Capítulo 25: Vou fazer as contas para você
À noite, ao ver as horas, por volta das sete, Flor Pequena fechou o livro e se despediu. Como esperado, Chu Huai mais uma vez se ofereceu para acompanhá-la, e Flor Pequena não recusou.
Ao passarem pelo mercado noturno próximo ao cinema, Flor Pequena sugeriu:
— Amanhã começam as aulas. Esses dias te dei trabalho, doutor Chu, então deixe que eu te ofereça um ensopado. Ouvi dizer pelos colegas que o ensopado de tripas daquele lugar é famoso, vamos experimentar.
— Claro — concordou Chu Huai, sentindo fome. Flor Pequena não era uma estudante prodígio, mas era obcecada por estudos, do tipo que se esquecia do tempo quando se concentrava. Nenhum dos dois havia jantado.
Chegaram a uma barraca ao lado, escolheram um lugar e pediram dois ensopados de tripas e um pratinho de amendoins. Sentaram-se frente a frente numa mesa ao ar livre e começaram a comer. Por sorte, Chu Huai não bebia e Flor Pequena também não gostava de refrigerantes, então dispensaram as bebidas.
As barracas do mercado noturno eram todas assim, com mesas ao ar livre. Quando chovia ou nevava, o dono armava uma grande tenda. O que tornava o mercado interessante era justamente o burburinho das pessoas comendo juntas do lado de fora.
Flor Pequena tinha bom apetite, limpou todo o ensopado. Chu Huai ainda pediu uma porção de carne bovina, mas, na verdade, mal comeu: colocava tudo no prato dela.
Para Chu Huai, Flor Pequena era alguém que vivia em condições modestas e precisava comer carne para crescer saudável.
Ela não fazia dieta e não recusou.
Quando terminaram e foram pagar, Flor Pequena insistiu que era sua vez de oferecer. Mas Chu Huai sorriu:
— Guarde esse dinheiro. Quando entrar na universidade e puder trabalhar, aí você me paga.
Mesmo assim, Flor Pequena fez questão de ir até a dona da barraca, que respondeu:
— Seu namorado já pagou. Ele é mesmo bom pra você.
— Ele não é meu namorado — explicou Flor Pequena, mas a mulher não acreditou.
Flor Pequena achou graça. Eram estranhos, se houvesse um engano, paciência. Não insistiu mais. Hoje não seria ela a pagar.
No caminho de volta, Flor Pequena ressaltou:
— Fica registrado esse jantar. É um incentivo pra mim. Só poderei retribuir quando passar na universidade.
— Eu acredito, você vai conseguir — respondeu Chu Huai, sorrindo e assentindo.
...
De volta ao dormitório, Flor Pequena sentia tudo um tanto irreal, como se o sonho que tivera no cochilo da tarde tivesse se tornado realidade.
Duas colegas haviam retornado ao quarto, e uma delas era justamente a garota baixinha e fofa do sonho — ninguém menos que Xiong Meimei, sua companheira de beliche inferior, que também repetia o terceiro ano na turma 8.
Ao saber da chegada da nova colega, Xiong Meimei foi logo cumprimentá-la, cheia de empolgação e elogiando a beleza de Flor Pequena. Era uma garota claramente extrovertida.
Flor Pequena respondeu educadamente, trocando algumas palavras. Logo Dong Xuemei chegou, reclamando:
— Meimei, faça um favor e troque de cama comigo. Flor Pequena é minha melhor amiga, quero ficar com ela.
Xiong Meimei relutou, fez beicinho e balançou o braço de Flor Pequena, manhosa:
— Flor Pequena, gostei muito de você! Vamos ser amigas também?
— Vamos sim — era exatamente o que ela queria.
Xiong Meimei ficou radiante:
— Viu? Também sou amiga da Flor Pequena. Assim, ficamos nas beliches de cima e de baixo. Não vou deixar a “maria-rapaz” dormir em cima de mim. Xuemei, nem pense nisso.
Dong Xuemei lançou um olhar de censura para Flor Pequena e resmungou:
— Só sei que, em meio ano sem te ver, você mudou muito, Pequena.
— É, as pessoas crescem. E eu mudei bastante mesmo. Conto um segredo: agora tenho poderes especiais, posso prever o futuro. Querem que eu faça uma previsão? — A confiança de Flor Pequena tornava-a ainda mais bonita.
Xuemei, enciumada, não levou a brincadeira a sério, mas Xiong Meimei e Du Xiaoling se empolgaram e cercaram Flor Pequena, curiosas.
Com um sorriso enigmático para Meimei, Flor Pequena disse:
— Já que aceitei ser sua amiga, faço uma previsão pra você.
Imitando uma vidente, fez gestos místicos, tocou a testa de Meimei com os olhos fechados e, de repente, abriu-os:
— Em uma semana, um rapaz muito bonito vai se declarar para você!
Xuemei caiu na risada:
— Ah, essa foi boa! Justo pra essa bolinha fofa? Um bonitão vai gostar dela?
Xuemei era até bonita, de pele clara, corpo esguio, vinda de família rica, sempre bem vestida e arrumada. Se não fosse por Flor Pequena, poderia ser considerada uma pequena beldade.
Xiong Meimei era ainda mais clara, mas era gordinha. Dizem que “a pele clara esconde três defeitos, mas o excesso de peso destrói tudo”. Meimei, normalmente otimista, ficava tímida ao falar do próprio corpo e não ousava rebater Xuemei.
Flor Pequena sorriu:
— O mundo é cheio de surpresas. Vamos ver. Se minha previsão se concretizar, Meimei, você me paga um jantar?
— Combinado! Se algum gato for cego o suficiente pra se declarar pra mim, te levo pra comer frango frito.
— Feito! Palavra dada.
Perto da escola, havia uma nova lanchonete de frango frito, sucesso entre os alunos pelo sabor diferente do tradicional caseiro — frango com refrigerante e batata frita era uma delícia.
O problema era que, em Mingshan, a economia não era das melhores e a maioria não podia se dar a esse luxo. Ouviam dizer que, nas cidades grandes da costa, as crianças já estavam enjoando de tanto comer frango frito, mas ninguém sabia se era verdade.
Flor Pequena, mesmo tendo vivido duas vidas, nunca saíra da província — sonhava em ver o mar e a Grande Muralha na capital, mas ainda não realizara esses desejos.
Neste recomeço, ela já havia anotado no diário: visitar o mar e a Muralha. Hoje, pensou em mais um desejo: passar na Universidade Médica da Capital.
Ainda faltava algum tempo até o apagar das luzes e, como o ano letivo ainda não havia começado oficialmente, Flor Pequena pegou um livro para ler no dormitório.
Apesar de Xuemei ser um tanto irritante, não incomodou mais Flor Pequena e também se pôs a estudar. Ela era esforçada — afinal, tinha como meta o prodígio do colégio, Zhu Haibin. Com notas ruins, como poderia se igualar a ele?
— Xuemei, deixa eu dar uma olhada no seu caderno de matemática? — Apesar de ainda serem apenas “amigas de nome”, Flor Pequena não hesitou.
Xuemei arremessou o grosso caderno:
— Claro, mas antes faça uma previsão pra mim: quando vou conquistar meu príncipe?
Estavam todas se preparando para o vestibular — revisando conteúdos do primeiro e segundo anos, e os cadernos cobriam os três anos do ensino médio, por isso eram volumosos.
— Olha só, seu príncipe da Huada está à sua espera.
— Vamos, Xuemei, vamos juntas pra Huada!
O interesse de Xuemei por Zhu Haibin era um segredo aberto. Bastou o assunto surgir para as colegas começarem a provocar.
Flor Pequena desceu da cama de cima, pronta para realizar o “ritual” da previsão, com toda seriedade.