Capítulo 18: A História Dela

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2395 palavras 2026-03-04 15:00:20

Apesar de Dona Liu fazer escândalo e insinuar que Hua Xiaoman tinha lançado um feitiço, no fundo, aceitou relutantemente chamar o agente de saúde da aldeia, o jovem Liu, para ir à sua casa e aplicar uma injeção em Liu Cuiying.

Enquanto no hospital da cidade já se popularizava o soro intravenoso, o posto de saúde da aldeia ainda mantinha o costume de aplicar injeções intramusculares, sempre nas nádegas, o que deixava todo mundo meio sem jeito.

Nessa hora, Dona Liu já não falava mais em diferenças entre homens e mulheres; afinal, entre familiares tudo é permitido, e médico dar injeção era coisa normal.

E, de fato, embora o jovem Liu não tivesse grandes diplomas e só pudesse atuar como agente de saúde na aldeia, sem nem ser considerado médico de verdade, seus muitos anos de experiência faziam o remédio ter efeito imediato.

Com uma injeção de penicilina, a febre de Liu Cuiying baixou. Mas já estava tarde e a família Liu não queria mais se incomodar, e Hua Xiaoman tampouco queria perder tempo discutindo.

Na manhã seguinte, Hua Xiaoman chamou Chu Huai para ir com ela visitar Liu Cuiying.

Quando viu Hua Xiaoman, Liu Cuiying sentiu-se culpada e ainda mais ressentida; de cabeça baixa, deixou que sua avó falasse asneiras sobre “roubar namorado”, fingindo-se de coitada.

— Liu Cuiying, não quer dizer nada? Quer que eu fale por você? — perguntou Hua Xiaoman de repente.

Liu Cuiying continuou muda, apenas chorava.

Mulher quando quer se fazer de vítima, o choro é a melhor arma: não importa o motivo, basta chorar que parece a mais injustiçada do mundo; e se continuarem a falar, é como se quisessem levá-la ao desespero.

Por sorte, Dona Cao, desconfiada da capacidade de Hua Xiaoman para enfrentar discussões, insistiu em trazer Liu Yuzhi para o tumulto. Assim, ainda podia discutir com Dona Liu, caso contrário, esta já teria afogado Hua Xiaoman em saliva.

Sabendo que não se pode irritar os mais velhos, Hua Xiaoman não discutiu com Dona Liu, apenas sorriu para Liu Cuiying:

— Tudo bem, eu falo por você. Sei por que você chora, sei por que ficou doente de raiva. Afinal, dizem que eu tenho visão divina, acerto tudo no alvo.

Dona Liu, não se apresse, deixe-me contar uma história.

O tom de Hua Xiaoman era inexplicavelmente imponente; até as sempre barulhentas Dona Liu e Dona Cao ficaram quietas.

No recinto, só se ouvia a voz de Hua Xiaoman, entrecortada pelo choro de Liu Cuiying.

— Três verões atrás, quando terminamos o ensino fundamental, nossa turma fez uma confraternização num restaurante de fondue na cidade, oferecida pela família Niu. Muitas meninas beberam naquela noite.

— Liu Cuiying, foi sua primeira vez bebendo, não foi? Ficou meio tonta. Nós deveríamos voltar juntas, mas você saiu do caminho para ir ao milharal fazer necessidades, e ninguém percebeu.

— Quem diria que Jia Xiaochuan, aquele desordeiro, estava por ali; viu você sozinha e a arrastou para dentro do milharal.

Você, sendo arrastada, deve ter recuperado a lucidez, mas, no meio do mato, resistir não adiantava.

— Está mentindo! Minha neta ainda é pura, e Jia Xiaochuan não é cego. Se fosse para arrastar, teria sido você! — esbravejou Dona Liu, sem se conter.

Hua Xiaoman sorriu:

— Eu não bebi e voltei junto com os colegas, todos podem confirmar. Só Liu Cuiying voltou depois. E não disse que ela perdeu nada.

— Justamente quando ela achou que estava perdida, apareceu um sujeito alto para urinar, ouviu o barulho e a salvou.

— Esse homem era Lu Biao. Liu Cuiying, estou errada? Se não quiser contar, podemos chamar Jia Xiaochuan para confrontar.

Diante da verdade exposta, Liu Cuiying não aguentou mais, empurrou Hua Xiaoman:

— Não precisa! Foi ele quem me salvou. Eu gosto do Lu Biao, está bem assim? Ele é um homem leal, não é como vocês pensam. Nunca fui amante dele, nunca tivemos nada. Agora suma, suma da minha frente, não quero te ver!

— Não importa se não quer me ver, mas deve uma explicação ao Chu Huai.

— Você, querendo colher ginseng selvagem, foi enganado por ela até a Montanha do Lamento, onde Lu Biao estava à espreita para roubar. Isso é errado, não é?

— Depois, ainda colocou a culpa no doutor Chu, dizendo que ele era seu namorado? Doutor Chu não é cego, por que escolheria você como namorada?

— Ah, o professor Zhang, que veio passear no fim do ano, também foi levado por você, não foi? E também foi roubado por Lu Biao? Esse professor Zhang também era seu namorado? E quantos mais você levou por esses anos e foram roubados? Foram poucos, não é?

— Ontem, quando dei depoimento, como pude esquecer de contar isso ao capitão Zhang? Agora lembrei, talvez devesse procurá-lo para contar.

Hua Xiaoman, de posse da razão, não dava trégua. Normalmente tímida e discreta, sempre calada e submissa diante das provocações de Dona Liu e Liu Yuzhi, hoje se mostrava implacável, indo direto ao ponto.

Até Dona Liu, famosa pelo falatório, ficou paralisada, sentindo que sua neta estava encrencada de verdade, apressando-se a mandar Hua Xiaoman embora:

— Menina, não tem o que fazer em casa? Fica inventando essas histórias. Minha neta ainda está doente, não precisa exagerar, pare com isso.

Se Liu Cuiying tinha avó, Hua Xiaoman também tinha.

— O que está dizendo? Uma mulher da sua idade falando bobagens. Só você tem razão aqui?

Nossa Xiaoman sempre foi uma menina exemplar, mas você, velha encrenqueira, veio aqui acusar minha neta de roubar o namorado de Cuiying.

Isso é ridículo! O jovem Chu nunca disse que gostava da sua neta. Achei que era coisa de sua cabeça, mas, pelo visto, nem ela queria. Ainda por cima, se envolveu com bandidos, fazendo coisas vergonhosas.

Francamente, duvido que essa neta sua vá arranjar casamento algum dia.

A língua de Dona Cao era afiada. Onde não tinha, ela achava confusão. E, em meio ao escândalo, sentia-se ainda mais à vontade para falar.

Dona Liu, sem argumentos, também tinha suas artimanhas.

De repente, a velha estendeu um dedo trêmulo, cheio de rugas, apontou para Dona Cao, os lábios tremendo, mas sem conseguir falar, até que fechou os olhos e tombou para trás, desmaiando de raiva.

Mas até para desmaiar ela era metódica, caindo em câmera lenta, provavelmente para dar tempo aos mais jovens de reagir e ampará-la.

Afinal, se caísse de repente e ninguém segurasse, ia acabar quebrando algum osso velho.

Todos ali eram mestres em teatro, e ninguém precisava desmascarar ninguém. Além disso, continuar discutindo não levaria a nada; quem sairia mal falada era Liu Cuiying, e o povo da aldeia não era bobo, logo a notícia se espalharia.

Rosnando, Dona Cao aproveitou para reclamar com a nora:

— Veja só, sua mãe já está velha, saúde frágil, seus dois irmãos não cuidam de nada, e tudo cai nas costas dela. Xiaoman e o jovem Chu me levam para casa, fique aqui e cuide da sua mãe.

O sotaque de Dona Cao era forte, mas, por sorte, o dialeto do norte não diferia muito do mandarim. Mesmo Chu Huai, que não era local, conseguia entender e prontamente ajudou a acompanhá-la de volta.

Hua Xiaoman, porém, não se apressou. Ainda teve o “cuidado” de lembrar sua tia:

— Tia, achei estranho a Dona Liu desmaiar de repente. Será que não é um derrame? Melhor levá-la ao hospital da cidade para examinar.