Capítulo 26: Sonho Outra Vez!
Quando o estranho ritual de invocação de energias de Hua Xiaoman chegou ao fim, ela finalmente se pronunciou:
— Ai, que pena... As flores caem com intenção, mas a água corre indiferente. Xue Mei, melhor você escolher outra pessoa.
A sinceridade de Hua Xiaoman era tamanha que deixou Dong Xue Mei com os olhos vermelhos; de repente, ela correu para a cama, escondeu-se sob as cobertas e começou a chorar.
A súbita mudança de clima deixou o dormitório mergulhado em um constrangimento inexplicável. Du Xiaoling tentou consolar Dong Xue Mei, mas suas palavras só intensificaram o choro da colega.
Hua Xiaoman não se deixou abalar. Apesar de Dong Xue Mei estar chorando, ela sabia que não era tristeza genuína; talvez um pouco, mas nada tão dramático. O choro era uma estratégia que Dong Xue Mei cultivara desde pequena: sua mãe partira cedo, cresceu em um lar monoparental, às vezes cuidada pelos avós, e o pai, abastado, sempre cedia a seus pedidos quando ela chorava alto o suficiente.
Criada como uma verdadeira dama, Dong Xue Mei resolvia tudo com lágrimas; essa técnica funcionava até com a outrora bondosa Hua Xiaoman.
Mas agora, Hua Xiaoman era fria e indiferente, e ainda lançou sal na ferida:
— Pare de chorar, melhor pensar em como sair desse buraco. Se não, quando ele arranjar uma namorada, aí sim você vai ter motivo para chorar. Só estou te aconselhando porque te considero amiga.
Você finge, acha que eu não posso fingir também? “Amiga” é só uma palavra, posso usá-la também, e não parece tão ruim.
— Aaaa…
Dong Xue Mei chorou ainda mais alto; Du Xiaoling não conseguia acalmá-la e já não sabia o que fazer. Xiong Meimei, que havia sido alvo de piadas de Dong Xue Mei há pouco, não quis ajudá-la; apenas deu de ombros para Hua Xiaoman e foi arrumar sua cama.
Hua Xiaoman era realmente implacável; com Dong Xue Mei chorando ao fundo, continuou lendo, e ainda por cima, usando os apontamentos da própria Dong Xue Mei, sem nenhum remorso.
Quando Dong Xue Mei percebeu que chorar não adiantava, ela mesma parou, foi até o banheiro, lavou o rosto e voltou para a cama, colocando os fones para ouvir rádio.
Apesar de usar fones, o volume estava tão alto que todos no dormitório podiam ouvir a voz suave da “irmã conselheira”, falando de sentimentos e de corações partidos, intercalada por baladas melancólicas. Era um tanto açucarado.
No ensino médio, todos eram bem inocentes; quem tinha uma história de amor, namorava ou cultivava uma paixão secreta, parecia viver envolto em um aura de tristeza sofisticada. Isso era admirável.
Entre leituras e exercícios, o tempo voou. Para Dong Xue Mei, ouvindo rádio, passou igualmente rápido.
Sem perceber, já eram dez e meia da noite, hora de apagar as luzes no dormitório. Com o início das aulas, o supervisor ainda fazia inspeções, então todos se habituavam a ficar silenciosos.
Hua Xiaoman arrumou suas coisas e deitou-se tranquilamente.
Dormir cedo e acordar cedo era o segredo infalível de Hua Xiaoman para manter a energia nos estudos.
Dong Xue Mei provavelmente ainda passaria mais uma ou duas horas ouvindo a “irmã conselheira”; o rádio dela, às vezes, emitia sons suaves e acolhedores, quase hipnóticos.
...
No dia seguinte, Hua Xiaoman levantou cedo como sempre. Não queria depender da comida de Chu Huai, então foi ao campo da escola e achou um lugar para ler.
Só ao meio-dia passou no refeitório, pegou o almoço e voltou ao dormitório para comer.
Não havia alternativa: o condado de Mishan não era uma capital, e as condições da Primeira Escola de Mishan eram limitadas. Não tinha um verdadeiro refeitório; apenas uma fileira de casas atrás do campo servia como cozinha da escola. A comida era preparada ali, e os alunos pegavam o almoço na janela, sem lugar para sentar e comer. Cada um levava sua refeição de volta ao dormitório para lavar os utensílios depois, ou sentava-se no campo para comer.
As meninas, mais tímidas, evitavam sentar no campo sob os olhares de todos; por costume, levavam a comida para o dormitório.
Hua Xiaoman, com a tigela ainda cheia, abriu a porta do dormitório e ficou imóvel. O que estaria acontecendo? Será que as pessoas dos sonhos aparecem mesmo?
Dentro do dormitório, uma jovem alta, magra, elegante e bonita distribuía petiscos animadamente.
Isso não era o mais importante; o crucial era que Hua Xiaoman sonhara com ela na noite anterior!
Dong Xue Mei não estava no dormitório; dizem que foi comer algo gostoso fora. Xiong Meimei, ao ver Hua Xiaoman, apresentou-a com entusiasmo:
— Xiaoman, você voltou! Esta é a flor da turma, Lu Meijiao.
— Que flor de turma, nada disso — Lu Meijiao lançou um olhar de reprovação a Xiong Meimei e cumprimentou Hua Xiaoman com calor — Acabei de ouvir Meimei e Xiaoling falarem de você, dizem que é linda demais.
Embora não tivesse aula hoje, era dia de matrícula, pagamento, entrega de livros e limpeza; as outras colegas estavam presentes e também cumprimentaram Hua Xiaoman.
Pragmática, Hua Xiaoman temia que sua comida esfriasse, então alertou:
— Vão logo buscar o almoço, quando fui, o frango com amendoim já estava quase acabando.
O frango com amendoim era o prato clássico do refeitório da Primeira Escola de Mishan; provavelmente por causa dos amendoins fritos que perfumavam o ambiente, o sabor era ótimo, a carne não era abundante, então o preço era acessível — todos pediam esse prato, e era sempre o primeiro a acabar.
No ensino médio, o refeitório tinha poucas opções; quando acabava, não tinha mais, era escolher outro prato ou passar fome. Não dava para desperdiçar comida, certo?
Como esperado, Lu Meijiao e as demais, ao ouvir o aviso, gritaram e saíram todas juntas com suas tigelas para buscar almoço. Hua Xiaoman, enfim, pôde comer em paz enquanto estava quente.
Quando voltaram, ainda nem tinham terminado de comer e o dormitório já estava animado novamente.
Dong Xue Mei também voltou, olhos ligeiramente inchados; Lu Meijiao, solícita, perguntou o que havia acontecido.
O dormitório do ensino médio era pequeno, não havia segredos; a história de Hua Xiaoman ter deixado Dong Xue Mei chorando na noite anterior já fora transmitida por Xiong Meimei e Du Xiaoling às demais.
Ao perguntar sobre Dong Xue Mei, aproveitaram para brincar com Hua Xiaoman:
— Você realmente sabe prever o futuro? Não está enganando, né?
— Claro que sim — Hua Xiaoman sorriu misteriosamente — Se você acredita, existe; se não acredita, não existe.
— Eu acredito! Desde pequena adoro ler mãos, signos e essas coisas. Pode ver pra mim? — Lu Meijiao se aproximou com um sorriso.
Hua Xiaoman viu ali uma segunda Dong Xue Mei: mulheres que sorriam por fora, mas por dentro insultavam mentalmente.
Depois que Lu Meijiao chegou, Xiong Meimei, Du Xiaoling e Dong Xue Mei não pararam de exaltar a beleza de Hua Xiaoman. Lu Meijiao, acostumada a ser elogiada, não suportava a atenção dada à colega. Mesmo sem demonstrar, sentia-se desconfortável, principalmente ao perceber que Hua Xiaoman era realmente mais bonita, menos sofisticada, mas mais pura — o que a deixava ainda mais incomodada. Procurava uma oportunidade para desafiar Hua Xiaoman.
Mas Hua Xiaoman, na essência, era menos ingênua do que aparentava. Com duas vidas acumuladas, percebeu o tom irônico de Lu Meijiao, mas fingiu não notar e iniciou o ritual solene de “fechar os olhos para prever o futuro”.
Lu Meijiao sorria, mas era um sorriso de escárnio.
Xiong Meimei, por outro lado, olhava com admiração. Qual garota não fantasiava sobre o amor? Mesmo achando que não tinha muitos atrativos, ela sonhava que talvez algum rapaz se declarasse, por mais improvável que fosse. Para ela, Hua Xiaoman era simpática; se acertasse ou não, pouco importava, o que valia era o ritual. E Hua Xiaoman encenava muito bem.
Ao abrir os olhos, Hua Xiaoman balançou a cabeça, resignada:
— Este ano você vai enfrentar uma crise amorosa; em três meses, seu namorado vai mudar de coração.