Capítulo 34: O Irmão Mais Novo Ficou Assustado

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2353 palavras 2026-03-04 15:00:30

Depois de um mês ausente, ao retornar à aldeia, Florzinha sentiu até que o ar estava mais fresco. Já era meados de março e, desde o início do mês, não nevava mais; o tempo aquecia devagar, a neve no chão começava a derreter e, nas margens da estrada, nos campos de trigo de inverno ainda cobertos por restos de neve, já despontavam minúsculos brotos amarelo-esverdeados.

O clima não estava tão frio, então Florzinha não vestiu seu bonito casaco de penas, mas sim uma blusa vermelha de lã e, por cima, uma jaqueta jeans, igual àquela que agora todos os estudantes do ensino médio adoravam usar.

Na verdade, Florzinha não gostava tanto de jaquetas jeans, mas como eram baratas e duráveis, todos os casacos que sua família comprava para ela eram desse tipo. Como não tinha dinheiro sobrando para roupas novas, acabava se conformando.

No fim das contas, ela nem queria se preocupar em estar bonita; não pensava em namorar agora. Seu único desejo era passar no vestibular e, na universidade, trabalhar e estudar para ganhar algum dinheiro e se sustentar.

Na vida anterior, ela vira muitos colegas que, ao voltarem da universidade, contavam, quase exibindo, como conseguiriam ganhar cinquenta ou sessenta reais por hora dando aulas particulares, ou, nos lugares mais ricos, duzentos reais num único dia distribuindo panfletos.

Florzinha pensava que, se tivesse iniciativa, conseguiria, com esforço, pagar seus estudos e despesas.

— Em que você tanto pensa, tão concentrada? — perguntou, ao seu lado, uma voz masculina, grave e agradável, trazendo-a de volta ao presente.

— Hã? Nada não... Estava pensando na vovó — respondeu, esquecendo que não estava sozinha, mas sim acompanhada por Chu Huai.

Nesse último mês, quase todo final de semana, Florzinha ia visitar Chu Huai. O lugar onde ele morava era tranquilo, e ele, sendo um gênio dos estudos, explicava tudo com clareza, além de ter um jeito acolhedor e quase fraternal, transmitindo uma sensação de bem-estar, como se descrevem nos livros: “um banho de vento primaveril”.

Como para confirmar esse sentimento, uma brisa suave passou, trazendo o leve aroma de capim dos campos de trigo ao longe, e Florzinha não conteve o sorriso.

Seu sorriso era contagiante; mesmo sem entender por que ela sorria tão feliz, Chu Huai também não pôde evitar de sorrir.

— Florzinha, obrigado — disse ele de repente.

— Ué, doutor Chu, por que tanta formalidade? Você mesmo não vive dizendo para eu não agradecer tanto? Se for o caso, guarde esse agradecimento para a vovó! — retrucou ela.

Chu Huai sorriu. Florzinha pensou que ele falava do almoço, mas não era isso. Fazia muito tempo que ele não se sentia tão leve.

Melhor assim, não precisava que ela soubesse.

Os dois conversavam animados, em perfeita harmonia.

Bateram à porta do velho pátio e, de dentro, ouviram a voz conhecida da avó:

— Quem é?

Florzinha sentiu uma emoção inesperada e respondeu:

— Sou eu, vovó!

— Minha menina, já voltou? Não disse para ficar na escola, estudando? Aqui só te espera trabalho e aborrecimento! Sei que você é uma neta dedicada, até pensei em ir te visitar amanhã... para que esse corre-corre?

A avó era realmente de falar muito; já vinha resmungando do outro lado da porta enquanto se aproximava.

O tio e o primo, Lele, achavam cansativo ouvir a avó tanto falar, mas Florzinha gostava; sentia o carinho genuíno dela.

Ao abrir a porta, a vovó de cara viu Chu Huai e pareceu outra pessoa: parou de resmungar, pegou Chu Huai pela mão, como uma avó carinhosa e gentil:

— Chu, venha sempre nos visitar! Fico preocupada com Florzinha sozinha na estrada, com medo daqueles vadios sem lei. Com você acompanhando, fico bem mais tranquila.

— Vovó, sou guloso, e seu frango com cogumelos é tão gostoso que vim, na verdade, para aproveitar a comida.

— Que bom, então! Já vou matar uma galinha — disse a velha, animada.

— Não precisa, eu já comprei uma bem gorda no mercado, vindo para cá — explicou Chu Huai, sem querer abusar das aves criadas pela idosa; ao chegar à entrada da aldeia, comprou uma de um criador local, pois Florzinha dissera que, assim, poderiam aproveitar até os miúdos e o sangue, e as penas seriam bem limpas.

Florzinha, sendo moça, tinha medo de matar galinha, achava muito sangrento. Mas a avó, apesar da idade, não se atrapalhava com nada: pediu que ela apenas aquecesse a água e ajudasse, enquanto a própria cuidava de tudo rapidamente.

E Chu Huai, sendo homem, também não tinha essas frescuras, ainda ajudou a recolher o sangue.

A avó de Florzinha sempre morou sozinha; aquele pátio era dela, mas a casa do filho mais novo ficava perto. Na época do Ano Novo, ela só foi para lá porque se preocupava com Florzinha.

Logo, o movimento atraiu Liu Yuzhi e o filho, Caio Lele. Ao verem a visita, Liu Yuzhi apressou-se a ir à cozinha ajudar, deixando Florzinha e Lele para fazer companhia ao jovem Chu.

No interior, havia certos costumes: era malvisto um rapaz e uma moça ficarem sozinhos, então Lele, mesmo que só ficasse ali calado, servia para evitar comentários.

Porém, Caio Lele se interessava muito mais por Florzinha do que por Chu Huai; já tentou várias vezes chamar sua atenção, mas ela simplesmente o ignorava!

E Florzinha, que nunca chegou a ser a melhor aluna, mas estudava com afinco, aproveitava para tirar dúvidas com Chu Huai, pegando logo um caderno de exercícios.

Caio Lele lançou-lhe alguns olhares fulminantes, mas depois, pensativo, encolheu os ombros.

Enquanto Chu Huai explicava um exercício para Florzinha, não se conteve e riu.

— O que foi? Estou muito burra? — Florzinha não entendeu nada.

Chu Huai balançou a cabeça, sorrindo:

— Não, não é isso. Só me lembrei de quando, oito anos atrás, vim aqui pela primeira vez e ouvi uma lenda: diziam que havia uma Montanha do Lamento nas redondezas, onde morava um monstro devorador de gente.

— Você acreditou nisso? — Florzinha não sabia se ria ou se chorava.

— Histórias populares às vezes têm um fundo de verdade, não surgem do nada — respondeu Chu Huai, olhando divertido para Caio Lele:

— E você, Caio Lele, o que acha?

— Acho, sim! Com certeza tem! Minha irmã mesmo... Você também percebeu? Ai, Chu Huai, não me olha pedindo ajuda, não posso te salvar, também tenho medo de ogro!

Por fora, Caio Lele continuava sério, mas por dentro era pura confusão.

Florzinha não fazia ideia do que ele pensava, apenas balançou a cabeça, resignada:

— No meu armário tem livros, escolha um para ler e não atrapalhe meus estudos.

— Tá bom — respondeu Caio Lele, pegando ao acaso um romance grosso. Bastou abrir e começou a tremer.

Chu Huai, contendo o riso, perguntou a Florzinha:

— Adivinha que livro ele pegou?

— Como vou saber? — disse ela, olhando para o primo e suspirando:

— Caio Lele, você já é medroso, por que foi ler “Contos Estranhos do Pavilhão”? Tem histórias de provérbios lá, você sempre lê aquilo...

— Eu... eu... não me coma! — Caio Lele, assustado, largou o livro e saiu correndo.

Florzinha deu de ombros, explicando a Chu Huai:

— Meu primo sempre foi medroso. Você fala em ogro, ele lê contos de terror... agora ficou realmente apavorado.

— Hehe — riu Chu Huai, achando graça na ideia de Caio Lele considerar Florzinha uma devoradora de gente.