Capítulo 78 – Madrasta

A Veterinária dos Anos 80 com Dons Místicos Pequena Raposa Prateada Xiao Yin II 2308 palavras 2026-03-04 15:01:04

Dong Fuguê estava furioso, especialmente porque ele próprio vinha do campo e sabia como as pessoas da vila adoravam fofocar. No caminho, já tinha ouvido comentários sobre o namoro de Dajun. Sua filha era tão desinibida, brincando com os meninos, que ele ficou ainda mais irritado.

— Dong Xue Mei! — bradou, avançando e dando um tapa no rosto dela. Xue Mei ficou ali, atordoada, segurando o rosto, sem reação.

— Senhor Dong, não combinamos que não iríamos punir fisicamente as crianças? — A professora Ge também estava aborrecida. — Xue Mei, se houver algum problema, fale comigo.

Ao ouvir a professora, Dong Xue Mei começou a chorar inconsolavelmente.

— Eu não tenho mais mãe, meu pai casou com outra e nunca mais vai me amar, só sabe me bater — lamentava, sentada, sem se preocupar com a aparência.

Muitos observavam, mas ninguém se atrevia a se aproximar.

Dajun e Erjun, irmãos que tinham brincado com Xue Mei nos últimos dias, ficaram perturbados ao vê-la apanhar. Dajun ainda empurrou Dong Fuguê:

— Você não é uma boa pessoa. Nossa vila não te quer aqui.

Dajun era o filho mais velho do segundo irmão de Liu Yuzhi, apenas alguns meses mais novo que Liu Cui Ying. Depois de terminar o ensino fundamental, estudou em uma escola técnica, aprendeu a dirigir e agora trabalha como taxista no condado. Não era mais uma criança.

Ele realmente gostava de Xue Mei: pequena, adorável, e sempre bem arrumada, coisa que as meninas com dinheiro podiam fazer. Para ele, Xue Mei era diferente das outras garotas da vila, tinha um certo charme.

Dajun era alto e forte, e Dong Fuguê realmente foi empurrado para trás. Liu Cui Ying interveio:

— Dajun, pare, ele é seu cunhado, está disciplinando a filha, não se envolva.

— Irmã, ele gosta de bater nas pessoas, será que não bate em você também?

— Claro que não! Meu marido é ótimo comigo, nunca me bateu. — Mentira! Quando soube do desaparecimento da filha, o velho canalha lhe deu um tapa.

Ela falou, mas inconscientemente tocou o rosto.

E logo, Dong Xue Mei ouviu e chorou ainda mais alto:

— Papai foi levado por aquela bruxa, não bate na nova esposa, só sabe bater na filha. Não quero voltar pra casa nunca mais.

— Xue Mei, se não quiser voltar, venha para a escola comigo. Seus colegas sentem sua falta.

— Não quero mais voltar para aquele lugar, enquanto aquela mulher estiver lá, nunca vou voltar!

Ela não se conformava que o pai tinha batido nela por causa da outra mulher e só descansaria quando Liu Cui Ying saísse de casa.

Até Dajun ficou sem palavras, afinal, a mulher de quem Xue Mei falava era sua prima.

Quando Xue Mei foi à casa deles, não mencionou nada disso. A família Liu achava que ela só estava lá para se divertir, e todos a trataram muito bem: até a avó e a tia competiam para preparar comida gostosa para ela.

Ninguém esperava que a menina falaria assim. Na vila, já não era bem visto casar com um homem mais velho e divorciado, mas Liu Cui Ying contava com o dinheiro do marido. Agora, ser chamada de bruxa pela enteada seria motivo de piada por muito tempo.

Xue Mei não se importava, ou talvez fizesse de propósito.

A “criança” de quem a professora Ge falava estava longe de ser ingênua.

No carro de volta, Liu Cui Ying nem entrou; decidiu passar uma noite na casa, então Dong Fuguê conduziu sozinho, levando a professora e Xue Mei até a escola, certificando-se de que entraram.

Depois, preocupado com a nova esposa, voltou ao vilarejo para buscá-la, ainda bem que o trajeto era curto, só uns dez minutos.

...

Ao retornar à sala de aula, Xue Mei percebeu de imediato que os colegas a olhavam de forma estranha. O que estaria acontecendo?

Sentou-se e cutucou o braço de sua colega de carteira, Xiong Mei Mei:

— Mei Mei, o que está acontecendo com eles?

— Todos sabem que você fugiu de casa. E também sobre as fotos que tirou de Xiao Man sem permissão. — Mei Mei, com o rosto redondo e rechonchudo, suspirou seriamente, quase engraçada.

Xue Mei ficou surpresa:

— Foi Xiao Man quem contou?

— Não, seu pai foi à escola reclamar com a professora Ge, que pediu para a turma ajudar a procurar por você. Aí, Xiao Ling disse que você saiu por causa do Chu Huai, e contou sobre o que aconteceu naquela manhã.

— Xue Mei, você exagerou, tirar fotos escondido e ainda tentar estragar o relacionamento dos outros. Xiao Man pediu para não brigarmos com você, ela é tão boa, por que você vive implicando com ela? Achamos que você estava na vila dela, mas depois... Ficamos assustados, pensando que você realmente havia fugido de casa.

Mal consolada pela professora Ge, Xue Mei sentiu-se envergonhada diante da turma e começou a chorar debruçada sobre a mesa.

Mei Mei ficou apavorada; não queria ceder, mas vendo Xue Mei tão triste, sentiu pena. Porém, ela estava errada!

Sem saber o que fazer, Mei Mei escreveu um bilhete para Xiao Man: “O que faço?”

Xiao Man respondeu com a caneta azul: “Xiao Ling.”

Mei Mei sorriu e trocou de lugar com Du Xiao Ling, para que Xiao Ling pudesse confortar Xue Mei, afinal eram melhores amigas.

Ao trocar de lugar, Mei Mei ainda mostrou discretamente um polegar para Xiao Man.

Xiao Man viu, mas fingiu não ver, continuando a escrever seus exercícios.

Xue Mei era a origem de todos os problemas, e agora, com Liu Cui Ying como estímulo, parecia ainda mais inquieta. Xiao Man não queria se envolver, só queria observar de longe.

Se pudesse, Xiao Man preferiria voltar para a vila no fim de semana, só para acompanhar o drama. Queria saber como foi a busca pela filha.

E não é que, pensando nisso, acabou sonhando à noite, realizando seu desejo.

No sonho, era sábado. Liu Cui Ying tinha folga no domingo, então no sábado, depois do trabalho, voltou à casa da família para jantar.

Na vila, havia muitos comentários: diziam que Liu Cui Ying estava diferente, parecia uma bruxa, tinha arranjado um velho rico e agora era madrasta.

Essas fofocas, normalmente ditas pelas costas, eram ignoradas, mas a filha de oito anos do vizinho, provavelmente ouvindo os adultos, foi até Liu Cui Ying e começou a cantar a canção “Couve Pequena”:

— Couve pequenina, amarela no campo, sem mãe, olhos cheios de lágrimas...

Liu Cui Ying ficou lívida, era uma indireta para ela, chamando-a de madrasta. Mas como discutir com uma criança de oito anos?