Capítulo 24: Menino ou Menina?

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2356 palavras 2026-03-04 15:00:24

No dia seguinte, bem cedo, por volta das cinco da manhã, quando o céu ainda estava apenas começando a clarear, Flor Pequena se levantou, lavou-se rapidamente, colocou a mochila nas costas e saiu de casa apressada em direção ao hospital do condado.

Quando ela chegou, não passava muito das seis horas. Chu Huai tinha acabado de se levantar, ainda nem tinha se lavado, quanto mais preparado o café da manhã combinado.

Chu Huai ficou realmente surpreso. Não esperava que a moça acordasse tão cedo. De fato, estudantes do ensino médio são mesmo dedicados; já na universidade, se acordarem às oito, já é uma vitória.

Chu Huai já era considerado um madrugador aplicado, mas, ao lado de Flor Pequena, não havia comparação.

— Sente-se um pouco, espere por mim só um instante.

Chu Huai foi realmente rápido: arrumou a cama no ritmo de um treinamento militar, lavou-se com agilidade e, em poucos minutos, já era novamente o médico elegante de sempre. Se tivesse um par de óculos de aros dourados, ficaria ainda mais com cara de intelectual.

— Não imaginei que você se levantasse tão cedo. Nem tive tempo de preparar o café da manhã. Que tal irmos juntos ao refeitório do hospital? Embora eu seja estagiário, ainda conto como médico do hospital e tenho direito ao café da manhã gratuito.

Flor Pequena hesitou:

— Isso não é errado? Não estou, de certa forma, tirando vantagem do sistema socialista?

Ela pensava que, ao falar de preparar o café da manhã, Chu Huai faria como em sua casa: esquentaria alguns pãezinhos no vapor ou prepararia um mingau simples. Jamais imaginou que iriam ao refeitório do hospital para comer de graça.

Já estava aproveitando as aulas; se aproveitasse também da comida, ficaria realmente sem jeito.

— Não se preocupe, temos que usar o cartão mesmo — respondeu Chu Huai, divertido com a expressão “tirar vantagem do sistema socialista”. Ele mostrou a Flor Pequena um cartão branco, com foto, balançando-o na frente dela.

Flor Pequena tinha boa visão e logo notou a foto:

— Sua foto de documento não se parece nada com você. Parece até alguém que acabou de sair do trabalho forçado.

Chu Huai ficou sem palavras.

— Menina, por favor, não seja tão sincera!

Mas, tudo bem, adultos não se importam com as palavras das crianças.

Os dois seguiram juntos até o refeitório do hospital do condado, que oferecia um café da manhã bem mais variado do que o da escola de ensino médio de Flor Pequena.

Chu Huai, receoso de que ela ficasse constrangida, foi logo até o balcão e pediu o mesmo para os dois: mingau, ovo frito, pão recheado com carne e um pires de legumes em conserva. Para garantir que ela se sentisse satisfeita, pediu ainda uma rosquinha frita.

Flor Pequena não se fez de rogada, já que estava ali, era só aproveitar. Depois, no máximo, poderia retribuir ao convidá-lo para comer à noite.

Estudando ao lado de Chu Huai, Flor Pequena sentiu o tempo passar rápido e de forma muito produtiva. Quando percebeu, já era hora do almoço e, mais uma vez, foi com Chu Huai ao refeitório para comer.

Durante a refeição, a médica de meia-idade que havia atendido Flor Pequena anteriormente, doutora Miao, também estava lá. Ela se aproximou com sua bandeja, sem cerimônia, e cumprimentou Chu Huai, juntando-se à mesa:

— Ora, Chu, almoçando? E trouxe a namorada?

A doutora Miao já parecia ter uns quarenta anos, idade para ser tia deles, então não via necessidade de evitar brincadeiras. Sorrindo como uma tia maternal, sua presença deixava a situação um tanto constrangedora.

— Chu tem bom gosto, a namorada é muito bonita. Espera, essa moça não me é estranha...

— Olá, doutora Miao — respondeu Flor Pequena, sem poder mais esconder seu desconforto e cumprimentando a médica.

— Ah, você é aquela que ficou uma noite toda no frio, não é? Flor, Flor... como era mesmo o nome completo?

Ouvindo a voz de Flor Pequena, a doutora Miao lembrou-se de imediato. No hospital, todos a chamavam apenas de Flor.

— Flor Pequena — respondeu ela, sem graça. — Não fiquei enterrada na neve, só passei a noite do lado de fora, no frio.

— Mas veja só, uma menina tão boa... Por que se deixa abater assim? Não existe obstáculo intransponível. Não devia se maltratar desse jeito. Quando você crescer, vai entender: mulher precisa cuidar de si mesma.

— Ah, seus pais se foram cedo? E você cresceu com seu tio, não foi? Sua avó me contou tudo; você é mesmo uma criança que passou por muita coisa.

Ao falar de Flor Pequena, doutora Miao realmente sabia de detalhes. Dona Cao, a avó, era famosa por gostar de conversar, perguntar e contar sobre a própria família.

— Sim — assentiu Flor Pequena, um pouco envergonhada.

— Você é uma boa menina. Se eu tivesse uma filha assim, seria feliz. Nosso doutor Chu também é um ótimo rapaz, bom estudante, excelente médico. Você tem bom gosto. Fique com ele que não vai se arrepender — disse doutora Miao, calorosa como uma tia vizinha.

Flor Pequena, porém, ficou ainda mais encabulada e respondeu baixinho:

— Doutora Miao, a senhora se enganou, não temos esse tipo de relação.

— Não tem problema. Eu já passei por isso, entendo. Agora não são, mas logo serão.

— Vocês dois são tão bonitos juntos, faz bem de olhar. Se tiverem uma filha, vai ser uma linda moça. E mesmo que seja menino, com certeza será bonito.

Isso... será mesmo que a doutora Miao era assim? Nem mesmo havia qualquer indício de romance, e já falava em filhos...

Chu Huai, vendo o rosto de Flor Pequena corar intensamente, sorriu e tratou de ajudá-la a sair daquela situação:

— Doutora Miao, já terminamos de comer, vamos indo.

— Está bem, Chu, cuide bastante da sua namorada. Menina precisa ser paparicada.

— Certo, pode deixar.

Chu Huai respondeu educadamente e saiu rapidamente com Flor Pequena. Felizmente, ambos comiam rápido e conseguiram escapar antes que os comentários da doutora Miao se prolongassem.

Pena que, ao saírem, ainda sentiram o olhar curioso e fofoqueiro dela acompanhando-os até o prédio dos dormitórios.

Os alojamentos do hospital eram destinados aos jovens recém-contratados e aos estagiários, com boas condições, embora os quartos não fossem muito grandes.

Após o episódio com a doutora Miao, ambos ficaram um pouco constrangidos, sem saber bem como explicar a situação.

— Você costuma dormir à tarde? Se quiser, pode descansar um pouco aqui — disse Chu Huai, arrependendo-se imediatamente da forma como falou, como se desse um tapa em si mesmo por dentro.

Como podia falar assim com uma garota? Apressou-se a explicar:

— Quero dizer, eu preciso ir ao hospital agora. Não precisa ir e voltar tantas vezes. Fique aqui, descanse um pouco. Quando acordar, pode estudar, e, se tiver dúvidas, anote para me perguntar quando eu voltar, por volta das três. Tem frutas na mesa, pode lavar e comer.

— Está bem — respondeu Flor Pequena, concordando. Ir e voltar realmente era trabalhoso e ainda teria que lidar com a colega fofoqueira Dong Xuemei. Melhor descansar ali mesmo.

O quarto de Chu Huai era simples, mas muito limpo e organizado, a cama e o cobertor não tinham cheiro ruim, o ambiente era acolhedor.

Quando Chu Huai saiu, Flor Pequena finalmente relaxou, trancou a porta e deitou-se. Logo adormeceu profundamente.

Seus hábitos eram bons, seguiam o ritmo da vida escolar: dormia cedo, acordava cedo e fazia questão de tirar uma soneca de meia hora ou uma hora ao meio-dia.

Assim que adormeceu, mergulhou no sono. Desta vez, em vez dos sonhos angustiantes de sua vida passada, sonhou com uma menina de estatura baixa, um pouco rechonchuda, de pele branca como neve e com um ar muito fofo, que segurava sua mão e a levava para a sala de aula.

Essa menina, Flor Pequena nunca tinha visto antes. Seria uma nova colega? Na turma, havia alguns rostos conhecidos e muitos estranhos, mas ali, em seu sonho, todos estavam presentes.