Capítulo 13: Refém
Flora Pequena não fazia ideia do que Chu Huai estava tramando, mas ao vê-lo tão confiante, decidiu não questionar. Afinal, a atuação de Liu Cuiying era bastante medíocre; ela não acreditava que alguém tão astuto como Chu Huai não percebesse nada de errado. Se ele disse que queria pescar, era só esperar para ver. Quanto ao perigo, Flora Pequena já não se importava. Ela não queria se arriscar; viver bem não era melhor? Mas sentia que devia a Chu Huai algo de sua vida passada, e precisava saldar essa dívida. Além disso, conforme suas lembranças, Chu Huai só seria roubado nesta ocasião, sem risco de vida. Se realmente enfrentassem algum perigo, ao menos ela conhecia o caminho e poderiam fugir para o interior da Montanha do Choro dos Espíritos.
Eles seguiram o trajeto marcado por Liu Cuiying no mapa, caminhando em silêncio. No caminho, Chu Huai tentou explicar, meio constrangido:
— Flora Pequena, não se preocupe, eu não sou má pessoa, não tenho intenção de me aproveitar de você.
— Eu sei. Sou apenas uma camponesa, não sou digna de você. Não vou pensar demais — respondeu Flora, de cabeça baixa, com um tom levemente magoado.
— Não é isso. Você é ótima.
— Não precisa dizer mais nada, eu entendo.
Chu Huai realmente não sabia como explicar. O coração das garotas, impossível de decifrar! Sentia que nem deveria ter falado. Por sorte, alguém veio livrá-lo desse embaraço.
— Esta montanha é minha, esta árvore eu plantei; para passar daqui, tem que pagar o pedágio!
De repente, de trás de uma árvore, saltou um homem vestindo jaqueta de couro e chapéu de vaqueiro, falando com forte sotaque do norte, bloqueando o caminho dos dois. Logo depois, outros jovens marginais saltaram da neve, cercando-os. O líder empunhava um facão enferrujado, posicionando-o no ombro com pose de quem se acha elegante, ameaçando:
— Chega de papo, entreguem as carteiras e sigam em frente.
— Não trouxe dinheiro — respondeu Chu Huai.
— Sem dinheiro? Então levamos sua mulher — disse o líder, avançando para agarrar Flora Pequena.
Chu Huai pareceu assustado, a voz tremendo:
— Não, eu dou dinheiro, dou dinheiro, só não a machuquem!
E jogou uma carteira preta, bem recheada.
O homem pegou a carteira, observando o desenho de crocodilo:
— Olha só, é de marca, couro legítimo.
Havia várias notas de cem, dezenas delas. Os marginais queriam contar o dinheiro, mas o líder guardou a carteira rapidamente no bolso, apontando para Flora Pequena:
— Você, tire a roupa.
— Já demos dinheiro, não toquem nela — Chu Huai se colocou à frente de Flora Pequena.
— Vai, não me desafie, só quero o casaco dela, não vou fazer nada demais, tira logo. Se não tirar, eu mesmo tiro — esbravejou o homem, avançando, claramente achando que Chu Huai era um covarde.
Flora Pequena permaneceu tranquila, imóvel como um tronco. Chu Huai não disse para correr, então ela não se apressou. Quando o homem já estendia a mão, Chu Huai de repente se moveu.
Com olhos atentos, Flora Pequena não conseguiu acompanhar; parecia que Chu Huai havia se transformado, com um simples bloqueio da mão e um movimento de pé, o facão caiu ao chão e o homem ajoelhou, gemendo e segurando a mão.
Os marginais foram solidários, todos atacando juntos, mas Chu Huai era como uma águia entre galinhas, esquivando-se, golpeando com o cotovelo, chutando, um corte preciso, derrubando-os rapidamente.
Flora Pequena esforçou-se para acompanhar, mas os movimentos de Chu Huai eram tão rápidos que parecia estar assistindo a um filme de artes marciais.
Em poucos segundos, todos os marginais estavam caídos, sem sangue no chão, apenas segurando braços e pernas, gemendo de dor.
O líder, esperto, já havia tirado a carteira de Chu Huai, ajoelhado, implorando por misericórdia.
Chu Huai sorriu:
— Misericórdia? Impossível. Lu Biao, guarde bem essa carteira, ela é prova do crime. Se faltar uma nota, vou atrás de você pessoalmente.
Prova do crime? O que isso significava? Ele sabia seu nome era Lu Biao?
— Biao, o que fazemos? — os marginais estavam aflitos.
Biao decidiu:
— O que fazer? Fugir, dispersar, quem conseguir escapar é um a menos. Aquela traidora, quem escapar me ajuda a encontrá-la.
Biao tinha autoridade; mal acabou de falar, dois marginais que ainda podiam correr dispararam para fora.
Chu Huai sorriu, pegou dois punhados de neve e os lançou, acertando com precisão nos joelhos dos fugitivos.
Ambos caíram, gemendo e segurando as pernas, incapazes de prosseguir.
— Fugir sob meu olhar? Não vou permitir — zombou Chu Huai.
Biao, desesperado, aproveitou-se enquanto Chu Huai lidava com os outros, e de repente correu em direção a Flora Pequena.
Antes que Flora percebesse, já estava com o braço torcido e uma faca reluzente encostada no pescoço.
O facão era só ameaça, mas a faca escondida na cintura era verdadeira e afiada.
— Garoto, me deixe ir ou mato sua namorada. Não quero ir para a cadeia, se for morrer, morremos juntos.
— Sou apenas a guia, não o conheço — Flora Pequena protestou, resignada; só queria assistir ao espetáculo, por que a envolveram?
Chu Huai ficou tenso, não esperava que Biao, já rendido, ousasse atacar, nem que o marginal fosse tão habilidoso, rápido demais para impedir.
— Não me importa, se não me deixar ir, mato ela — Biao segurava Flora Pequena, seu único trunfo.
— Sabia que antes você só cometia roubo, que não era crime capital? Agora acumulou sequestro e tentativa de lesão — Chu Huai explicou, sério.
Biao ignorou, continuando a arrastar Flora Pequena:
— Deixe-me ir!
— Pode ir. Mas solte ela primeiro.
Chu Huai temia que, pressionando demais, Biao realmente fizesse algo com Flora Pequena, e não saberia o que fazer.
— Soltar ela? Se soltar, não sou páreo para vocês. Vocês vêm comigo para a montanha, assim que entrarmos, libero ela.
Os outros marginais, ainda capazes de andar, seguiram Biao. Mesmo que ele tivesse usado dois deles como escudo, os restantes eram leais, preferindo acompanhá-lo para dentro da Montanha do Choro dos Espíritos a fugir.
O grupo avançou cada vez mais.
Flora Pequena só não congelou porque estava bem agasalhada. Biao tinha apenas aparência feroz, mas não ousava machucá-la de fato.
Ela era uma refém vulnerável; ele mais do que ninguém temia que algo lhe acontecesse. Se Flora Pequena se ferisse, além de enfrentar acusação de homicídio, perderia seu trunfo para lidar com Chu Huai.
O som de carros policiais ecoou, e na entrada da montanha, ouviu-se Liu Cuiying conversando alto:
— O que vocês querem? Só porque são policiais não podem ser rudes? Não posso esperar amigos aqui?
Obviamente, os policiais que Chu Huai havia contatado também estavam entrando na montanha. Liu Cuiying estava alertando Biao.