Capítulo 7 Irmã, entregue o dinheiro
Não importa o que aconteça, ela é uma idosa; com ou sem razão, a culpa sempre recai sobre a nora. Liu Yuzhi se esforçava incansavelmente, e ao levantar os olhos, viu Hua Xiaoman parada de lado, assistindo tudo como se fosse um espetáculo, ainda lhe lançando um sorriso.
Ultimamente, essa menina anda estranha, pensava Liu Yuzhi, sentindo um calafrio. Mas, acostumada a maltratá-la, não hesitou em repreendê-la:
— Xiaoman, você é de pedra? Está aí parada por quê? Venha logo ajudar, ajude sua avó a se levantar! Menina, não é por nada não, mas você nunca percebe o que está acontecendo ao redor, não serve pra nada além de ser bonita. Não é à toa que as outras tias, pelas costas, te chamam de feiticeira.
Hua Xiaoman nada disse, foi ajudar a avó primeiro.
E daí ser bonita? Se pudesse, você já teria mudado de aparência. Hua Xiaoman sabia muito bem que a tia e sua prima, Liu Cuiying, sentiam uma inveja enorme de sua beleza. Por fora a insultavam, por dentro morriam de ciúmes.
Hua Xiaoman manteve-se calada, mas a avó tomou as dores por ela:
— E você, que direito tem de falar mal da nossa Xiaoman? As meninas da família Liu, tanto você quanto sua sobrinha, vivem todas maquiadas, mas nenhuma é tão bonita quanto a nossa menina.
A língua da velha era realmente afiada.
Liu Yuzhi, sem ter como responder, fingiu não ouvir e foi para a cozinha de cara fechada. Não podia ficar discutindo com a idosa, seria feio e, acima de tudo, ainda tinha interesse no dinheiro da velha, não podia romper de vez.
Sem mais ninguém para reclamar, a velha agarrou Hua Xiaoman e continuou falando, mas agora com um tom cheio de carinho, como se fosse outra pessoa:
— Menina, você é mesmo um livro fechado. Por que não conta nada para a vovó? Tem que ir sozinha para a montanha... Você nem imagina, já estão falando de novo por aí. Tudo culpa do pessoal da família Liu, criam filhas sem vergonha, vivem inventando sobre os outros. Se ouvir alguém falando bobagem, não dê atenção. Daqui a alguns dias as aulas começam, vou pedir ao seu tio para te levar para morar na escola, assim você não fica se misturando com elas. O vilarejo é pequeno, sempre as mesmas fofocas. E você crescendo, logo os rapazes vão começar a se meter, e se alguém se aproveitar de você, como será com a futura família do marido?
— Sim — respondeu Xiaoman docemente, acenando com a cabeça. Apesar de a avó parecer desleixada, era muito lúcida, mais esperta que muita gente.
Xiaoman também pensava assim: se pudesse ir para a escola, seria o melhor; pelo menos o ambiente escolar era simples, dava para estudar com tranquilidade. Mesmo que alguns colegas não fossem bons, os professores estavam lá, todos tinham que estudar.
A velha continuava a falar, os lábios não paravam um instante, e depois de falar da família Liu, começou a falar da família Zhang.
— Zhang Tieniu, aquele grandalhão bobo, já no ensino fundamental era dos piores da sala. Queria sempre copiar suas tarefas, nunca gostei dele. Dizem que o caráter se vê desde cedo; um rapaz feito, ainda querendo trapacear nos estudos, igualzinho ao seu tio na juventude, não vai dar em nada. Menina, faça o seu melhor, não se preocupe, volte para a escola e estude direitinho, no futuro entre numa boa universidade, arrume um estudante culto, educado, muito melhor. Veja o doutor Chu, só de ouvir falar já se percebe a diferença, é um homem de educação e competência. Acho que Ayue foi tola, uma moça da cidade, tão estudada e bonita, por que foi se apaixonar pelo seu pai e vir para a nossa família, onde não tinha nada? Não só sofreu, como fez a filha sofrer também.
Hua Xiaoman deixou a mente vagar, ouvindo como quem escuta histórias. Sua mãe se chamava Hua Manyue, vinda da cidade, de família abastada — naqueles tempos, uma universitária era algo raro. Uma fênix dourada da cidade, a velha sempre gostou dela. Quando o tio ainda era solteiro, também tinha grande respeito pela cunhada, e naqueles tempos a família era muito unida.
Quando Xiaoman nasceu, foi a avó, junto com o filho mais velho, que decidiu que ela teria o sobrenome Hua — afinal, na família de sua mãe, ela era filha única, e não queriam que o nome Hua desaparecesse.
Na verdade, a velha era bem esperta, pensando que os sogros moravam no exterior e, embora naqueles anos fosse difícil voltar, a família Hua devia ter bens. Se Xiaoman tivesse esse sobrenome, no futuro poderia herdar a fortuna. Afinal, no campo as filhas não eram valorizadas, não podiam dar continuidade ao nome, então que ficassem com o sobrenome da mãe, os da cidade eram cultos, mas no fundo, bem ingênuos.
A segunda nora da velha também teve sorte, pois depois realmente teve um filho homem, completando o plano da matriarca.
Não se sabe se por culpa ou pelo tempo que passou criando, a velha nunca gostou muito do neto da segunda família, preferindo Xiaoman, por quem tinha um carinho especial.
— Menina, não sei por quanto tempo ainda consigo trabalhar. Até fui para a cidade, trabalhar de empregada, cozinhar e limpar para os outros, tudo para juntar dinheiro para sua faculdade. Seu tio não serve para nada, quem manda é a sua tia, não podemos contar com eles. Liu Yuzhi só quer mesmo me enganar para ficar com minhas economias, mal espera para me ver morta. Seu pai era inteligente, Ayue também era dedicada, eu pensava que cuidariam de mim na velhice, mas, ai, gente boa tem vida curta. Agora, na minha idade, só posso esperar que você entre numa boa universidade, arrume um bom emprego na cidade e cuide de mim no futuro.
— Está bem.
Hua Xiaoman assentiu com seriedade. Embora só dissesse uma palavra, falou com convicção. Ter renascido e ainda ter a avó ao seu lado era uma dádiva do destino, e ela queria aproveitar ao máximo.
— Quanto ao seu tio, não se preocupe. Você pode morar na casa deles sem pagar nada, mas esta casa foi construída por seus pais, a televisão, a bicicleta, tudo foi comprado pelo seu pai. Quando ele se foi, a vila deu uma boa ajuda, e o carro velho dele, com algumas mercadorias, tudo foi vendido e ficou com o seu tio. Dinheiro suficiente para os seus gastos todos esses anos. Se não fosse pelas coisas deixadas por seu pai, seu tio teria conseguido montar algum negócio?
— Sim.
...
— Mana, pode sair um instante?
O filho do tio, Cao Tianle, acabava de chegar da rua e veio correndo puxar Hua Xiaoman para fora. Ela afastou a mão dele, mas ainda assim o acompanhou até o pátio, longe da avó e da tia.
— Mana, estou precisando de uma ajuda, me empresta vinte reais, dez já serve.
— Não tenho — respondeu Xiaoman, sem rodeios.
— Você não acabou de voltar do hospital? Como assim a vovó e meu pai não te deram dinheiro para os remédios?
— Eles pagaram direto ao médico — respondeu Xiaoman, olhando para Cao Tianle como se ele fosse um tolo.
Cao Tianle ficou surpreso, mas logo voltou ao assunto:
— Não quero saber, mana, você não pode me deixar na mão. Pede à vovó, são só dez reais, preciso devolver o dinheiro para alguém. A culpa é sua, por causa das fofocas, briguei com eles, machuquei alguém, e agora estou sem dinheiro, o que faço?