Capítulo 36: As Habilidades de Chu Huai

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2361 palavras 2026-03-04 15:00:31

Liu Yuzhi não aceitou: “Então como foi que Xiaoman passou? Acho que minha Lele sempre foi mais inteligente que Xiaoman desde pequena, não tem lógica Xiaoman conseguir passar e minha Lele não. Com certeza há um problema no nosso sistema educacional.”
Quanta arrogância! As notas ruins são culpa do sistema do país?
Ouvindo as palavras de Liu Yuzhi, Hua Xiaoman só teve vontade de rir sarcasticamente, sem desejo de discutir.
Foi a avó Cao quem achou a conversa sem sentido e começou a dispensar as visitas:
“Xiaoman, vá para o quarto ler um pouco, já perdeu tempo de estudo só por voltar para casa. A avó ainda espera que você traga orgulho para nossa família Cao, quem sabe se torne uma universitária. E daí ser menino? Se for ruim nos estudos, só vai acabar voltando pra plantar na roça.”
Hua Xiaoman levantou-se, temendo que insistissem para a avó ir à cidade no dia seguinte, e ainda lembrou:
“Então vou indo. Vovó, amanhã faça pastéis de cebolinha, tá? O doutor Chu vai dormir no posto médico hoje, amanhã ele vem almoçar aqui.”
O recado de Hua Xiaoman era claro: amanhã tem que cozinhar para Chu Huai, então nada de ir à cidade!
“Está bem, está bem.” A avó Liu não escondia a alegria no rosto.
Hua Xiaoman mal se levantou, deu dois passos e, de repente, desabou no chão.
...
Naquela noite, Hua Xiaoman teve febre de novo, uma febre alta de trinta e oito graus e meio, e ainda ficava delirando, assustando a todos.
A avó Cao pediu imediatamente para Lele chamar Chu Huai e o atendente Xiao Liu. Eles receitaram remédio para baixar a febre e, só ao meio-dia do dia seguinte, ela finalmente acordou.
“Vovó!”
A primeira coisa que Hua Xiaoman fez ao acordar foi procurar a avó.
A velha senhora Cao sorriu largo, quase sem conseguir fechar a boca, mas resmungou:
“Você é mesmo uma boba, já é quase adulta e ainda fica doente feito criança. Acha que a avó ia te deixar sozinha?”
“Vovó, estou com fome.”

Vendo que a avó estava bem, Hua Xiaoman ficou especialmente feliz, mas não deixou transparecer; falava com voz fraca, parecendo ainda mais indefesa.
“Tem mingau de milho quente na panela. Vou buscar pra você. Mingau de milho é bom pra recuperar as forças.” A avó Cao saiu apressada, ainda resmungando:
“Aquela Liu Yuzhi só sabe falar asneira. Desde quando cai coisa boa do céu? Minha neta tira boas notas porque se esforça, olha só, até ficou doente de tanto estudar.
Já aquela Lele só pensa em brincar o dia todo, ainda quer passar no ensino médio, entrar pra faculdade?”
No quarto, Chu Huai ainda acompanhava Hua Xiaoman e não pôde evitar franzir a testa:
“Ontem, durante o dia, você parecia bem, por que foi ter febre à noite? E ontem o tempo estava bom, você mal andou e ficou doente. Acho que está com a imunidade baixa. Não pratica atividade física?”
Hua Xiaoman respondeu baixinho: “Corro toda manhã por pelo menos meia hora.”
Chu Huai continuou analisando: “Então é porque você leva uma vida econômica demais. Você é nova, está crescendo, se economizar muito, não cresce direito e o desenvolvimento pode ser prejudicado. Se estiver com dificuldade financeira, posso te emprestar algum dinheiro.”
“Não precisa, de verdade, está tudo bem. Não é o que você está pensando.”
Hua Xiaoman balançou as mãos, recusando. Se fosse outra pessoa oferecendo, talvez até aceitasse e devolvesse depois, mas Chu Huai era diferente. No coração dela, ele não era igual aos outros; não queria se sentir inferior diante dele.
Sabia que esse orgulho era inútil, mas Xiaoman não conseguia ultrapassar essa barreira interna.
Quanto à febre, Hua Xiaoman tinha consciência do motivo: talvez fosse uma punição—uma punição por mudar o destino.
Da última vez, ao mudar o caminho, salvou a avó e teve febre. Agora, ao impedir a avó de ir à cidade e evitar o acidente, ficou doente de novo! Definitivamente, não era coincidência!
Antes, Xiaoman se sentia sortuda por poder sonhar com o futuro e alterá-lo; achava um dom especial. Agora percebia: mudar o destino e revelar segredos do céu trazia punição.
Por causa da avó, adoecer uma vez valia a pena. Mas por outras pessoas ou motivos, talvez ela não o fizesse.
Percebendo Xiaoman distraída, Chu Huai ficou angustiado e desconfortável. De repente, queria muito saber o que passava na cabeça dela.
Mas seu dom especial não funcionava com Xiaoman!
Chu Huai tinha um dom: bastava olhar para saber o que os outros pensavam. Não fosse por isso, não teria integrado a equipe especial e ajudado a resolver casos complexos.

No entanto, Chu Huai detestava esse dom. Depois de ver tanta maldade humana, passou a odiar sua habilidade.
Oito anos atrás, aos quinze, ao despertar esse poder, ficou tão abalado com a complexidade dos sentimentos humanos que fugiu para as montanhas, tentando escapar de tudo.
Naquele tempo, não queria ver mais ninguém. Era jovem e incapaz de controlar o dom, acabava enxergando involuntariamente os pensamentos dos outros, e isso se tornava um peso insuportável.
Até conhecer Hua Xiaoman—alguém que ele não conseguia decifrar. Isso fez Chu Huai sentir que também podia ser normal, descobrir as coisas pela conversa, sem ler pensamentos.
Talvez, a suposta dívida de gratidão por salvar sua vida nem fosse tão importante. Na época, quando estava na Montanha do Pranto dos Fantasmas, nem pensava em sair dali, então não havia dívida.
Mas Xiaoman era mesmo especial. Fez-o perceber que a vida podia ter surpresas, não era só opressão. Ela era a luz em sua existência sombria.
Durante esses anos, pensou várias vezes em procurar Xiaoman, mas, após a viagem à montanha, seu dom foi descoberto e ele passou um tempo num campo de treinamento especial. Depois, dividiu-se entre o ensino médio e a universidade, sempre ocupado.
Esses anos o fizeram amadurecer, fortalecer a mente para lidar com o dom e aprender a usá-lo com moderação, conseguindo levar uma vida mais próxima do normal.
Mas “normal” era apenas ele se adaptando e aprendendo a lidar com a pressão. No fundo, ainda se sentia um estranho, incapaz de se relacionar normalmente com as pessoas.
Na universidade, tentou se aproximar de algumas garotas, cogitou até namorar, mas logo via os pensamentos estranhos e ousados delas—algumas só queriam seu status familiar, outras só pensavam em levá-lo para a cama.
Era inacreditável: garotas lindas e sorridentes pensando em coisas tão mesquinhas? Ele não conseguia aceitar. Talvez, por ter visto tantos casos assim na faculdade, ficou com aversão a relacionamentos.
Só diante de Hua Xiaoman sentia-se de fato uma pessoa comum. Talvez, a impossibilidade de ler pensamentos alheios seja mesmo o melhor: o mistério do coração humano é o que torna as relações interessantes.
Por exemplo, tentar adivinhar por que Xiaoman franzia a testa ou fazia beicinho era divertido. Se fosse outra pessoa, nem precisava adivinhar, bastava olhar—sem nenhum desafio.
E o fato de não saber o que ela pensava tirava o peso da consciência, não precisava se sentir como alguém que invade segredos. O convívio se tornava leve e natural.