligado à prima Liu Cuiying. Ao se deparar com aquilo, não teve coragem de contar nem para a própria mãe, só para Liu Cuiying.
Uns dias depois, Cao Tianle voltou, cheio de orgulho, dizendo que sua irmã-monstro era poderosa e o havia mandado se esconder no milharal, onde realmente encontrou algo. Depois, envolveu Wang Jingjing e Wang Bin na história. Com o jeito dele, de onde teria tirado uma ideia dessas?
Agora, pensando melhor, Liu Cuiying também achava Hua Xiaoman esquisita, como se estivesse mesmo possuída por algum espírito.
Apesar de ser estudante de uma nova geração e estar no ensino técnico, fora criada pela avó supersticiosa, ouvindo histórias de fantasmas desde pequena. Dizer que não acreditava em nada era impossível.
Sentiu um arrepio, como se um vento gelado soprasse, apertou o cachecol e lançou um olhar furtivo para Hua Xiaoman, achando até que a sombra da colega parecia estranha, como um monstro ameaçador.
Sem coragem de pensar mais, Liu Cuiying baixou a cabeça e apressou o passo, mas não conseguia tirar da mente o que Hua Xiaoman havia dito sobre má sorte e amantes. O que será que significava aquilo? Não podia deixar assim, precisava arranjar um jeito de ir até a casa dela depois.
Enquanto Liu Cuiying se assustava, Hua Xiaoman, calada, só pensava nos exercícios de matemática que resolvera na noite anterior. Nem quando caminhava desperdiçava tempo, não é mesmo?
Hua Xiaoman apressou o passo e alcançou Chu Huai, iniciando com ele uma conversa em inglês.
Ora vejam, pensou Chu Huai, está me testando? Estou prestes a entrar no mestrado, não vou perder para essa garota!
Os dois começaram a conversar cada vez mais rápido em inglês.
Liu Cuiying, voltando a si, quis participar, mas percebeu que não entendia quase nada! Até pegava uma coisa aqui e ali, mas não sabia responder, sua língua não acompanhava, não conseguia transformar o pensamento em inglês!
Com os dois conversando em inglês, ela não podia, de jeito nenhum, se meter falando no dialeto local.
Ouvindo o nível de inglês de Hua Xiaoman, Liu Cuiying sentiu-se inferior e desanimada. Tinha aparência de quem se destacava, mas, na verdade, o ensino técnico não se comparava ao ensino médio; ali a maioria só estudava o suficiente para conseguir um emprego depois.
Hua Xiaoman sempre foi melhor aluna, desde o ensino fundamental, e agora continuava mais capaz. Isso incomodava Liu Cuiying, que, ao pensar nas pessoas da montanha, deixava transparecer um brilho de amargura no olhar.
Seguindo adiante, Liu Cuiying sentou-se pesadamente numa pedra, tirou os sapatos e começou a massagear os pés:
— Não aguento mais, torci o pé, não consigo mais andar. Logo ali já é o Monte do Lamento, vou esperar aqui fora. Xiaoman, você já esteve lá antes, mostre o caminho para o Doutor Chu. Aqui, fiz até um mapa simples para vocês.
Liu Cuiying sabia que Hua Xiaoman tinha medo do Monte do Lamento e não ia lá há anos, só por isso ousou entregar a liderança a ela. Se não conheciam o caminho, teriam mesmo que seguir o mapa de Liu Cuiying.
Chu Huai pegou o mapa, conferiu a direção com Liu Cuiying. Era só um esboço feito à caneta, algumas linhas simples mostrando as trilhas externas.
Depois de confirmar o rumo, notaram que só havia um caminho possível, um círculo que levava de volta ao ponto de partida.
Assim, Liu Cuiying não precisava acompanhá-los para fazer com que Chu Huai e Hua Xiaoman seguissem sua rota.
Vendo os dois se afastarem, Liu Cuiying gritou:
— Doutor Chu, cuide bem da Xiaoman, hein? Ela é a moça mais bonita da nossa aldeia! Você tem sorte de namorar com ela! Nem precisa explicar, depois de gastar setecentos yuans num casaco de penas, não tem mais o que dizer!
A voz de mulher já era estridente, e ela parecia fazer questão de gritar tão alto que a neve caía dos galhos das árvores.
No meio da mata, alguns pássaros assustados bateram asas e voaram, provavelmente espantados com a gritaria de Liu Cuiying.
— Já entendi — respondeu Chu Huai, sem se dar ao trabalho de prolongar a conversa.
Hua Xiaoman também não se dignou a responder. As intenções de Liu Cuiying podiam enganar os outros, mas não a ela. Não havia mais nada a dizer a alguém tão obcecada.
Seguiram juntos, lado a lado, enquanto Liu Cuiying, sentada, não tirava os olhos do casaco de penas de Hua Xiaoman. Que coisa linda! Nem se trabalhasse o mês inteiro sem gastar nada conseguiria comprar algo tão caro.
Mas aproveite, pensou ela, quero ver até quando vai durar essa sorte. Logo à frente está o Monte do Lamento, quero ver vocês chorarem. Esses rapazes da cidade só têm aparência, na hora do aperto são todos uns covardes! Elegantes e educados no dia a dia, mas diante de um problema, viram uns frangotes!