Capítulo 88: Por que está chorando?

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2436 palavras 2026-03-04 15:01:11

Flor Pequena Esperança esperou mais um pouco, mas ainda não sentia fome. Pensando de um lado para o outro, inquieta, decidiu sair correndo atrás do ônibus.

Agora, todos os colegas já estavam na fila para embarcar e o ônibus estava prestes a partir.

Ao ver Flor Pequena Esperança correndo de repente, Mar da Bênção abriu um sorriso e rapidamente gritou para esperarem. Ele ainda se debruçou na janela para cumprimentá-la:

— Pequena, ainda dá tempo de mudar de ideia agora. De qualquer forma, é o Rei Zé quem está pagando, uma a mais não faz diferença.

Ele ainda se lembrava de quando entraram no ônibus, Neve do Inverno comentou que Flor Pequena Esperança vinha de uma família humilde, cinquenta moedas eram metade da mesada dela por quinze dias, e que era por dó do dinheiro que ela não queria ir à excursão.

— Não, obrigada — Flor Pequena Esperança recusou educadamente, mas gritou para dentro do ônibus:

— Joya, desce aqui um instante, preciso te perguntar uma coisa.

— Pequena, deixa para quando voltarmos da viagem. Não dá mais tempo, pode ir, motorista! — Luz Bela Joya também foi até a janela, acenando sem parar, mas não descia de jeito nenhum.

No fundo, Flor Pequena Esperança ainda queria fazer um último esforço: puxar Luz Bela Joya para conversar ou chamá-la para comprar algo, qualquer desculpa para que perdessem o ônibus e assim ela não pudesse mais ir à excursão.

Luz Bela Joya, esperta, logo entendeu a intenção de Flor Pequena Esperança e não desceu do ônibus.

— Pequena, estou indo! Vamos tomar cuidado, você também cuide-se na escola — Luz Bela Joya se debruçou na janela, mostrando um sorriso doce, acenando energicamente para Flor Pequena Esperança.

Flor Pequena Esperança, por reflexo, também acenou. Nesse instante, o ônibus arrancou, afastando-se cada vez mais.

Ela sentiu uma tristeza profunda e se perguntava se, quando o ônibus voltasse, o sorriso de Luz Bela Joya ainda estaria lá.

Agora, ela estava irritada com essa capacidade de sonhar — de prever o que aconteceria, mas não poder mudar —, o que a deixava desconfortável demais.

Assim, ficou parada diante do portão da escola, com lágrimas caindo sem conseguir contê-las.

— Pequena, o que houve? — Chu Huai já estava por ali há algum tempo. Vira Flor Pequena Esperança se despedindo das colegas e não quis atrapalhar. Não esperava que, de repente, ela estivesse chorando.

As lágrimas de Flor Pequena Esperança eram como lâminas, cortando o coração de Chu Huai, que se aproximou para consolá-la.

Ao ver Chu Huai, Flor Pequena Esperança rapidamente enxugou as lágrimas e forçou um sorriso:

— Não é nada, é só o vento, entrou um cisco no meu olho.

— Deixa eu ver.

— Ah, não precisa, é só esfregar que já passa, agora está tudo bem — Flor Pequena Esperança desviou dele depressa, ainda mostrou a língua brincando:

— Chu Huai, me espera um pouco, vou pegar minha mochila.

Tinha saído tão apressada, preocupada com Luz Bela Joya, que até esqueceu a mochila! Como de costume, passaria o fim de semana estudando com Chu Huai.

Preocupada em não fazê-lo esperar muito, Flor Pequena Esperança correu de volta, prometendo voltar rápido.

Enquanto isso, Chu Huai entrou na fila da loja de tortas de carne bovina ao lado. Observando a menina se afastar, sentiu uma tristeza inexplicável: Ela chorou! Por quê? Também queria ir à excursão? Mas por que não foi? Falta de dinheiro? Não — ele sabia que ela tinha dinheiro no cartão, até investira em ações.

Talvez fosse outra coisa — estaria resfriada? E por isso não quis viajar? Que pena. Mas, se fosse só um resfriado, podia evitar subir a montanha e, mesmo assim, ir ao churrasco no campo.

No campo? Ela mora no campo! Talvez estivesse com saudade de casa, da avó.

Depois de analisar, Chu Huai tomou uma decisão.

Quando Flor Pequena Esperança voltou com a mochila, viu que Chu Huai segurava seis tortas!

— Vai pagar uma rodada hoje? — Flor Pequena Esperança ficou surpresa. Normalmente, cada um comia uma torta, por que ele comprou seis?

— Sim — respondeu Chu Huai.

— Meus colegas de quarto foram todos viajar — Flor Pequena Esperança lembrou baixinho.

Chu Huai sorriu, não explicou mais, apenas perguntou:

— Ainda aguenta correr?

— Sim.

— Então vamos correr. Comemos no carro.

— Tá bom.

Ambos tinham o hábito de correr pela manhã. Da escola até o hospital, eram só alguns minutos.

Flor Pequena Esperança não perguntou nada, apenas acompanhou Chu Huai correndo.

Chegando ao hospital, ele não voltou ao dormitório, apenas tirou o carro da garagem e pediu que ela entrasse.

Chu Huai, atencioso, passou-lhe uma torta de carne, para que ela pudesse comer ali mesmo. O tempo estava bom, ele abriu o teto do carro, então o cheiro da comida não ficaria preso.

A loja de tortas de carne do Velho Boi, em frente à escola, era tradicional, atendia estudantes há anos. Em vez de desperdiçar com sacolas plásticas, embrulhavam as tortas em papel manteiga, fácil de segurar ou de esconder na mesa de aula.

— Não era para dividir essas tortas com seus colegas? — Flor Pequena Esperança perguntou, sem jeito, apenas segurando o embrulho sem comer.

— Não — respondeu Chu Huai, já dando partida. — Hoje vou te levar para casa.

Levar você para casa — que palavras acolhedoras.

Flor Pequena Esperança ficou um instante surpresa, o rosto levemente corado. Ela pensou em “nossa casa”. Afinal, no vilarejo, havia a casa da avó, a do tio, mas não a dela. Um dia, quem sabe...

Que bobagem, pensou, quase no vestibular e pensando nisso? Ela desviou o olhar para fora da janela, com medo que Chu Huai notasse seu constrangimento.

Chu Huai era psicólogo, profissional, nada lhe passava despercebido.

Como na semana anterior, quando Chu Huai percebeu que Jade Verde estava estranha, fez algumas perguntas e logo concluiu que ela planejava prejudicar Flor Pequena Esperança.

Uma capacidade de dedução quase sobre-humana!

O que ela não sabia é que, para os outros, Chu Huai acertava tudo graças a um dom especial, mas com ela, nunca acertava nada!

O rapaz, concentrado na direção, só lançou um olhar rápido, sem notar o rubor da menina. Apenas viu que Flor Pequena Esperança parecia bem e se distraía com a paisagem. Pelo visto, sua decisão fora acertada — quem disse que lugares conhecidos não têm beleza?

O Condado de Shanmi, embora situado no noroeste, era como um oásis no deserto, conhecido como o “Jiangnan além da Muralha”. Era início de verão, o clima do norte atrasava em relação ao sul, e o trigo de inverno ainda não tinha sido colhido no fim de junho, reluzindo dourado por todo o campo.

Havia também grandes campos de girassóis em plena floração, ainda não maduros, as pétalas intactas, lindíssimos.

Depois de um campo, surgiam vastas plantações de melancia, e à distância já se viam os frutos crescendo, cada vez maiores.

Essa beleza campestre era mesmo impossível de encontrar na cidade.

Chu Huai estava de ótimo humor, não pôde deixar de comentar:

— O Condado de Shanmi é um lugar maravilhoso, tanta terra cultivada! O clima é ótimo, bastante sol, pouca chuva, mas próximo às montanhas de neve, com água do degelo para irrigação.

— Vejo que você entende de geografia — Flor Pequena Esperança sorriu.

— Mais ou menos. No ensino médio eu era bem diferente do que sou hoje. Meu sonho era percorrer todos os cantos das Nove Províncias, conhecer todas as paisagens.

— E agora? Quer rodar o mundo? — Flor Pequena Esperança brincou.

— Não, só quero encontrar um lugar deserto para viver em paz — Chu Huai sorriu de leve, meio amargo. Ele, Chu Huai, era quem menos queria ver gente. Pensou um pouco e acrescentou:

— Com você.