Capítulo 31: Quem é que não sabe chorar?
— Não, não quero! Não sou tua mãe para te prometer nada. Por que eu deveria te dar garantias? Se você viesse pedir que eu pagasse sua mensalidade, também teria que concordar? Está achando que sou boba? — resmungou Florzinha, recusando-se a ajudar. Terminou de falar e seguiu em direção à sala de aula, pois já estava quase na hora da próxima aula. Afinal, o intervalo entre as aulas era de apenas dez minutos.
Zhu Haibin queria explicar que não era isso o que ele queria dizer, mas a garota já estava longe.
Xiong Meimei, com um olhar de admiração, ainda levantou discretamente o polegar para Florzinha:
— Recusar um pedido vindo da melhor aluna da turma, isso sim é atitude de quem é incrível!
— E você não teria feito o mesmo?
— Chega, não quero ouvir! Meu coração dói tanto... Ah, quando eu passar no vestibular, vou reconquistar o Lobo de qualquer jeito! — gemeu Xiong, num drama profundo.
Florzinha sorriu:
— Acho que você consegue.
— Sério? Sério mesmo? Você já fez alguma previsão pra mim? — Xiong Meimei se animou.
Mas Florzinha apenas respondeu, com frieza:
— Já disse que não faço mais previsões de graça.
Palavra-chave: de graça!
O que aconteceu com Lu Meijiao da última vez fez Florzinha repensar. Ela percebeu que ainda era muito ingênua e que deveria aprender mais com Dong Xuemei.
Fazer previsões sem cobrar nada e ainda sair arrumando confusão… Por quê? Qual o benefício? Ela pensou: prever o futuro deveria ser um dom raro e poderoso, não algo barato! Afinal, Florzinha tinha uma maturidade além da dos colegas, pois já tinha vivido outra vida.
Assim, ela determinou para si mesma: não faria mais previsões por impulso. Quando fizesse, cobraria caro! Quanto mais caro, mais valor dariam.
Com essa decisão tomada, sua postura mudou bastante.
Lu Meijiao, querendo arrumar briga, espalhava pela sala que Florzinha sabia prever o futuro. Com oito pessoas no dormitório, era impossível esconder aquilo. Logo, muitos na turma ficaram sabendo, principalmente porque a previsão feita para Xiong se concretizou. Quanto à previsão para Dong Xuemei, nem precisava ser feita: todos percebiam que sua paixão por Zhu Haibin não teria futuro. O único mistério era quando Lu Meijiao e Wang Zi, o Don Juan, terminariam.
Algumas meninas curiosas queriam que Florzinha lhes lesse a sorte, mas ela recusava obstinadamente, sempre com um jeito frágil, como se fosse vítima de perseguição.
Alguns meninos, também curiosos, gostavam de previsões.
Como agora, Wang Zi veio até ela, meio debruçado sobre sua mesa, insistindo:
— Florzinha, somos praticamente colegas de mesa, quase vizinhos de carteira, quebra esse galho e faz uma previsão pra mim.
— Eu realmente não sei fazer isso — respondeu ela, lançando um olhar de desprezo, enquanto arrumava seus livros em pé, na estante, e dispensava Wang Zi sem cerimônia:
— A aula vai começar. E, pra falar a verdade, nem te conheço direito.
— Mas se conversarmos mais, a gente se conhece.
— Não tenho interesse — retrucou Florzinha, sentindo-se incomodada com o olhar invasivo de Wang Zi.
Na cabeça dela, Wang Zi só tinha coragem porque os pais tinham dinheiro e ele se achava no direito de correr atrás das meninas bonitas. Bonito mesmo era o Lobo, e, em notas, Wang Zi era apenas mediano. O que ele tinha de especial para achar que todas gostavam dele? Era só porque era rico.
Quando percebeu que Wang Zi não iria embora, Florzinha apelou:
— Wang Zi, você não escovou os dentes hoje?
— O quê?
— Está com mau hálito — disse ela, tapando o nariz com uma mão e abanando o ar com a outra, dramatizando.
Na verdade, Wang Zi não tinha mau hálito; era só que, sendo do norte, eles costumavam comer alho nas refeições, então era normal ficar com um cheiro diferente.
A encenação de Florzinha fez Wang Zi passar vergonha. Ele agarrou o pulso dela:
— Florzinha, está tentando chamar minha atenção de propósito? Parabéns, conseguiu! Eu gosto de você. Quer namorar comigo?
— Claro que não. Nem te conheço direito e, além disso, tenho mania de limpeza — respondeu Florzinha, querendo afastá-lo.
Mas Wang Zi era do tipo insistente, queria ainda mais o que não podia ter. Diante da turma inteira, gritou:
— Florzinha, se não ouviu direito, vou repetir: eu gosto de você! Quer ser minha namorada?
— Está maluco? — Florzinha não esperava que ele fosse tornar a situação pública. Todos olhavam, como se assistissem a um espetáculo.
E, para piorar, Lu Meijiao, que acabava de voltar do banheiro, ficou parada na porta, chorando copiosamente.
Sem saída, Florzinha chamou:
— Meijiao, não vai levar teu cachorro doido embora? Ele está fazendo esse show só porque quer uma previsão! Wang Zi, larga meu braço ou vou chamar o professor.
Como estavam na sala, e diante da recusa firme de Florzinha, Wang Zi não teve escolha. O sinal tocou e Lu Meijiao correu, agarrou o braço dele:
— Sai comigo agora!
— Qual é o problema? Eu te disse hoje de tarde que terminamos, não tem mais nada pra falar.
— Não basta já ter passado vergonha? Vamos conversar lá fora! — Lu Meijiao puxou Wang Zi para fora, sem nem ir à aula noturna.
Assim que Wang Zi saiu, todos os olhares se voltaram para Florzinha.
Ela sentiu o peso daqueles olhos e ficou um pouco atônita.
No fundo, ela era a mais injustiçada. Sempre evitava Wang Zi, não queria papo com ele, mantinha-se distante. Agora, com ele declarando-se em público, parecia que ela era a culpada pelo fim do namoro de Lu Meijiao.
O coração das pessoas sempre pende para o lado dos mais frágeis, e Florzinha ainda ouviu alguém sussurrar: “A Meijiao está chorando tanto…”
Como se ela também não fosse uma garota, como se não pudesse chorar.
De repente, Florzinha teve uma ideia. Deitou sobre a mesa e começou a chorar, soluçando cada vez mais alto e mais sentido.
Sua colega de carteira, Mi Xiaofeng, ficou sem saber o que fazer. Mi, que gostava de bancar o menino, não era boa em consolar ninguém. Só sabia estender um lenço, porque não tinha jeito para essas coisas.
Ainda bem que Mi Xiaofeng trocou de lugar com Xiong Meimei.
Xiong Meimei era delicada, fofinha, branca e rechonchuda, a voz doce, claramente uma menina que sabia consolar os outros.
E Florzinha só esperava ser consolada!
Bastou Xiong Meimei começar a consolar, e Florzinha não aguentou: entre soluços, defendeu-se:
— Como ele pode fazer isso? Só porque tem dinheiro, acha que pode pisar nos outros?
Meus pais morreram cedo, é minha avó que planta na roça para pagar meus estudos. Fui reprovada ano passado, e minha avó gastou tudo o que tinha, até o dinheiro do caixão, pra que eu tentasse de novo.
Vocês sabem o tamanho da minha responsabilidade? Se eu não estudar direito, estou sugando o sangue da minha avó. Como posso ser igual a esses playboys e ficar de namorico?
— Não chora, Florzinha, não chora, todo mundo sabe que o Wang Zi não presta, só porque tem dinheiro acha que pode tudo. Você não tem culpa de nada, e nem a Meijiao vai ficar brava com você — Dong Xuemei também se aproximou, tentando acalmá-la.
Florzinha estava realmente indignada:
— Ele acha que só porque tem dinheiro pode fazer o que quiser, terminar com quem quiser, ficar com quem quiser. Se é tão rico, por que não vai pra uma boate? O que está fazendo na escola?