Capítulo 23: Aquecedor de Mãos

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2361 palavras 2026-03-04 15:00:23

Depois de um tempo, Chu Huai subiu do andar de baixo trazendo uma caixinha vermelha. Ao abri-la, revelou-se um aquecedor de mãos recarregável.

— O fornecimento de água quente na sua escola é curto, então usar bolsa de água quente deve ser complicado. Por isso comprei esse de carregar. Você pode deixá-lo carregando no dormitório e levar para a sala de aula para se aquecer — disse ele.

— Ah, obrigada — respondeu Hua Xiaoman, um pouco envergonhada. O presente era bom, mas ela não sabia se teria coragem de usá-lo. Num colégio, quem teria coragem de levar uma coisa dessas para a sala de aula?

Chu Huai percebeu o olhar hesitante de Hua Xiaoman e adivinhou o que passava por sua cabeça. Tentou convencê-la:

— Quem mandou você ser tão teimosa? Ficou uma noite toda na neve, teve sorte de não ter congelado. Por fora parece que está tudo bem, mas o frio entrou no seu corpo e isso pode causar reumatismo ou outros problemas. Agora você é jovem, mas se não se cuidar, nem precisa chegar aos trinta, com vinte e poucos anos já vai se arrepender.

— Sim, sim, doutor Chu, você tem razão. Eu vou obedecer, prometo — apressou-se em responder Hua Xiaoman, tirando o aquecedor da bolsinha de veludo, conectando o fio e colocando na tomada para carregar.

Naqueles tempos, esse tipo de aparelho ainda era uma novidade e muitos não sabiam usar, mas ela manuseava com destreza. Afinal, em sua vida anterior, também sentia muito frio e usava bastante.

Chu Huai balançou a cabeça, resignado, e não insistiu mais no assunto. Começou então a explicar os conteúdos escolares para Hua Xiaoman.

Ela tinha muitas matérias atrasadas, impossível recuperar tudo em pouco tempo. Um ensinava, o outro ouvia, e assim, sem perceber, passaram do meio-dia até o entardecer, perdendo até o horário do jantar.

— Vou te acompanhar até em casa — ofereceu Chu Huai, cavalheiresco.

— Não precisa, são só alguns passos. Vou andando e chego rapidinho.

— Melhor eu ir junto. Já está escurecendo, se você encontrar algum malandro no caminho, sua avó não vai me perdoar.

— Hahaha — Hua Xiaoman riu — Até você tem medo da minha avó? Ela é boa pessoa, só fala muito.

— Dá pra perceber. E cozinha bem, espero ter mais oportunidades de ir à sua casa para comer.

Conversando assim, saíram do conjunto residencial atrás do hospital e seguiram para a rua principal, caminho para a escola.

No trajeto entre hospital e escola havia uma rua movimentada, cheia de lojas, dois grandes mercados e, ao lado, um cinema.

A entrada do cinema era sempre animada, com várias barraquinhas de comida e uma feira noturna instalada.

— Que tal comermos um ensopado antes de voltar? — sugeriu Chu Huai.

Desde o almoço, eles só haviam estudado, nem jantar tinham tido tempo de comer. Hua Xiaoman pensou em sua carteira vazia e balançou a cabeça:

— Pode comer, eu preciso ir. Se chegar tarde, não entro mais no dormitório.

— Está bem, então te acompanho até lá e depois volto para comer — concordou Chu Huai, sem insistir. Afinal, ela era uma moça e as regras do colégio eram rigorosas.

Ao deixar Hua Xiaoman diante do dormitório, Chu Huai ainda lembrou:

— Amanhã de manhã continuamos? Posso ir te buscar.

— Não precisa, vou correr cedo e passo lá sozinha.

— Então tá, preparo um café da manhã e te espero.

Assim que se despediu de Chu Huai, Hua Xiaoman comprou um pão branco por cinquenta centavos numa barraquinha de lanches ao lado do dormitório, voltou para o quarto, pegou o pote de conserva de casa e comeu para matar a fome.

Faltavam dois dias para a matrícula oficial, então só Hua Xiaoman e Dong Xuemei estavam no dormitório.

Ao ver Hua Xiaoman comer de novo só conserva, Dong Xuemei deu de ombros, mas logo recompôs a expressão e falou animada:

— Xiaoman, você mudou tanto nesses seis meses. Está mais madura, quase uma adulta. Como foram esses meses? Conta pra mim.

— Não tem muito o que contar. Trabalhei na lavoura e cozinhei em casa — respondeu Hua Xiaoman, sincera.

— E hoje à tarde, você saiu com o veterano Chu? Está gostando dele? — Dong Xuemei perguntou, curiosa.

— Que nada, ele é só um amigo — respondeu Hua Xiaoman, evasiva. Gostando ou não, não via motivo para contar a Dong Xuemei.

Dong Xuemei, esperta, percebeu algo no jeito de Hua Xiaoman e, no fundo, sentiu pena de Zhu Haibin:

— Você sabia que o gênio da nossa sala, Zhu Haibin, vai repetir o ano? Faltaram só três pontos para ele entrar em Jiuhua no ano passado. Uma pena, né? Não entendo, será que só Jiuhua serve? Não dava para ir para outra faculdade?

— Não entendo, o mundo dos gênios não é para nós — desconversou Hua Xiaoman, que não queria falar de Zhu Haibin. Só torcia para que ele não viesse confessar nada para ela.

Na vida anterior, Zhu Haibin também era uma figura. Enquanto estudavam, ele nunca se declarava, só gostava em segredo.

Mesmo depois de Hua Xiaoman se casar — embora tenha casado com um homem mais velho, tinha certidão e tudo —, Zhu Haibin foi até a casa dela dizer que queria fugir com ela.

Como se não bastasse, ainda foi pego por Dong Xuemei.

Por causa disso, muitos boatos surgiram. Hua Xiaoman não gostava de Zhu Haibin, e, acima de tudo, era uma aluna mediana e consciente de sua posição, nunca sonhou em se envolver com um gênio como ele.

Não entendia o jeito de pensar dos gênios e acabou se metendo em confusão sem querer. No fim, só saiu prejudicada.

Dong Xuemei, sim, gostava de Zhu Haibin e continuava falando dele:

— Sabia que Zhu Haibin voltou para nossa escola? Está na oitava turma com a gente. Na última prova simulada, ficou em primeiro lugar da escola.

— Tomara que ele não perca de novo no vestibular, se faltar três ou cinco pontos, que desperdício — comentou Hua Xiaoman, prevendo o futuro.

Zhu Haibin era de fato muito bom, mas, apesar dos sonhos grandiosos, faltava-lhe sorte. Dois anos repetindo não era fácil.

A melhor universidade de toda a nação, sempre em primeiro lugar, berço de cientistas, era a Universidade de Jiuhua, apelidada de Jiuhua. Era o sonho de milhares de estudantes.

Para a maioria, era inalcançável. Só gênios como Zhu Haibin podiam tentar. Para Hua Xiaoman e Dong Xuemei, só restava sonhar e fofocar.

— Xiaoman, você é muito negativa! Zhu Haibin não vai repetir de novo. Este ano ele passa, tenho certeza. Se nem ele conseguir, então ninguém mais consegue.

— Chu Huai conseguiu — respondeu Hua Xiaoman prontamente. — Na época do vestibular, ele teve nota suficiente para Jiuhua, mas preferiu estudar medicina e escolheu a Universidade de Medicina da Capital.

Na cabeça de Dong Xuemei, Zhu Haibin era o topo do topo, visão muito limitada. Não é à toa que, mesmo correndo atrás, ele não gostava dela.

Dong Xuemei queria continuar conversando sobre sua paixão, mas Hua Xiaoman disse que estava cansada e foi se deitar.

Deitada, sem sono, Hua Xiaoman fechou os olhos e reviu na mente as explicações de Chu Huai daquele dia. Era bem mais proveitoso do que conversar com Dong Xuemei.