Capítulo 4: O Falso Monge

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2419 palavras 2026-03-04 15:00:09

Após ouvir toda aquela encenação, Xiaoman sentiu-se mais tranquila. Sua segunda tia não tinha outros defeitos além de ser egoísta e gananciosa. Pessoas gananciosas, na verdade, são fáceis de lidar: enquanto houver algo a ganhar, e enquanto ela e o avô fossem úteis, não correriam perigo de vida. Se houvesse dinheiro para manter o interesse, a tia até poderia ajudar.

Veja só, uma simples caderneta de poupança, que nem sabiam se existia, já bastava para que ela quisesse proteger a vida da avó.

No curso da vida anterior, o que voltou na carroça foi a urna com as cinzas da avó; Xiaoman nem chegou a voltar para a aldeia, foi logo vendida. Agora, com a avó ainda viva e sem ter sido casada com a família Dong da cidade, Xiaoman não fazia ideia do que aconteceria ao voltar para a aldeia. Só poderia seguir passo a passo e ver no que dava.

Assim que chegaram à entrada da aldeia, o espetáculo começou.

Um homem alto e bonito, vestindo um manto azul-escuro de mestre taoísta, com aquele chapéu típico dos dramas antigos, segurava uma espada de madeira de pessegueiro. Ao seu lado, todos os apetrechos: braseiro, sangue de cachorro, papéis amarelos, pó de cinábrio.

A carroça foi parada, e o tal mestre começou a rodar em volta de Xiaoman, fazendo seus rituais.

Xiaoman fechou os olhos, sem coragem de assistir àquele teatro. O homem realmente tinha aparência de mestre taoísta, até certo ar de erudição espiritual. Mas o problema era outro: ela o conhecia.

Vinte anos depois, ele era um renomado doutor em psicologia, famoso por todo o país, e também seu médico responsável: Chu Huai.

Era ele quem deixava um buquê de flores ao lado de sua cama todos os dias, dizendo-lhe que a vida era bela e que deveria esquecer as tristezas do passado. Ele chegou a lhe dizer que queria se casar com ela, acompanhá-la na superação das sombras, rumo a um futuro feliz. Suas promessas lhe deram forças para enfrentar a doença.

Como poderia aquele homem ser um charlatão?

Será que seu renascimento também mudou o destino de Chu Huai?

Ela o encarou, atônita, enquanto ele sacudia um sino e brandia a espada de madeira, como se tivesse realmente se assustado.

Ao lado, a mãe de Yuzhi, a velha senhora Liu, explicava a Guozhu:

— Guozhu, quanto mais penso no que aconteceu com Xiaoman, mais estranho acho. Então pedi a Cuiying que fosse à cidade buscar um mestre com poderes para fazer uma cerimônia, expulsar o mal.

— Ela passou a noite toda na montanha. E se algo ruim grudou nela, vai acabar trazendo desgraça para a aldeia inteira.

A avó de Xiaoman acabara de acordar, e ficou furiosa ao ouvir aquilo. Principalmente ao ver a neta, parecendo um gatinho assustado, sendo obrigada a recuar diante da espada do falso mestre, assustada a ponto de ficar paralisada.

— Que conversa é essa! — gritou a velha senhora Cao. — O médico já disse, tudo isso é superstição sem sentido. Minha neta só ficou desorientada por causa da febre, falou enquanto dormia. O doutor também falou que algumas pessoas até sonambulam, isso é estar possuída?

— E você, rapaz, tão jovem e saudável, por que não trabalha direito e fica aí fingindo ser mestre para enganar os outros? Vamos, venha comigo à delegacia falar com os policiais.

Chu Huai ficou surpreso, sem saber o que fazer. Jamais pensaria que a primeira pessoa a gritar contra superstições seria uma velha senhora. Até os idosos hoje têm tanta consciência?

— Dona Cao, solte minha mão, por favor.

Cuiying, vestindo uma elegante capa de caxemira, saia de couro e saltos altos, claramente mais sofisticada que as outras moças da aldeia, apressou-se a intervir ao ver a cena, tentando apartar a velha senhora Cao, e ainda pediu ajuda dos outros.

Só então os familiares Liu se deram conta e vieram ajudar também. Guozhu também foi puxado por Yuzhi para tentar acalmar a mãe.

— Mãe, a senhora já tem idade, não crie confusão. O mestre só está com uma espada de madeira, isso não machuca ninguém, nem um pouco de sangue de cachorro vai fazer mal. Dizem que quem não deve não teme. Se Xiaoman está bem, não vai acontecer nada, ainda pode afastar o mal.

Sem o apoio da família, Xiaoman acabou encurralada.

Chu Huai largou a espada de madeira e pegou um relógio de bolso redondo, com desenhos de estrelas e luas, balançando-o diante de Xiaoman.

Pronto, aquele cara não era mestre coisa nenhuma, estava tentando hipnotizá-la!

Xiaoman fechou os olhos devagar, fingindo ter sido hipnotizada.

Vendo que era o momento certo, Chu Huai começou a fazer perguntas:

— De onde você vem?

— Vila da Ponte.

— Qual é seu nome?

— Xiaoman Hua.

— Tem algum apelido?

— Nannan.

Uma série de perguntas e respostas perfeitamente normais. Então veio a mais importante: a avó Liu afirmava que ela tinha chamado por “mestre”.

— O que aconteceu com o mestre? — perguntou Chu Huai.

Xiaoman hesitou um instante, depois, em tom dramático, exclamou:

— Irmão mais velho, o mestre foi capturado por um monstro!

Todos ficaram boquiabertos, olhando de maneira estranha para a avó Liu e para o falso mestre. O homem era realmente bonito demais; fora as séries de televisão, onde se veria um mestre taoísta assim?

— Vocês nunca assistiram Jornada ao Oeste? — disse Chu Huai, resignado, coçando o nariz e voltando-se para os aldeões.

Um menino de dez anos, chamado Gouwa, imitou o tom do irmão Sune, dizendo:

— Bajie, seu bobo, para de dormir e acorda logo!

Xiaoman abriu os olhos, confusa, fitando Chu Huai diretamente.

Ao encarar aqueles olhos límpidos, grandes e inocentes, Chu Huai não pôde evitar um certo espanto. Aquela sensação de familiaridade, até o apelido dela era Nannan?

Naquele instante, Chu Huai deixou de fingir, arrancou o chapéu estranho, tirou também o manto de mestre taoísta e revelou o jaleco branco de médico.

— Permitam-me apresentar, sou Chu Huai, médico psicólogo, aqui está meu cartão. Se alguém tiver qualquer problema psicológico, ou fenômenos estranhos, pode me ligar.

— Dona, já estamos no ano 2000, precisamos acreditar na ciência, superstição não leva a nada.

— Isso mesmo, dona Cao está certa, não sou mestre nenhum, sou médico residente do hospital do condado, aqui está meu crachá.

— O que fiz, fingindo ser mestre, foi apenas para usar a hipnose como forma de educar todos aqui.

De charlatão a anjo de branco, Chu Huai fez a transição num piscar de olhos! E realmente conseguiu impressionar os aldeões.

Seu carisma era tão forte que até as mulheres mais eloquentes da aldeia ficaram sem palavras.

Cuiying, orgulhosa, foi ajudá-lo:

— Doutor Chu é o psicólogo particular do nosso patrão, não se enganem com a juventude dele, já é muito famoso no nosso condado. Dizem que casos de possessão e encantamento, ele resolve todos.

— Então não é possessão mesmo? — a avó Liu ainda insistia.

Cuiying foi explicar pessoalmente:

— Vovó, doutor Chu já explicou. Olhe o tempo em que vivemos, ninguém acredita mais nessas coisas, agora é tudo ciência. Vamos voltar para casa.

Mas a avó Cao não aceitou, começou a discutir com a família Liu e aproveitou para descarregar nos próprios filhos e noras.