Capítulo 8: Eu Não Quero Nada de Você

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2336 palavras 2026-03-04 15:00:12

— Você, brigar? Sua boca está fedendo a cigarro, que nojo. Aposto que quer dinheiro para comprar mais cigarros, né? — Hua Xiaoman desmascarou imediatamente a mentira de Cao Tianle.

Antigamente, Hua Xiaoman tratava Cao Tianle como um irmão de verdade, sempre caía nas conversas fiadas dele, e metade do dinheiro que a avó lhe dava para viver acabava indo parar nas mãos desse garoto. Na vida anterior, no momento mais desesperador de Hua Xiaoman, ela procurou ajuda desse irmão. E o que ele disse? “Irmã, você é boba? Case-se com o patrão da cidade, vai comer bem, beber do bom, não vai precisar trabalhar na roça, que maravilha. São trinta mil, quanto tempo levaria para ganhar isso?”

No fundo, o egoísmo de Cao Tianle era igualzinho ao de sua mãe, Liu Yuzhi. Agora que enxergava isso claramente, Hua Xiaoman não fazia mais cerimônias com ele.

Ao ouvir Hua Xiaoman, Cao Tianle ficou surpreso, tapou a boca envergonhado, mas logo lançou um olhar ameaçador:

— Não é para comprar cigarro! Anda, me arruma dez yuan. Meu pai não te deu cem de presente de Ano Novo? Divide comigo. Se não der, conto tudo para minha mãe e ela vai dar um jeito em você.

Era sempre assim, um tentando intimidar o outro. Cao Tianle adorava usar Liu Yuzhi para pressionar Hua Xiaoman. Sempre funcionava.

Mas agora, Hua Xiaoman não caía mais nessa. Sorriu friamente:

— Pode ir contar, então. Eu conto para a tia que você já está namorando.

Cao Tianle se apavorou:

— Eu não! Não inventa! Hua Xiaoman, você está estranha, parece até que ficou possuída!

— E se eu fiquei, você tem medo? — retrucou Hua Xiaoman, com um sorriso enigmático no rosto.

Apesar de tentar bancar o valente, Cao Tianle era só um estudante do ensino fundamental, morria de medo dessas coisas sobrenaturais. Aquela irmã, daquele jeito, o deixou nervoso, a ponto de recuar assustado.

Hua Xiaoman abanou a mão, demonstrando desdém:

— Medo de quê? Seu bafo de cigarro é tão ruim que não teria coragem nem de te comer. Se você gosta tanto assim da Wang Jingjing, passa mais tempo à noite no milharal, quem sabe não tem uma surpresa.

Dito isso, Hua Xiaoman voltou para casa, deixando Cao Tianle tremendo de medo, sem coragem de voltar para casa.

Essas pessoas são assim, só encaram quem acham fraco.

Falam que alguém está possuído, mas se realmente encontrassem alguém assim, morreriam de susto.

Hua Xiaoman não estava nem um pouco preocupada com o que Cao Tianle pudesse dizer. Afinal, ele ainda era menor, ninguém daria crédito ao que falasse, e além disso, era tão covarde que não teria coragem de contar nada, com medo de Hua Xiaoman acabar com ele.

O moleque só fazia pose, mas por dentro era um covarde. Com medo de ser devorado por Hua Xiaoman, acabou mesmo se escondendo e dormindo no milharal.

O milharal tinha muitas histórias. Hua Xiaoman lembrava que, na vida passada, justamente nessa época antes das aulas começarem, Cao Tianle levou um fora no namoro, chorou muito e foi desabafar com ela. Era sobre aquela colega, Wang Jingjing, que começou a namorar outro rapaz da classe ao lado, e os dois foram flagrados no milharal.

Hua Xiaoman não conseguia competir com o irmão. Ele era insistente quando queria dinheiro, e se não fizesse alguma coisa assustadora para intimidá-lo, não conseguiria contê-lo. O maior problema das pessoas é quando não querem ouvir razão.

Na manhã do terceiro dia, durante o café, a tia Liu Yuzhi ainda perguntava:

— O Lele não voltou antes? Por que já faz duas noites que não aparece em casa?

— Sim, ele veio me pedir vinte yuan emprestados. Eu não tinha. Disse que tinha brigado com alguém e precisava pagar o remédio, mandei procurar a senhora, mas ele não quis e saiu correndo. Parecia preocupado, deve ter ido tentar arrumar dinheiro.

Na visão da avó, do tio e da tia, Hua Xiaoman era uma menina honesta e comportada.

Uma menina tão certinha, quem diria que ela mentiria?

Além disso, Hua Xiaoman não mentiu, só resumiu o que Cao Tianle disse. Se ele queria mentir para enganar por dinheiro, a culpa era dela?

Como esperado, ao ouvir que o filho tinha brigado, Liu Yuzhi se alarmou:

— Ai, Xiaoman, por que não contou antes?

— Meu irmão não deixou — respondeu Hua Xiaoman, baixando os olhos e continuando a comer.

De fato, ao saber que o filho tinha se metido em confusão, Liu Yuzhi ficou desesperada, largou o café e já saiu apressada para procurar o garoto.

A avó não ligava tanto para o neto como para Hua Xiaoman, mas era sangue do sangue, então defendia mesmo assim, murmurando:

— Lele sempre foi medroso, igual ao pai, nunca esperei que fizesse algo grande, mas também não deve se meter em encrenca. Deve ser influência do Dajun, da sua família por parte de mãe. Já falei para manter o Lele longe deles, mas você não escuta. Olha o Dajun, o Erjun, só pensam em brigar, estudar que é bom, nada.

— Mãe, agora não é hora para isso, precisamos achar o Lele. Ele ficou duas noites fora, achei que estivesse na casa de colegas, nem imaginei.

No fim, Liu Yuzhi era uma mulher sem muita iniciativa, nos momentos de aperto dependia da avó para tomar as decisões.

As duas saíram apressadas. Hua Xiaoman terminou o café, juntou a louça e foi ao fogão de carvão esquentar água para lavar tudo.

Chu Huai tinha recomendado que ela não molhasse as mãos, mas Hua Xiaoman não tinha como evitar. Na casa, eram poucas pessoas, ela não tinha pai nem mãe, morava na casa dos outros, não tinha como escapar dessas tarefas.

Quando acabou de adoecer, a avó até ficou com pena e lavou a louça por dois dias, não deixou Hua Xiaoman encostar em água.

Olhando para as mãos quase curadas, Hua Xiaoman lembrou de Chu Huai e orou em silêncio para que ele seguisse seu conselho e não se metesse em confusão.

...

Do outro lado, Liu Yuzhi e a avó Cao realmente encontraram Cao Tianle na casa de Liu Dajun.

Naquele momento, Cao Tianle estava com a cabeça e as pernas enfaixadas, parecia ter saído de uma guerra, mal dava para reconhecê-lo.

A boca estava torta, e quando falava, o ar escapava:

— Mãe...

— O que aconteceu? Dois dias atrás estava normal! O que foi isso, Dajun? Vocês brigaram de novo? Como o Lele ficou nesse estado? — Liu Yuzhi, ao ver o filho, quase caiu no choro.

— Mãe, não foi nada — Cao Tianle se esforçou para responder.

— Tia, o Lele brigou sozinho com alguém no campo, como eu ia saber? Se tivesse chamado a gente, não teria apanhado tanto — Liu Dajun olhou para Cao Tianle, vendo que não dava para esconder, decidiu contar tudo:

Acontece que Cao Tianle, assustado com Hua Xiaoman e suas ameaças místicas, não teve coragem de voltar para casa e resolveu realmente dormir no milharal.

Na primeira noite, ainda foi tranquilo, o tempo estava bom, só fazia um pouco de frio.

Na segunda noite, já mais preparado, pegou um cobertor com Dajun para se aquecer no milharal.

Ainda era início do ano, a neve nem tinha derretido, não havia milho plantado, só restavam as hastes secas da colheita anterior, mas eram densas.

E foi nessa noite que Cao Tianle deu de cara com sua colega Wang Jingjing, de mãos dadas com Wang Bin, do outro lado da turma, entrando juntos no milharal, abraçados, encostando cabeças, bem íntimos.