Capítulo 3: Oportunista

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2296 palavras 2026-03-04 15:00:08

A sua pequena Manhã Cheia é como uma fada celestial, enquanto nós somos apenas flores silvestres à beira da estrada.

Liu Yuzhi revirou os olhos, decidida a não discutir mais com a velha sobre esse assunto. Havia assuntos mais importantes naquele momento, então resolveu concordar para que a conversa seguisse:

— Certo, mãe, se não concorda, eu volto para a casa dos Zhang. Dizem por aí que uma bela filha atrai pretendentes de todos os lados, e a nossa Manhã Cheia, tão formosa, poderia ter filas de pretendentes à porta. Não vamos deixá-la para qualquer um, muito menos para a família Zhang.

— Agora que ela está doente, a senhora sozinha não dá conta. Melhor mandar para minha casa. Se não se sentir à vontade, venha morar junto. Nem imagina, esses dias o Lele vive pedindo para comer os pasteizinhos feitos pela avó.

Ao ouvir falar do neto, um sorriso surgiu no rosto da velha:

— Está bem, vou passar uns dias lá, só para garantir que você não tenha ideias tortas. Mas já aviso: o dinheiro que Guodong deixou é dela, foi combinado que serviria para os estudos da Manhã Cheia. Não tente dar um jeito nisso, nem arrume casamento para ela agora. Só porque não passou na universidade não quer dizer nada. Ela pode estudar mais meio ano e tentar o exame de novo no verão!

— Mãe, não é que não deixemos ela estudar. A senhora viu as notas dela, não é de livros. Por que insistir? Filha de pobre não pode se dar ao luxo de repetir de ano. É melhor enquanto é jovem e bonita, encontrar um bom marido, para ter com quem contar a vida toda — Liu Yuzhi estava ficando aflita, tentando convencer a velha.

A velha se irritou:

— Ora, como se eu não soubesse das coisas que você diz pelas costas! Que minha menina nasceu para ser criada e não senhora? Quem disse isso? Minha menina nasceu para ser senhora! A Yuè nunca gastou um centavo do nosso dinheiro. Se estivesse viva, Manhã Cheia seria uma princesinha. E você, se tivesse metade da habilidade dela, nosso Lele não teria preocupações. Se realmente se importasse com Lele, tentaria ganhar mais dinheiro junto com Zhuzhi, seria muito melhor!

A velha era mesmo afiada com as palavras; em poucas frases deixou Liu Yuzhi sem reação.

Manhã Cheia temia que a tia acabasse tão irritada a ponto de fazer alguma besteira, como empurrar a velha da carroça. Se não morresse, perderia metade da vida. Pensando bem, esfregou os olhos, fingiu despertar e entrou na conversa:

— Tia, sei que você, o tio e a avó só querem o meu bem. Sei que não passei no exame, não foi culpa de ninguém.

— Mas eu realmente quero tentar de novo, só mais uma vez. Se não passar este ano, desisto. Sei como estão as coisas em casa, o Lele vai entrar no ensino médio, vocês têm que sustentar os estudos dele. Ouvi dizer que na universidade há empréstimos estudantis e trabalhos para estudantes. Darei um jeito de pagar as mensalidades, não vou ser um peso para a família.

No fim das contas, o problema de Liu Yuzhi era ganância, uma questão de dinheiro. Manhã Cheia sabia melhor do que a avó onde atingir o ponto fraco da tia.

Agora, sem ter forças para lutar, Manhã Cheia precisava acalmar Liu Yuzhi. Certas coisas não precisavam ser resolvidas de imediato. Deixar transparecer que tinha um dinheiro guardado não significava que a tia conseguiria pôr as mãos nele.

Além disso, Manhã Cheia ainda tinha a avó como aliada. Apesar da idade, a velha era afiada e não deixava nada passar. Sabia também que a melhor forma de resolver as coisas era conversando com Cao Guozhu.

Cao Guozhu era um homem simples: na infância tinha medo da mãe, depois de casado passou a temer a esposa. A velha sempre relembrava:

— Você, quando pequeno, seu irmão te carregava montanha adentro...

— Uma vez, você adoeceu e a família estava tão pobre que não tínhamos nem carroça. O velho já tinha morrido, e seus tios, uns inúteis, não ajudavam em nada. Seu irmão te carregou o dia todo até a cidade, Guodong tinha só treze anos e estragou as solas dos sapatos.

A estrada de asfalto, cheia de neve e gelo não retirada, não era fácil de trilhar. A família seguia na carroça, sacolejando aqui e ali, mas ao menos poupavam forças em comparação com a caminhada.

A velha estava realmente cansada; após algumas histórias, recostou-se em Manhã Cheia e adormeceu.

Manhã Cheia, ao contrário, apesar de desperta, não queria conversa com Liu Yuzhi, então fechou os olhos e fingiu dormir, ajustando a respiração.

Cao Guozhu, sentado à frente guiando a carroça, ao perceber o silêncio atrás, começou a falar com a esposa, pedindo que não se metesse tanto nos assuntos de Manhã Cheia nem cobiçasse o dinheiro da família do irmão mais velho.

Quanto ao casamento da sobrinha, Cao Guozhu também não via saída. Entendia as artimanhas da esposa, mas não queria se envolver.

No entanto, as histórias da velha sobre o irmão e a cunhada deixaram Cao Guozhu com o coração pesado, sentindo-se culpado.

Mas Liu Yuzhi não perdoou:

— Falar é fácil. Se eu não pensar no futuro, como fica Lele? Ano que vem ele faz o exame para o ensino médio. Ele é homem, vai continuar a linhagem da família Cao. Se não aprender nada, vai ser desprezado como você?

— Lele nem tem boas notas, difícil passar no exame — respondeu Cao Guozhu, resignado.

— Mesmo que não passe, pelo menos um curso técnico ou escola profissionalizante. Lembra da filha do meu irmão, Liu Cuiying, a Nannan. Ela era colega da Manhã Cheia no ensino fundamental, entrou num curso técnico, agora trabalha numa grande empresa na cidade, virou secretária, volta para casa toda moderna, diferente de nós, camponeses.

— Manhã Cheia era até melhor aluna do que Cuiying. Se tivesse me escutado e não insistido em ensino médio e universidade, teria entrado num técnico de magistério, contabilidade ou enfermagem, podia escolher à vontade. Agora já teria se formado e não estaria pior que Cuiying. Se tivesse feito o técnico, já estaria trabalhando. Não espero muito dela, afinal, cuidamos dela por seis, sete anos. Se Lele precisar de dinheiro para os estudos, pelo menos ela poderia ajudar. Agora, do jeito que está, mal conseguimos sobreviver e ainda temos que sustentar esse peso morto.

Cao Guozhu era como um capim ao vento. A velha o fez lembrar do passado e sentir-se em dívida com a sobrinha. Agora, lavado pelo discurso da esposa, também via razão em suas palavras e não pôde evitar um suspiro.

Liu Yuzhi não parava de falar, fofoqueava sobre todas as famílias, enquanto Cao Guozhu, calado, apenas conduzia a carroça. Espiava disfarçadamente Manhã Cheia e a velha, vendo-as dormindo profundamente, sem saber o que tramava.

A carroça de bois estava longe de ser comparada ao carro novo da cidade. Da última vez que Cuiying voltou para casa, veio de táxi; dizem que do centro à aldeia não levou nem quinze minutos. Nada a ver com aquela carroça velha, que demorava mais de uma hora para chegar à entrada do vilarejo.